Acróstico 27
- Riesa Editora

- 23 de jan. de 2024
- 15 min de leitura
Atualizado: 26 de jun. de 2025

Fragile, Handle With Care
As risadas preenchiam toda a casa.
Foram juntas para o banho, falando e se beijando sem conseguir parar. Como podia existir tanta falta assim? Como podia brotar tantos sentimentos bons apenas por se estar perto de determinada pessoa outra vez? Hanni nunca havia experimentado isso antes, e o mesmo valia para Presley. Era algo completamente novo para ambas, tornando as coisas ainda mais... delicadas. Mais frágeis e, ao mesmo tempo, mais bonitas.
Checaram a hora, era quase dez da noite. Correram para se vestir rapidinho: Hanni escolheu um jeans Tom Ford, uma camiseta masculina Diesel e um casaco por cima. Enquanto isso, Presley optou por um vestidinho justo, azul desta vez, com uma jaqueta oversized jeans por cima, também Tom Ford, em par com a calça que Hanni estava usando. Hanni colocou com um boné e pronto, estavam arrumadas para ir.
Pegaram o Jimny; Presley foi dirigindo, mãos que não saíam de cima uma da outra, sorrisos que não abandonavam o rosto das duas, olhos brilhando, pele luminosa, e os cabelos nem se fala. O chamego entre elas era algo, sinceramente. Presley só queria isso, só queria poder... ficar de chamego com a sua mulher, agarradinha nela, até aquela vontade toda se acalmar ou não acalmar nunca mais.
De verdade, achava que poderia ficar de grudinho com Hanni uma vida toda, agarrada nela, sentindo o cheiro, beijando aquela boca linda em formato de coração, fazendo amor todos os dias. Por que não poderiam ter isso? Não, ainda não haviam conversado, e naquela noite, não o fariam. Ainda não. Merecia mais da sensação de estar agarrada um pouco mais por quem estava tão apaixonada. Chegaram no prédio de Kaori, onde Hanni sempre podia entrar sem avisar, tinham direitos iguais naquela relação.
Estacionaram e desceram, dando as mãos imediatamente. E quando entraram no elevador, perceberam que simplesmente dar as mãos já não era suficiente. Presley se abraçou nela escondendo o rosto em seu peito por um instante, enquanto os braços de Hanni imediatamente cruzaram na cintura dela, apegada demais. Trocaram alguns sorrisos e beijinhos, e chegou o andar de Kaori, era aquele mesmo. Andaram agarradas para a porta, e Hanni tocou a campainha.
Aliana estava deitada no colo de Kaori no sofá quando ouviram:
— Estão tocando a campainha? — Perguntou Aliana.
— Sim. Que horas são?
— Dez e meia. Será que é o meu irmão? Deixa que vou ver — Aliana se levantou para atender, e ao olhar na câmera de segurança, abriu um sorriso — Você precisa ver isso aqui.
— O quê? — Kaori se levantou sorrindo, e ao olhar na câmera, lá estavam.
Presley agarrada no pescoço de Hanni, o nariz praticamente enfiado na nuca dela, os braços de Hanni cruzados naquela cintura, a jaqueta de Presley do comprimento do vestido, e Hanni mudando os braços, passando por dentro da jaqueta. Um carinho nas costas dela, delicado demais, um apego infinito, olhos nos olhos, sorrisos trocados, a mão de Presley no abdômen de Hanni, os dedos acariciando gostoso, uma coisa de apego.
— O meu irmão mora aqui em cima, sabe?!
— Melhor colocar essas duas para dentro antes que aconteça algum escândalo, vamos — Kaori respondeu sorrindo, abrindo a porta para elas — O face card couple batendo na minha porta a uma hora dessas!
E elas se derreteram em sorrisos, porque aparentemente, naquele momento, aquelas duas eram apenas sorrisos. Absurdamente felizes, o tipo de coisa tão clara e palpável que realmente dava para ver, notar, e era contagiante. Ao entrarem, Hanni deixou um beijo em Aliana e outro em Kaori.
— Onde está a minha face cardizinha, Tay?
— Você veio atrás da criança... — Kaori se deu conta.
— Estou morrendo de saudade, você não faz ideia. Ela já está dormindo?
— No quarto, ela relutou para dormir, mas acabou pegando no sono.
