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Acróstico 29

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Tonight And Always


Hanni dirigiu de volta para casa cantando, a mesma música de antes, com Presley totalmente agarrada no seu braço, a cabeça em seu ombro, não querendo soltá-la nem um pouquinho. Nem Hanni queria ser solta. Estava chovendo de leve, gotículas tão finas que não atrapalhavam a visão, e achava que seguia cantando a mesma música, porque de alguma maneira, ela traduzia parte do que estava em relutância por dentro de si.


I'm seeing the pain, seeing the pleasure… Nobody but you, 'body but me, 'body but us, bodies together…Estou vendo a dor, vendo o prazer… ninguém além de você, ninguém além de mim, ninguém além de nós, nossos corpos juntos... Cheirou os cabelos dela, sentindo-a muito agarrada em si.

 I'd love to hold you close, tonight and always… — Presley sussurrou de volta, de olhos fechados. Eu adoraria te abraçar forte, esta noite e sempre...

I'd love to wake up next to you… — Hanni sorriu. Eu adoraria acordar ao seu lado…


Naquele momento, não existia nada que Hanni adorasse mais em sua vida.


Chegaram e a chuva tinha aumentado; desceram se protegendo com os casacos, cuidando para proteger Aika, que dormia. Quando entraram em casa:


— Você faz um café para nós duas? — Hanni perguntou — Vou colocar o bebê na cama.

— Faço. Troca de roupa, tá? Não fica molhada, você me protegeu e se molhou inteira.


Hanni sorriu, havia protegido. Subiu, colocou Aika na cama, trouxe a Senhorita Bubu para perto dela, e a observou por um tempinho. Teriam sido descuidadas? Será que Hanni havia sido descuidada com os seus sentimentos?


E isso queria dizer muita coisa. Saiu do quarto, parou no alto da escada.


Babe?

— Oi, honi.

— Sobe aqui, por favor.


Presley desligou a água que havia colocado para ferver e subiu; o tom na voz dela estava indecifrável.


— O que foi, meu amor?


Hanni a olhou, a garganta pulsando de algo. Era medo e amor. Abraçou Presley pela cintura, apertando-a nos braços firmemente, afundando o nariz pelo pescoço dela, tentando conter um turbilhão de sentimentos que apenas queriam sair.


— Vem pro banho comigo?


Presley abriu um sorriso.


— Me pega, me leva com você.


Hanni a pegou e a carregou para o banho, beijando-a longamente, deixando suas roupas pelo caminho e as roupas dela também. Ligou o chuveiro, quente como a noite fria pedia, e entraram juntas. Aos beijos, um corpo grudando contra o outro imediatamente, a excitação que era absurdamente delas, porque se Hanni estava por perto, Presley estava louca por ela e isso era reflexivo, era bilateral. Até aquele momento, Hanni nunca havia conseguido encontrar motivo para o box do seu banheiro ser tão grande. Era enorme, todo cinza, com um chuveiro quadrado centralizado. Descobriu que ele só era grande assim para poder fazer amor com Presley embaixo dele.


Hanni a deitou no chão e a pegou assim, sob o seu corpo, aprofundando os seus dedos dentro dela, sentindo as unhas de Presley arranhando suas costas, a boca deixando marcas no seu pescoço. Aquelas pernas firmes enlaçadas na cintura de Hanni, puxando o seu corpo ainda mais para dentro dela.


— Mais forte, babe — Presley pediu, engolindo a sua orelha.


E Hanni entrou mais forte nela, o banheiro à meia-luz, a água caindo, suas coxas pressionando as coxas dela, os beijos que não paravam e os gemidos na boca uma da outra. Os quadris investindo, exigindo contato em mania, e Hanni só sabia onde tocar, só sabia aonde ir, que profundidade entrar, como fazer. Quando Presley gozou, enchendo a acústica daquele banheiro com os seus gemidos, só sabia que não tinham terminado ainda.


— Vem aqui, vem — Presley sentou sobre os joelhos e pegou Hanni no seu colo.


Porque queria estar dentro dela, porque queria Hanni grudada no seu corpo, gemendo nos seus dedos, sentando em vício, sem conseguir parar, enquanto beijava a sua boca e gemia dizendo o quanto era louca por ela. Seria igual? Será que continuariam iguais? Era difícil, quando nem Presley conseguia dizer se continuaria a mesma ou não.


