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Acróstico 40

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Manu


Presley subiu e ficou sentada na cama enquanto ouvia Hanni e Aika no banho, e o som do riso das duas só a aliviou intensamente por dentro. Iriam entender o que havia acontecido, iriam cuidar disso, ficariam bem, tudo se resolveria. E então, elas saíram do banho, Hanni de roupão, Aika também e, quietinha, sonolenta, agarrada em Hanni. Sasha era ótimo com ela, sempre fazia com que sua filha gastasse energia.


Trocaram um olhar.


— Pres, eu... não tenho controle. Não queria... te assustar.

— Você não me assustou, Hanni, você me preocupou, é diferente.

— Mas você ligou para a Kaori, porque deve ter ficado com medo de que eu pudesse te machucar.

— Fiquei com medo de que você pudesse se machucar e eu não conseguisse evitar, você é mais forte do que eu, honi. Se você tentasse algo contra você, eu precisava da Taylor aqui. Eu... nunca vou deixar nada acontecer a você, nem sei o que eu faria se algo acontecesse — Disse, e os olhos só se encheram.


E os de Hanni também.


Colocou o bebê na cama, se ajoelhou na frente de Presley, buscou os olhos dela.


— Eu sinto muito.


Presley tocou aquele rosto lindo.


— Não é um problema, meu amor, eu só... quero entender.


Hanni respirou fundo. Ok, tinha que ser capaz de explicar.


Quando Presley saiu do banho, Aika já estava dormindo e Hanni não estava no quarto. Deu uma olhadinha para a varanda. Não, ela não havia feito de novo. Se trocou e enquanto fazia isso, se olhou no espelho. Já tinha mudado, seu corpo já tinha mudado.


— Você pode ser um menino? — Tocou a barriga perguntando.


Terminou de se vestir, deixou um beijinho em sua menina e desceu. E sim, Hanni estava no balcão, com Kaori servindo três pratos para elas.


— Isso é... Qual o nome mesmo?

Estrogonofe. Kaori aprendeu a fazer.


Jantaram primeiro, estava delicioso. Conversa simples, Presley queria que Hanni relaxasse, que entendesse que tudo estava bem, que não havia sido grave, porque ela havia ficado agitada, mas grave mesmo, não ficou. Foi uma reação de... proteção. Ela queria proteger Aika e Presley de algo, mas não havia do quê. Era apenas Hanni, e ela estava com medo. Mas juntas, elas podiam cuidar de qualquer coisa. Ela empurrou o prato. Havia comido apenas metade e só...


Começou a falar.


— Ela já era famosa na Espanha quando eu a conheci, num evento de uma marca para a qual eu trabalhava. Ela... era mais velha do que eu, meu irmão não gostou dessa ideia desde o começo, mas eu não via como um problema.

— O quanto mais velha, babe? — Presley perguntou, buscando a mão dela sobre a mesa.

— Eu tinha 21 e ela 29. Não é uma diferença extensa, mas... eu nunca tinha namorado ninguém e não queria namorar. Estava trabalhando muito, viajava bastante; nessa época, eu tinha um contrato com a Zara e estava indo para a Coreia direto. Eles estavam com um projeto grande por lá, enfim. Não queria namorar; meus pais ainda não sabiam sobre mim, minha agente não queria muitas distrações na minha vida, eu estava na faculdade também, e a minha agenda era bem apertada. Ela sabia sobre tudo isso, a América. Falamos sobre isso desde o começo; ela disse que entendia, mas, ao mesmo tempo... Ela é dessas pessoas que vive na internet. Nada sobre ela fica fora das redes; ela posta tudo, o dia todo, o tempo todo. Entendia que era o trabalho dela, mas... — Respirou fundo, olhou para Presley, os olhos se encheram — Babe, eu queria um café...

— Eu faço, meu amor — Em português, a frase inteira — Vamos sair da mesa, vai para o sofá, eu faço um café pra gente, vai para o colo da Kaori um pouco.