As duas foram em direção ao quarto, deixando Presley e Aliana sozinhas por um instante.
— Lia, vocês têm algo para comer? A Hanni ainda não comeu nada.
— Você não deixou a garota comer, Presley — Aliana respondeu sorrindo, já indo para a cozinha com ela.
— De jeito nenhum, claro que não! Ela comeu, tanto que... — Mordeu a boca sorrindo, e então, sussurrando: — Se eu não estivesse grávida antes, estaria agora. Nem sei se não estou grávida de gêmeos neste momento, ou se eu não a engravidaria porque assim, o que acabamos de fazer, nem consigo te explicar.
E Aliana enterrou o rosto no balcão, vermelha de tanto rir.
— Presley, pelo amor de Deus!
— Lembra da loucura da primeira noite? E da segunda? Acabou de ser superada, as duas noites, você não faz ideia, Lia.
— Com tudo isso, posso assumir que vocês não conversaram?
— Não, na verdade, não teve espaço, porque assim que olhei para ela, só...
— Fez o que seu corpo estava implorando. Sei o quanto você estava com saudades dela e o quanto ela estava com saudades de você e da Aika. E assim, eu vi vocês duas aqui na porta...
Presley se derreteu num sorriso, já estava preparando alguns sanduíches.
— Você viu?
— Married couple vibes do melhor tipo, porque parecem casadas e estão absurdamente apaixonadas.
— Será que... vai sobreviver à amanhã? — Pegou os pães — Onde posso esquentar? A Hanni gosta de sanduíches quentes.
Aliana só suspirou. Era assim que tinha dúvidas se elas sobreviveriam. E ouviram a risada de Aika.
Ela acordou com Hanni, que tomou todos os cuidados para não a acordar, mas não funcionou. Aika acordou e se agarrou nela, seus olhinhos brilhando, se derretendo num sorriso enorme ao perceber que Hanni havia voltado.
Ela sinalizou e sinalizou, já no colo de Hanni, que a levava para fora do quarto.
— Isso, de Paris, eu voltei.
— Honi, o que você quer beber?
Hanni abriu um sorriso, indo até Presley na cozinha, observando o que ela estava fazendo, beijando aquela bochecha que adorava.
— Está me fazendo um lanche?
— Sei que você não comeu nada.
— Você também não, precisa comer também.
— Estou fazendo para nós duas. Oi, meu amorzinho, oi! — Pegou a mãozinha de sua filha, cheirou sorrindo.
"Hanni voltou!" Ela sinalizou com os dedinhos, empolgada, fazendo Presley sorrir.
— E com saudades de você — Presley sinalizou para ela.
"Nós vamos pra casa?" Os dedos dançavam no ar, e Hanni a beijou, a apertando nos braços.
— Pra casa, meu amor — Ela sinalizou perfeitamente, de modo que Aika pudesse ver, e aquilo pegou Presley de muita surpresa.
— Manu, você está... diretamente sinalizando? Sem usar o alfabeto?
Ela sorriu, morangos surgindo naquelas bochechas.
— Estou ficando melhor nisso.
Presley deixou um beijinho naqueles lábios em formato de coração. Estava mesmo ferrada com ela. E Aika começou a puxá-la, tinha muitas coisas para mostrar: a barraca de camping no meio do escritório de Kaori, a arte surrealista na parede, os brinquedos que Kaori comprou. Daí, voltou para a mãe, pediu leite no copinho novo, podia ter um pouco de leite? E Presley estava rindo sem conseguir parar porque tinha uma coleção de copinhos, tinha a fórmula que Aika gostava de tomar, tinha CACAU EM PÓ, o que era particularmente específico demais.
— Kaori, você está deixando a Aika se mudar pra cá, gente — Presley não estava acreditando naquilo.
— Ela me pede as coisas, e eu não tenho XP para me defender!
— Se você ficasse mais uns dias em Paris, a Aika teria uma cama aqui, Hanni — Não conseguia parar de rir.
— Tenho apego, vou fazer o quê? — Disse, toda agarrada em Aliana no sofá, deitada no colo dela — Lia?
— O quê?
— A gente pode ter uma face cardizinha só nossa? — Pediu, toda agarrada nela, fazendo baby voice e tudo, e Aliana riu, começou a rir.