Hanni gozou contra os seus dedos, muito forte, se agarrando por Presley inteira, enchendo a acústica do banheiro de gemidos, incomodando os vizinhos, ou deixando todo mundo com tesão, jamais saberiam. Saíram do banho agarradas, sorrindo demais, vestiram-se, Hanni toda de preto, Presley de branco, ambas de moletom. Hanni disse que ia descer para fazer o café delas, Presley podia secar o cabelo; ela não podia ficar doente.


Como não estaria totalmente rendida por ela?


Quando Presley desceu, já de cabelos secos, encontrou duas xícaras caprichadas de café sendo finalizadas com creme, do jeito que gostava. A chuva seguia caindo lá fora, e Hanni de cabelos molhados sempre seria a coisa mais sexy da vida.


Presley encostou inteira nela por trás, só para não perder o costume.


— Sofá?

Sofá, meu amor — Em português.


Foram para o sofá, provando do café que estava delicioso, sentindo a atmosfera acolhedora que a casa de Hanni tinha. Presley se sentia protegida ali dentro e cercada de coisas maravilhosas para lembrar. Houve um silêncio, e então, Hanni começou a falar.


— Você já sabe o tempo...?

— Sei exatamente o tempo que é. Foi... seis dias depois da primeira vez que a gente ficou, você e eu.


Hanni pensou um pouco.


— Um mês e meio.

— Mais ou menos isso. Ainda não fiz um exame mais apurado; o que fiz, deu menos tempo, mas sei bem quanto tempo é, porque só foi uma vez em, sei lá, três meses.

— Você ainda não foi a um médico?

— Eu… não tive cabeça para isso. E nem queria… fazer isso sozinha. Provavelmente irei com a Nana, então...


Hanni abriu um sorriso. Estavam sentadas frente a frente no sofá, Hanni com as pernas cruzadas em borboleta, Presley abraçando os joelhos contra o estômago.


— Não queria me expor…?

— Hanni, você sabe que...

— Não tenho como me isentar totalmente, um mês e pouquinho? Você estava na minha cama, Presley, quase todo dia — Respondeu sorrindo, queria deixar aquela conversa leve, chegava de drama, não queria mais ver sua Presley chorando de jeito nenhum — Leo não pode sair por aí dizendo que o bebê é só dele. Aliás, como ele reagiu?


Presley tomou um gole do seu café, cruzou os olhos de Hanni.


— Eu não sei, eu... ele foi expulso também.

— Ah, não, ele também…?

— Perguntou se era dele, fiquei louca com isso, eu... acho que posso colocar na conta dos hormônios...?

— Pode, ninguém vai te julgar por isso, não. Posso só perguntar se você estava cuidando disso...? — Perguntou com todo o cuidado do mundo, e Presley quase riu, devia estar traumatizada a sua coreana-brasileira.

— Leo e eu não tínhamos uma vida sexual necessariamente ativa, Hanni. Eu não tomava anticoncepcionais porque não precisava mesmo, e acho que nós não usamos preservativo essa última vez — Daí, pensou um pouco — Pode ser que a gente tenha usado e falhado, a pergunta infeliz dele pode ter sido por isso também, eu não o deixei falar de qualquer forma, enfim.

— Hum, pode explicar melhor essa parte? Você parece não ter certeza.

— Eu havia acabado de acordar, estava tendo um sonho... — Olhou nos olhos dela e ficou tímida — Não sei exatamente como aconteceu, porque não queria ver demais, preferia continuar dentro da minha cabeça — Respirou fundo — Sabe o que é injusto? Quando a Aika nasceu, três meses depois, tentamos ter outro bebê. Queríamos que não houvesse diferença de idade entre eles, assim como é com o Leo e a Aliana. A diferença é mínima, mas... não veio. Só não aconteceu. E agora que...


Hanni colocou dois dedos sobre os lábios dela, delicadamente a silenciando.


— Não diga, eu não quero que ele ouça. Você é uma mãe maravilhosa para a Aika; será uma mãe maravilhosa para este aqui também. Ele veio quando tinha que vir. Já imaginou como seria cuidar de dois bebês, com o que aconteceu com a Aika depois? Ele veio no momento certo, Pres.


Presley respirou fundo, beijou a mão dela e tomou outro gole do seu café.