Ela estava nervosa. Aceitou a pausa, foram para o sofá, foi para o colo de Kaori, para onde costumava ir sempre que os pesadelos apertavam antes de Presley existir na sua vida. Taylor sempre havia sido uma amiga compreensiva, que não apertava nas perguntas, que entendia tudo. Havia sido assim desde o primeiro encontro, nada havia mudado naquele tempo todo. Ficou deitada no colo dela até o café ficar pronto, com bastante creme, Presley sabia como ela gostava muito bem. Veio para sala, trouxe os cafés, havia esfriado, muito. Kaori subiu e desceu com um cobertor grosso para todas elas. Hanni tomou um bom gole do seu café, respirou fundo de novo e voltou a falar.


— Eu não era assumida. Era muito jovem ainda, sou coreana, essas coisas são diferentes na Coreia. E um mês após a gente ter começado a ficar, ela postou sobre isso. Uma postagem extensa, contando como a gente tinha se conhecido, com fotos que... ninguém deveria ver além de nós duas. Foi muito complicado, eu tinha uma conta no Instagram com 20 mil seguidores, isso foi para 100 mil em um dia, minha agente ficou louca comigo e os meus pais... Tive que ir para Seul e foi muito difícil. Eu estava muito envergonhada, não por quem eu era; sabia que teria que conversar sobre isso em um momento ou outro, mas não estava pronta ainda, não tinha me preparado. E os meus pais estavam chocados, minha mãe até disse que desconfiava de algo, mas meu pai foi pego muito de surpresa e ele reagiu muito mal. Ainda hoje, sinto que a nossa relação de confiança continua em reconstrução por causa disso. Ele vê o meu Instagram todos os dias, ele sabe que estou com você, Presley, mas as nossas postagens são... parecidas conosco. São suaves, não são... comerciais. A cada postagem da América, eu me sentia mais e mais comercial, mais e mais um produto que ela usava nas redes, eu não podia... — Segurava a caneca de café entre as mãos, olhando para baixo — Tomar um café sem uma câmera na minha cara. Claro que essa exposição me trouxe uma visibilidade boa, mas eu não sabia se conseguiria pagar aquele preço. A gente conversava sobre isso, eu pedia menos câmeras, menos exposição, mas... ela não parava. Os detalhes sobre nós duas também não, aqueles detalhes íntimos, que geralmente não se conta pra ninguém. Nós realmente éramos um produto para as redes dela e comecei a me afastar, comecei a tentar terminar o que nem havíamos começado porque, eu não queria namorar, havia deixado claro, mas o namoro me foi imposto de qualquer forma. E as coisas começaram a ficar bem complexas quando eu decidi me afastar. Ela estava em todos os lugares, descobria onde eu estava e aparecia, me pegava, agia como se fosse minha namorada, me constrangia na frente dos amigos dela, que eram todos mais velhos do que eu. Eu... nem sabia o que conversar com eles. Ia em eventos onde não dizia uma palavra, todos falavam apenas espanhol, eu ainda tinha dificuldades, eles riam de mim — Ela fez uma careta, segurando o choro, como se tivesse lembrado de algo que machuca muito.

— Ei, o que foi, babe? — Presley a agarrou, a beijou um pouquinho, a acalmando.

— É que eles diziam que... Fazia tempo que eu não pensava nisso e piora agora, por causa da Aika, mas eles me chamavam de... la mudita, porque eu não falava.

— Isso significa...? — Presley ficou irritada imediatamente.