— My beautiful...
— Se vier de você, vai ter os olhinhos puxados, quero uma assim.
Presley cruzou os olhos de Hanni, ela estava sorrindo, se divertindo com o assunto. Por Deus...!
E Aika puxou seu vestido.
“Leite, mamãe.”
— Ah, sim, seu leite aqui. Quer que...?
Ela apenas pegou o copinho novo e correu para o colo de Hanni.
— Ok — Nem podia culpá-la; Presley estava igualzinha. Pegou seu sanduíche e foi comer ao lado de Hanni no sofá, que já estava devorando o seu lanche, com o bebê deitado no seu colo e arrumando um jeito de cheirar Presley, de enchê-la de carinhos, porque estava apegada, estava feliz.
Hanni estava simplesmente muito feliz.
Aika dormiu assim que terminou o leite; já era quase meia-noite e hora de voltar para casa. Aika dormindo no ombro de Hanni, Presley agarrada na sua cintura, agora estava mais frio. Hanni a mantendo pertinho, cheirando o cabelo dela, enquanto caminhavam para o elevador, foi essa cena que Aliana e Kaori viram antes de fecharem a porta.
— Ela não disse nada — Kaori falou.
— Não, ela não conseguiu. Você sabe o que sinto agora, de verdade? Que a Presley está com o coração dela em uma caixa escrito fragile: handle with care — Frágil: manuseie com cuidado — Pronta para entregar para Hanni, mas sem fazer ideia do que virá depois.
— E digo mais, tem três corações dentro dessa caixa: Presley, Aika e este bebê de agora.
— E o que você acha de tudo isso?
Kaori respirou fundo.
— Acho que ela vai saber manejar. Você viu as duas, beautiful.
Aliana só esperava que sim.
Presley dirigiu para casa, muito devagar, porque haviam decidido por uma irresponsabilidade: Hanni foi incapaz de colocar Aika na cadeirinha, pois ela se recusou a soltar o seu pescoço, mesmo dormindo. Kaori morava pertinho, umas ruas de diferença apenas; logo, estavam em casa, e Manu subiu na frente para colocar Aika na cama, enquanto Presley foi trocar de roupa, lavar o rosto, escovar os dentes, se preparar para dormir. Hanni colocou Aika na cama, mas ela a segurou de repente.
Segurou em Hanni, sentou-se na cama, sinalizou e sinalizou.
— O quê? — Hanni tentou entender, pediu para ela repetir; ela repetiu mais devagar, e Hanni abriu um sorriso — Outro bebê? Se eu...? — Ela seguia sinalizando e sinalizando, tentando explicar — Em Paris? — Sinalizou a pergunta inteira para ela. "Se tenho outra criança em Paris?" Aika afirmou, e Hanni riu demais — Não, nenhuma outra criança, você é a minha única criança, só tem você.
Ela pareceu confusa, pensando um pouquinho. “Você, de novo, viajar?”
— Não, nada de viagens tão cedo — Disse em coreano e então, sinalizando: — Eu senti muita saudade de você.
Ela não respondeu verbalmente. Só subiu no colo de Hanni, agarrando no pescoço dela feito um bicho-preguiça. Ah, não daria para deixá-la dormir ali de jeito nenhum.
Levantou com ela, foi para o seu quarto; Presley já estava trocada, prontinha para ir para cama. Abriu um sorriso vendo a cena.
— A gente pode dormir com ela? — Hanni pediu.
— Agarradinha nela. Dá o bebê aqui, vai se trocar, vai.
Dormiram agarradas as três, e Presley acordou altamente preocupada.
Hanni e Aika dormiram até mais tarde, mas às sete da manhã, Presley acordou e não conseguiu mais dormir. Então beijou as duas, saiu da cama, fez café apenas para ela. Estava chovendo muito, mas muito mesmo, e já deveria estar assim há um certo tempo; o gramado estava encharcado lá fora, o dia estava cinza, e seu celular tocou logo cedo.
Era sua chefe.
Melhor assim.
Subiu, voltou pra cama, olhou para Hanni dormindo com Aika entre os seus braços.
Deus, não podia perdê-la. Como iria fazer aquilo? Como...? Respirou fundo; não podia chorar.
— Babe? — Fez um carinho em Hanni, a acordando muito devagar.
— Hum, honi?