— Eu... estou com medo, Hanni. Já estava assustada antes, agora, os medos dobraram de tamanho. Os possíveis problemas aumentaram de maneira assustadora; nem sei se daria conta só de mim e da Aika, e agora, tem mais uma criança. Eu não vou voltar atrás no divórcio, mas também, só me casei porque estava apavorada de ter que enfrentar uma gravidez sozinha. Eu não estava apaixonada, não estava amando, só... — Os olhos se encheram — Estava apavorada de ter que fazer algo assim sozinha.

— Bem, você não está sozinha agora; estou aqui com você. Eu não vou te deixar, Pres.


Os olhos de Presley se iluminaram.


— Mesmo?

— Não vou. Eu te confrontei duas vezes só hoje, te trouxe pra casa, a gente acabou de fazer amor, você acha que vou te deixar? Eu não vou. A minha cabeça está muito agitada, estou com alguns medos, sei que não consigo verbalizar para você agora, mas sei também que não vou deixar você, eu... nem consigo. Porém... nós não estamos... em uma relação clara ainda. Você ainda está se separando. Mas estamos comprometidas uma com a outra, isso muito claramente. Quanto tempo você acha até o seu divórcio sair?

— Acho que… em dois ou três meses, no máximo.

— E você tem certeza de que…?

— Não vou voltar atrás, Hanni. Eu só queria... continuar os planos que me acalmaram, lembra? Quando estava muito nervosa com tudo, nós duas fizemos planos.

— Que irão continuar, não acho que temos que interromper nada. Você queria voltar a estudar, não queria?

— Mas como, Hanni? Fiz as contas e...

— Não se preocupa com essa conta, acho que você consegue um auxílio da embaixada, desde que o curso se aplique ao negócio. Eu li sobre isso, ia te falar, então se você decidir por estudar Direito mesmo, há como.

— Mas... em qual momento?

— No momento em que eu estiver com a Aika e você em casa, pega o curso a distância, Pres. Você é extremamente inteligente; não vai precisar de mais de uma hora por dia para estudar, talvez até menos. A gente pode ver o que a embaixada tem a oferecer. É essa carreira que você quer mesmo?

— É essa, tenho certeza.

— Então, vamos investir nela. A gente consegue uma hora por dia. O que mais te preocupa?

— Hanni... — Estava um pouco desconfortável.

— Sou sua amiga, lembra disso. Fale comigo como se estivesse falando com a Lia.


Presley deu uma olhadinha para ela, bebericando um pouco mais de sua xícara.


— É que a minha amizade contigo é meio diferente da minha amizade com a Lia.

— Para a SORTE dela e para a sua sorte! Presley, se eu souber que você ficou chorando no colo da Aliana na minha ausência...


Presley riu alto. Em seguida, deixou a xícara de café de lado e a beijou porque, só Hanni para fazê-la rir num momento daqueles. Daí, se grudou nela um pouquinho.


Honi, escuta: estou com medo porque a minha renda deve cair uns setenta por cento durante o período de licença maternidade. Não sei se vou conseguir juntar dinheiro suficiente para ficar tranquila até esse bebê nascer.

— Só um minuto — Hanni levantou, subiu até o quarto correndo e voltou com o seu celular. Abriu um documento e mostrou para Presley.


Presley deu uma olhadinha geral, seus olhos pegaram os dados principais e começou a rir.


Babe, está em francês.

— São só os números que interessam, eu também não sei ler em francês, mas é o meu contrato com a YSL Beauty. E nós temos o contrato da Diesel e da Billabong, e se ainda assim estiver ruim, a Diesel quer você. Era sobre isso que queria que a gente conversasse e acabou não dando tempo.


Presley estava rindo sem conseguir parar.


— Espera, me deixa ver esses números de novo — Olhou novamente, eram belíssimos números de fato — Em dólares?

Em euros. Estarei na Ásia, na Europa, na Oceania. Nem teremos que vender os casacos da Chanel para quitar a casa.

— Você quer quitar a casa?

— Claro que sim! Isso vai melhorar o meu currículo. Você ouviu? A Diesel quer você, na loja daqui.

— Me quer...?

— Para uma campanha. Querem nós duas, na verdade, para as fotos de catálogo e fotos de propaganda também. Se você estiver interessada, o meu agente pode adiantar as negociações.

Uh...