— O que você está pensando mesmo. Era tão desconfortável. Mas para ela, era bom que eu não falasse, ajudava que ela contasse a história que quisesse sobre nós duas. Nenhum dos amigos dela nunca soube o meu nome, me chamavam de um monte de coisas, mas nunca pelo meu nome. Era só a muda, a coreana, a modelo da América, como se eu realmente fosse um objeto que ela havia comprado e gostava de exibir. As brigas começaram a ficar mais intensas. Eu não queria mais estar na cama dela e isso aparentemente a feriu profundamente. Ela fazia uma cena, me fazia sentir mal, dizia que as coisas que eu estava conseguindo, eram apenas por causa dela. Eu cedia. E me sentia péssima por estar cedendo. As cenas de ciúmes me assustavam. Ela sempre tentava me machucar, eu me defendia e ela invertia o jogo, dizia por aí que eu a machucava de propósito, quando, na verdade, só estava evitando que ela me machucasse. Mas eu ouvia dos outros, me sentia mal, cedia. Comecei a trabalhar mais, fechar mais contratos e ela começou a enlouquecer sobre qualquer mulher que se aproximasse de mim. De modelos com quem eu trabalhava até a minha agente. E então... — Os olhos dela despencaram as lágrimas que estavam acumuladas — Ela me bateu de verdade pela primeira vez. Primeira e última, eu nunca mais deixei que aquilo acontecesse. Terminei tudo, não a deixei me dobrar, não aceitei os pedidos de desculpas e... — Abriu um sorriso, não acreditava até aquele momento que aquilo tinha mesmo acontecido — Um oficial bateu na minha porta, me entregando uma intimação por violência doméstica.

— Ela...?

— Fez uma queixa numa delegacia, como se eu tivesse a agredido. E então, ela me fez uma proposta: ela retirava a queixa se eu a desculpasse. Lembrando que estava no país dela, que eu era estrangeira, brasileira, e que brasileiros não eram bem-vistos na Espanha de modo geral naquele momento. Tinha muitos entraves diplomáticos acontecendo entre os dois países. Eu desculpei. Não queria que ninguém soubesse de nada daquilo, e assim, ela voltou para minha vida. Mas eu estava diferente. Não estava mais apenas aceitando. Se ela queria estar comigo, ela me veria com outras pessoas, porque eu queria estar com outras pessoas. Ela havia feito a minha sexualidade assunto comum na Espanha. Me aproveitei disso e esperava que ela desistisse de mim quando começasse a se espalhar pelo meio social dela que eu estava ficando com outras pessoas. E ela começou a sofrer, mas não me deixava — Mais lágrimas — E eu parei de me importar com o sofrimento dela e só seguia em frente, fazendo o que queria, ficando com quem queria. Ela me ligava, me seguia, implorava para eu parar, mas eu não parava. Acho que parte de mim estava gostando de vê-la sofrer e isso... acaba comigo. Eu não consigo esquecer. Mas não sabia como agir, não sabia como terminar. Parecia um tipo de coisa que eu nunca iria me livrar. Ela repetia isso o tempo todo, que nunca ia me deixar, que eu nunca me livraria dela, que ela não era descartável.

— Manu, isso... — Kaori respirou fundo. Não havia pedido Lia em namoro ainda e achava que ia piorar agora com aquele relato — Meu Deus...!

— Dois anos já tinham se passado e parecia mesmo que eu nunca conseguiria me livrar dela, que era impossível. Ela... fazia escândalos com as garotas com quem eu ficava, e sei que ela machucou, ao menos, duas. Comecei a sentir medo de verdade e, ela ficou doente.

— Doente, tipo...?

— Tinha algo na cabeça dela. Um aneurisma em estágio avançado, que precisava ser operado. E ela me pediu em namoro de novo. Eu neguei, mas disse que ficaria o tempo todo ao lado dela, e eu estava disposta, ficaria com ela, cuidaria dela, mas a gente não precisava necessariamente namorar para que isso fosse possível — O choro ficou mais forte, totalmente contra a vontade dela — Honi...


Presley a beijou, puxando-a pela nuca, mantendo-a pertinho.


Eu estou aqui com você. A sua Aika está dormindo no quarto. O seu menino está dentro de mim. Está tudo bem.