— Tenho que ir trabalhar, você...?
Ela se moveu e beijou Presley, ainda de olhos fechados, muito carinhosa.
— Fico com o bebê. Precisa que eu faça o seu café?
— Não, fica quietinha aqui, volta a dormir. Eu vou deixar o seu café pronto.
— Não me mima.
— Todo dia.
Presley foi para o banho, chorou um pouquinho escondido porque precisava, então se vestiu, deixou beijinhos em suas garotas e desceu, tomou café, deixou o café delas prontinho e foi trabalhar. Correu com algumas tarefas e então, foi interrompida, havia um oficial de justiça lá embaixo. Ele havia ido até a sua casa, não havia ninguém, foi ao segundo endereço informado. Presley recebeu o documento, era a sua audiência de separação. Respirou fundo antes de assinar, e quando o oficial se retirou, teve outra crise de choro.
— Ei, Presley, ei... Está tudo bem? — Seven a consolou. Era sério? Agora estava chorando em público?
— Tudo, é que...
— Me deixa pegar uma água para você.
Pegou a água, bebeu toda, respirou fundo, se acalmando.
— É a sua separação?
— É, eu... estou um pouco nervosa com isso esses dias.
— Sua modelo voltou?
— Voltou — Abriu um sorriso.
— E vocês seguem não estando juntas, mas ficando juntas...?
Presley respirou fundo.
— Vou descobrir hoje à noite.
Decidiu que não podia passar daquela noite. E para não passar, ligou para Leo.
— Você pode passar em casa hoje, umas nove da noite? Precisamos conversar.
— É sobre os papéis do divórcio?
— Não, eu acabei de assinar os papéis da audiência, tudo certo com isso. É outra questão.
Desligou com Leo; ele disse que apareceria depois do jantar e, Presley mandou uma mensagem para Hanni, pedindo que ela ligasse quando acordasse. Seu celular tocou pouco antes de voltar para sua sala.
— Hanni, você pode ficar com a Aika o dia todo? Como está a sua agenda hoje?
— De folga, só tenho aula de jiu-jitsu à noite, fico com ela. Pres, está tudo bem?
Presley respirou muito fundo.
— A gente precisa conversar, honi.
— Você vem almoçar com a gente?
— Não, eu prefiro... Encontrar você à noite. Você busca a Aika?
— Busco e vamos para o jiu-jitsu, tudo bem?
— Tudo bem. Encontro vocês em casa.
Tentou se manter longe do celular o dia todo. Não falou com ninguém, não respondeu nenhuma mensagem, almoçou sozinha, por perto da embaixada mesmo, pensou, pensou e pensou. Não adiantava ensaiar nada, o que tinha que dizer só podia ser dito de uma forma. E quando estava voltando para a embaixada, recebeu uma foto que a fez sorrir. Sua filhinha muito bem arrumada, já na cadeirinha no Jimny de Hanni, que tirava aquela selfie do banco do motorista, linda, sorrindo, as duas a coisa mais linda deste mundo.
Respondeu para ela, perguntou o que ela faria à tarde, seguia chovendo bastante. “Acho que vou ficar em casa mesmo, tocando um pouco.” E Presley foi inundada de Stories com Hanni de jeans, moletom, descalça, tocando no seu antigo estúdio que hoje atendia pelo quarto de Aika, ela, o violão, músicas suaves, em três idiomas, num cenário agora que continha pelúcias, mini quimonos e afins. E conforme o tempo foi passando, a chuva foi se acalmando e começou a bater um desespero por dentro. Não podia fazer aquilo. Não daria conta de conversar com Leo e com Hanni na mesma noite, que ideia havia sido aquela? Era incapaz de fazer isso, não daria certo, não tinha como dar.
Ligou para Hanni quando ela já estava com Aika no carro, no final da tarde.
— Não, não, Hanni, você fica com ela hoje.
— Presley, eu estou com ela hoje, isso não é um problema, só quero entender por que você não virá pra casa mais tarde, só isso.
— Porque eu não posso, Hanni, não consigo! Fica com o bebê, preciso resolver umas coisas em casa, preciso de um tempo para mim.
— Você precisa de um tempo? É isso mesmo que está me dizendo? Vai preferir me dizer isso do que contar o que está acontecendo?