Ela apertou a mão de Presley, a respiração toda agarrada no peito.


— Continua, não deixa isso te parar novamente, continua.


Hanni respirou muito fundo e continuou.


— Ela disse que... que tudo bem, nós estávamos jantando e ela disse que tudo bem. Saímos do restaurante, entramos no carro dela. Ela pegou um caminho que eu não conhecia, perguntei para onde estávamos indo e ela disse que... dependia. Talvez para o inferno, talvez para o paraíso e começou a aumentar a velocidade. E a última coisa que lembro foi dela dizendo “olha o que você fez com a gente". Ela tirou o carro da estrada. O carro arrancou um poste, passou por um muro e só parou numa árvore.


Silêncio extremo. Kaori não sabia o que dizer. Mas Presley...


Presley sabia.


— Hanni, eu tenho certeza de que não sou a primeira a te dizer isso, mas às vezes, pessoas ruins tentam fazer outras pessoas parecerem ruins apenas para justificarem os próprios erros. Você foi abusada por essa mulher. Constantemente abusada.

— Manu, essa maluca tentou matar você. Isso foi tentativa franca de assassinato.

— Ela estava no carro também, Kaori.

— Com um aneurisma na cabeça. Ela queria que vocês morressem juntas, se ela ia morrer, não ia te deixar aqui para ser de mais ninguém. Como isso... — Kaori respirou fundo, estava profundamente perturbada. Presley não soltava a mão de Hanni nem por um segundo — Não virou um processo?

— Virou. O meu irmão a processou, mas acabou virando só... mais um caso de violência doméstica. Os advogados dela alegaram que o aneurisma estava agindo sobre ela, que ela estava depressiva, tomando muitos remédios. Que era uma mulher mais velha, namorando uma menina mais nova, que eu era... complicada. Apresentaram uma série de fatos que, enfim. Eu estava parecendo mais culpada do que ela.

— Ela bateu o carro com um aneurisma na cabeça e não aconteceu nada com ela, é isso mesmo? — Presley perguntou. Vaso ruim realmente não quebra fácil.

— Ela operou imediatamente, mas o impacto principal da batida foi todo em cima de mim. Ela... jogou o meu lado no poste — Respirou fundo, tomando o último gole da sua caneca — Nós... ficamos desacordadas por um bom tempo. Ela, por duas semanas, eu, por três, e quando acordei, meu irmão estava me tirando de Madrid. Foi um escândalo, claro que foi um escândalo na Espanha, estava na mídia, com muitas teorias, muitas especulações, eu havia atingido três milhões de seguidores e não queria mais nada daquilo. Apaguei a minha conta, saí de Madrid, abandonei o processo contra ela, fui para Paris, para perto da minha agente que cuidou de mim até eu conseguir me recuperar, até o Bogum encontrar um lugar para onde poderíamos ir. Ela me encontrou em Paris, e em Marselha. Me encontrou em Porto e seguiria me encontrando se não fosse a atitude extrema de realmente desaparecer do mapa que tivemos. Fiquei um ano sem trabalhar, em parte, me recuperando e em parte, por medo de que ela me encontrasse. E ela desapareceu. Ela finalmente desapareceu. Eu soube dela, soube que ficou tudo bem depois da operação, soube que ela ficou saudável, que estava voltando a trabalhar e senti que eu podia recomeçar. Sabina estava grávida e nós estávamos nos mudando em definitivo, para cá. Mas a minha cabeça estava... ferrada. E noites, como as de hoje, me mostram que ainda está. Eu não queria estar. Eu estava tão feliz.


Presley tocou o rosto dela, olhando-a nos olhos.


— E ainda está, porque essa pessoa aqui — Pegou o celular dela, ainda aberto no perfil de América — Não tem mais domínio sobre você — Presley atirou o celular longe, terminando de quebrar contra a parede.

Babe... — Hanni quis rir.