Presley se acalmou. Respirou fundo e se acalmou.
— Honi, eu só preciso dormir um pouco. Prometo que conversamos amanhã, os dias sem você aqui foram muito complicados, estou trabalhando demais, estou exausta, é só isso. Você também deve estar cansada, desculpa, eu posso pedir para a Lia buscar a Aika no jiu-jitsu.
— Presley, Presley: eu fico com ela, ok? A Aika está comigo, não com a Lia. Cansada ou não, ela segue sendo minha responsabilidade, eu cuido dela por mim mesma.
E do alto do seu desespero, Presley começou a rir. Hanni só faltava morder quando o assunto tocava Aliana; chegava a ser engraçado.
— Ok.
— Estamos indo para a academia, qualquer coisa me liga.
Elas foram para a academia, e Presley voltou para casa. Era extremamente estranho retornar àquela casa, como podia? Estava tão ferrada que nem sabia. Tomou um banho longo, trocou de roupa – short curto e moletom cinza da Diesel, com o nome gigantesco gravado na vertical e o característico cheirinho de Hanni. Estava no carro e não resistiu a vestir a peça. Daí, decidiu arrumar algumas coisas e preparar o jantar. Havia vomitado o dia todo e precisava comer alguma coisa. Fez pho bo, pedindo que ele parasse no seu estômago, e parou.
Então colocou algo na TV, deitou no sofá e percebeu que seus olhos estavam tão embaçados que não conseguia ver muita coisa. Vista cansada, fruto dos dias de trabalho e das lágrimas incessantes. Pegou seus óculos de grau, redondinhos, que não usava há um bom tempo. Voltou para o sofá com os cabelos soltos e o rosto lavado, abraçou os joelhos contra o peito, respirando muito fundo.
Não sabia muito bem como o tempo passou; ficou presa na própria mente, criando cenários e mais cenários diferentes, até que o cansaço a venceu. Presley acabou cochilando no sofá e despertou com batidas em sua porta. Acordou, sentou-se, verificou a hora: oito e meia. Será que Leo havia decidido chegar antes?
Caminhou até a porta, com os pés descalços, cabelos soltos e os óculos ainda no rosto. Quando abriu a porta, seu coração parou no peito:
— Hanni?
— A gente precisa conversar, não pode ficar para amanhã. A gente pode entrar?
Sim, a gente, porque Aika estava segurando sua mão, ainda de quimono, assim como Hanni também estava. Toda vestida de preto, ainda usando a calça do quimono, uma rash guard da mesma cor e uma jaqueta jeans por cima, estava frio na cidade.
Linda. E segurando a criança pela mão.
Presley a puxou para si e a beijou, selando seus lábios contra os dela por um tempo mais longo, respirando profundamente, sentindo-a um tanto mais.
— Você não mora cercada de vizinhos idosos e tal...? — Hanni perguntou, sorrindo depois daquele beijo, já pegando Aika no colo porque ela estava pedindo.
— Eu sempre serei famosa nas vizinhanças, acho que faz parte de mim. Entra, vocês já comeram?
— Não, a gente só saiu da aula e veio direto. Você está me deixando ansiosa, Presley.
— Desculpa, é que eu também estou — Beijou a testa de Aika, fazendo um carinho nela; sua menina estava a coisa mais linda, usando as mesmas tranças boxeadoras que Hanni usava — Filhinha, você não quer mostrar a casa para Hanni enquanto preparo o jantar?
Nem precisou pedir duas vezes. Aika desceu do colo, pegou Hanni pela mão e saiu arrastando-a pela casa. Mostrou seu quarto, a cabana, a cama, todos os brinquedos. "Asllani, Rolfo e Jakobbson." Ela estava renomeando todas as pelúcias. Abriu o armário, mostrou suas roupas, "mais do que a mamãe", puxou Hanni para fora, mostrou o escritório, "papai trabalha, chato." Arrastou Hanni para a sala, TV, videogame, mostrou a varandinha no quintal, onde costumava brincar, e Presley as chamou de volta; havia preparado dois bowls de pho bo para elas.
Aika pegou sua tigela, perguntou se podia ver TV enquanto comia, podia, e assim, Presley e Hanni foram deixadas sozinhas no balcão da cozinha. Hanni pegou os hashis, enroscou macarrão, um pedaço de carne, e levou para a boca.