— Você quebrou primeiro. O contrato com a YSL que você conseguiu POR VOCÊ MESMA, paga um celular novo, então amanhã compro para você. Outra coisa, são quase dez da noite, vocês precisam terminar as avaliações da graduação de amanhã.

— Pres, eu acho que não consigo.

— Essa narcisista insegura não vai tirar mais nenhum minuto da sua vida, Hanni. Eu nem sabia se dava para ser insegura e narcisista ao mesmo tempo, mas ela me provou que dá sim. Seus alunos estão ansiosos para amanhã, sua menina está ansiosa para amanhã, você prometeu um churrasco para ela, lembra?


Ela lagrimou, sorrindo.


— Eu prometi.

— Então, você vai entregar.

— Pres tem razão, Manu, eu vim aqui para isso — Kaori concordou — Vamos lá, farei outro café pra gente e vamos ajustar o que precisa.


Ela foi fazer café novamente e Hanni se deitou no colo de Presley.


Deitou-se, fechou os olhos, sentindo os dedos dela automaticamente pelos seus cabelos, correndo pela sua orelha, tocando os seus piercings, e Hanni foi só... se encolhendo pelo colo dela, se abraçando nela, sentindo o cheiro, o carinho de Presley.


— Honi, bloqueia essa conta, eu não quero que ela te veja.

— Meu amor, você acha que ela está me vendo só agora? Você acha que ela está nos vendo só agora? Com toda certeza, ela te segue há mais tempo e me segue há mais tempo em alguma conta que a gente não faz ideia, desde quando comecei a aparecer na sua conta. Mas agora, por algum motivo, ela quer que você saiba que ela está nos vendo e acho que, na verdade, eu sei o motivo sim: você já queria escapar de mim só de ler o nome dela. Ela quer afastar você de mim, mas nós não vamos ceder aqui.

— Mas, Pres, eu não quero que... — Respirou fundo e então, se deu conta — Foi a minha última postagem.

— O que tem a sua última postagem?

— Eu decidi contar de uma vez para os meus pais sobre a gravidez e...

— Espera, espera um pouco — Presley se levantou, pisando em cima do celular de Hanni, terminando de quebrá-lo, e pegou o seu próprio celular. Abriu o perfil de Hanni; sua tarde havia sido tão corrida que não conseguiu ver nada.


E seus olhos se encheram de imediato.


Era uma única foto, Hanni sorrindo, de olhos fechados e, segurando uma das imagens do ultrassom que tinham feito, do tamanho de uma polaroid, segurando bem pertinho do coração.


Legenda? "Crescendo dentro do meu amor e do meu coração ❤️‍🩹."


Presley andou até Hanni e a beijou longamente, com os olhos transbordando de amor também. Hanni havia... Sim, Park Manu havia feito a postagem mais linda do mundo.


— Perguntei para o Leo, ele disse que tudo bem, e achei que você não fosse ficar louca comigo se eu fizesse sem perguntar, porque queria essa reação, queria que fosse espontâneo e...


Presley a beijou novamente, e mais uma vez, o coração flutuando no peito. Não estava acreditando que ela havia feito aquela postagem linda. A sua Hanni. O seu amor.


— O que os seus pais disseram?

— Minha mãe está confusa e feliz, meu pai está feliz e confuso. Eu disse que ligo amanhã, com você, pra gente conversar com eles e...


Presley a beijou, a beijou e a beijou.


O café ficou pronto, as três ficaram calmas, algo bom de repente apenas começou a existir naquele momento, tirando o peso de tudo, trazendo os sorrisos de volta. Presley estava feliz que não cabia em si e Hanni havia amado a reação dela. Sabia que ela ia gostar, sabia que ficaria feliz. Hanni quis dizer a todo mundo o quanto era sério, mas principalmente, queria dizer para Presley o quanto era sério. Ela era a mãe das suas crianças, era a mulher da sua vida, e não, nada as quebraria, nada. Hanni precisava lutar contra aquilo e achou mesmo que continuar com seus planos para o dia era uma boa maneira de começar naquele objetivo.


Então, sentou-se com Kaori e juntas, terminaram as avaliações para o dia seguinte.


— Não existe um livro de regras a seguir para graduar alguém no jiu-jitsu, como tem no judô ou no karatê, por exemplo. Se o aluno souber x golpes, ele pode ser graduado, no jiu-jitsu isso é feito baseado num conjunto de coisas, que vão desde conhecimento técnico até comportamento social. Então, geralmente é um trabalho feito entre mestre e o mais graduado — Hanni olhou para Kaori — A gente consegue fazer isso amanhã.

— Claro que consegue — Kaori pegou a mão dela — Vem, me leva na porta, ou eu não volto mais — Hanni havia ensinado este costume brasileiro e ela sempre se divertia com aquilo.

— Até parece — Disse, fazendo-a rir, mas se levantou para levá-la na porta de qualquer maneira.


Kaori deu um beijo em Presley e caminhou com Hanni até o seu carro.


— Manu, eu sei que você ainda quer fugir.

— Eu só... tenho medo. Que ela realmente reapareça, que faça algo contra a Presley.

— Essa mulher é maluca? Ela encontrará maluca e meia se tiver coragem de aparecer na frente da Presley. Ninguém vai mexer com a família dela. A Presley é esse tipo de mulher. Ela... me ligou para eu te proteger de você. Isso é amor, Manu. O tipo certo de amor. Você não pode se mover de onde está. Dentro dessa casa, está a sua mulher, a sua criança. Você não pode sair daqui.

— Elas...

São suas. Você sabe disso. Isso já está feito, amiga.


E assim, a casa pós-incêndio, que estava em plena reforma, apagou um segundo incêndio antes de ele ser iniciado.


Estava protegida, estava forte, estava segura. O fogo podia vir.


Manu não mais iria se queimar. 


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6 comentários


Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
30 de mar. de 2024

Quem nunca encontrou uma "america" que jogue a primeira pedra... kkkkkk

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Jane Silva
Jane Silva
29 de mar. de 2024

Nossa, Hani é tão amorzinho, infelizmente topou com uma figura tão nefasta, mas se ela ousar se aproximar, Presley vai enquadra-lá, na verdade já tenho até dó dela se bobear, Manu já entendeu que foi vítima de uma abusadora, tem uma rede de proteção, é madura e conheceu o amor, não tem espaço pra embuste. 🙂

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sylber1011
sylber1011
29 de mar. de 2024

Nossa q doideira

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setubalrodrigues
setubalrodrigues
28 de mar. de 2024

Nossa o que Hanni passou nas maos desse demonio que a America e inacreditavel, me imaginei no lugar da Hanni coitada sofreu tantas coisas com essa mulher, ainda bem que Hanni deu a volta por cima e encontrou uma amor maravilhoso ao lado da Presley onde as duas estao construido uma linda familia, onde nem Leo e America irao destruir esse lar cheio de amor e respeito...

ansiosa ja pelo proximo capitulo


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Rodrigo Mesquita
Rodrigo Mesquita
28 de mar. de 2024

Deus do céu, a América nem pode ser descrita como traste, ela é muito PIOR do que isso! Coitada da Hanni, tendo que passar por esse inferno nas mãos dela e ainda sofrer uma tentativa de homicídio... honestamente, uma parte de mim quer que ela apareça e leve uma surra histórica da Kaori só para ela aprender a lição!


E a Pres tão fofinha, dando todo o suporte e apoio para a namorada... a cada capítulo, a família Park me conquista mais e mais! 😍❤️


Que venha o capítulo 41!

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Karla Maiara
Karla Maiara
28 de mar. de 2024
Respondendo a

Eu quero que ela apareça e leve uma surra da Pres. 😂😂😂

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