— Alguma ideia de o motivo da criança estar dando nomes estranhos para as pelúcias? — Presley perguntou a Hanni.
— Hum, Sasha é sueco e tem mostrado as jogadoras da seleção da Suécia para a Aika.
— Blackstenius é uma jogadora?
— Isso, são todas jogadoras — Hanni abriu um sorriso meio tímido e deu uma olhadinha ao seu redor. A casa era extremamente agradável, ampla, de muito bom gosto — Sua casa é linda — Disse e deu outra bocada, estava delicioso, Presley cozinhava muito bem.
— Você não havia entrado ainda.
— Não, e é... não sei, estranho pra mim estar aqui.
Presley respirou fundo por um instante. Um terremoto por dentro.
— Você nunca esteve... nessa minha vida aqui. Nós sempre estivemos fora daqui esse tempo todo. Na academia, no hospital, na sua casa.
— Na minha vida, integralmente, na minha vida.
Presley buscou os olhos dela.
— Invadimos a sua vida.
— E eu amei essa invasão — Hanni abriu um sorriso, bebendo um pouco do caldo da sua porção. E então, respirou fundo, recompondo-se um pouco — Presley, fiquei me perguntando a aula inteira se deveria aparecer aqui ou não, eu não... gosto de confrontos. É da minha personalidade, você já deve ter notado isso. Se alguém diz que precisa conversar comigo e desiste depois, geralmente é um alívio pra mim, mas isso não aconteceu agora. É como se... com você, tudo acontecesse oposto do que costumava acontecer comigo antes, como se... — Hanni respirou fundo, buscando os olhos de Presley. Ela estava com as tranças boxeadoras, rosto limpo, feição amistosa, falava baixo, como se elas pudessem incomodar Aika de alguma forma — Você gosta de poemas acrósticos, né? Acho que você e eu, precisamos ser lidas em outras direções, de trás pra frente, na diagonal, de cima pra baixo.
Presley sorriu.
— Nós não somos lineares, não é?
— Não somos. Acho que somos quase... um evento da natureza que não deveria ter acontecido — Hanni abriu outro sorriso — Como... as monções tailandesas ou os tufões sobre o Japão. Mas acontecemos, porque tinha que ser assim, eu sei que alguma coisa está fora do lugar, eu podia sentir você, mesmo em Paris. Então cheguei, a gente teve uma noite maravilhosa, a ordem parecia restabelecida. Mas hoje de manhã, a minha Presley saiu da cama diferente e eu não posso esperar mais horas sem entender o que está acontecendo. Então, vim confrontar você aqui.
Presley abriu um sorriso, com os olhos cheios.
— Veio me confrontar com essa voz doce?
Ela fez uma caretinha sorrindo.
— É o melhor que consegui.
— Hanni, eu não acho que... — Presley respirou fundo, desviando os olhos, o coração disparado demais — Vou poder voltar para sua cama depois dessa conversa.
Hanni a olhava nos olhos. Empurrou o bowl, apertou os lábios, ficando claramente preocupada.
— Você... desistiu do divórcio, foi isso?
— Hanni...
— Só me diga de uma vez, Presley, alongar não melhora nada. Só diz o que você precisa, e eu te deixo em paz — E se moveu, se pondo de pé, na eminência de se afastar de Presley, que não permitiu, a segurou pela calça, mantendo-a perto.
— Ei, não assim, eu não quero que você me deixe em paz, isso nem existe quando você está longe, Hanni.
— Então, qual é o problema?
E de fato, Presley teve tempo suficiente para pensar em como diria aquilo e chegou à conclusão de que não existia forma melhor, ou pior; a forma era uma só:
— Eu... estou grávida.
E Hanni sentiu o seu coração descendo pela garganta, enquanto olhava nos olhos dela.


E foi assim, na tora?! Aí meu Deus! E a ansiedade e agonia continua em modo acelerado... 🫣
Gente, mas como assim coração descendo pela garganta? Isso é ruim ne?
Meeeeeu deus, Tessa. Que tal liberar o próximo no dia 27? É meu aniversário…
Adianta esse cap aí, pelo amor de Deus
Gente do Céu, Tessa ta malvadando conosco. O meu coração é que esta descendo pela garganta. Nossa senhora........😐