— Não sei se a embaixada teria alguma ressalva a fazer. Eu disse que iria conversar tudo isso com você e dar uma resposta até amanhã. E lembra? A Oakley quer a Aika, isso também é uma janela de oportunidade prestes a se fechar.

Sim.

— O quê?

— Para a Oakley e para a Diesel, a Aika quer modelar, posso fazer isso também. Você me ajuda?


O rosto de Hanni se iluminou.


— Claro, claro que sim! Acha que não terá problemas na embaixada?

— Quem faz fotos de lingerie é só você, se eu ficar longe das lingeries, acho que não é um problema, não — Respondeu sorrindo.

— Falando nisso, tenho ensaio amanhã, de biquíni.

— Toda marcada do jeito que eu te deixei...? Honi, você tem que me avisar dessas coisas — Disse, a fazendo rir demais.

— Não é um problema.

— Se nem um bebê é um problema, imagine algumas marcas.


Hanni tocou aquele rosto que adorava.


— Você lembra do que te disse? Tudo o que quero é que você seja feliz. E quero estar com você. Isso não vai mudar nunca. O fato da nossa relação não se mover agora é só porque... — Hanni respirou fundo, ela não era boa de falar, não era mesmo, mas era Presley na sua frente, sempre faria um esforço extra por ela — Sei que teria que começar a conviver com o Leo em algum momento. Estou na vida da Aika; ele é o pai dela, foi algo que, inclusive, ele mesmo me disse, naquele dia em que me convidou para jantar com vocês.

— Parece que se passou uma vida desde aquele dia até aqui, não parece?

— Parece e passou mesmo — Hanni disse, tocando o abdômen dela por um instante. Este gesto fez Presley colocar sua caneca de lado e ir para o colo dela, enroscando os braços pelo pescoço de Hanni, respirando muito fundo, ficando extremamente apegada. Hanni a abraçou densamente, querendo se fundir nela de tão apertado. O nariz enterrado em seu pescoço, os braços a mantendo tão em si.

— Fala, fala o que você precisa — Presley pediu, totalmente agarrada nela.

— Eu não sei como vai ser essa parte. Não sei como será ver o Leo do seu lado, fazendo... as coisas que os pais fazem juntos durante uma gravidez. Então, você entende que, antes de sabermos exatamente como tudo isso será, nós não podemos...?

— Evoluir na relação, eu sei — E o choro apenas escapou de Presley.

Babe, por favor, não chore assim — Hanni pediu, tocando os cabelos dela, a mantendo sob o seu abraço.

— Estou com medo de perder você.

— Já disse que vou estar do seu lado, não disse? Você não sente que será bem assim?

— Sei que você vai estar do meu lado, estou falando de perder você para outra mulher, uma bem menos complicada do que eu.


E Hanni abriu aquele sorriso lindo, os olhos dois risquinhos.


— Que tipo de monstro você acha que sou? Sou incapaz de sair caçando mulher por aí com a minha esposa grávida em casa, Presley Park.


Presley riu, a beliscando um pouquinho, o que a fez rir também. Então, olhou nos olhos que adorava:


— Eu não quero pesar na sua vida, Manu.

— Eu quero estar com você, não é um peso pra mim.


Mais olhos nos olhos.


— E por que estou vendo um conflito nos seus olhos...?


Hanni respirou muito fundo. Ela a conhecia tão bem.


— Você sabe que passei parte da minha adolescência na Europa e quando fiz 21 anos, estava na Espanha, onde conheci alguém, Pres.

América.

— Isso, ela. Eu nunca tinha namorado antes e não foi... uma coisa tranquila. Eu fui... muito infantil com ela em vários momentos e...

— Você tinha 21 anos, babe, é óbvio que foi infantil em algum momento. Continua, honi.


Hanni sorriu fraco e se apertou em Presley um pouco mais.


— Eu fui uma pessoa muito ruim com ela, Pres.

— O que você quer dizer por ter sido ruim com ela?

— Quero dizer que... não atendi as expectativas dela. Eu tenho medo disso. Medo de... — Respirou fundo — Não atender novamente.

— Hanni, as expectativas eram dela, não suas. O que a América esperava é responsabilidade dela, você não tem nada a ver com isso. Você mentia?

— Não. Eu sempre disse a verdade.

— Você mente pra mim?

— Não, claro que não.

— Então, a única coisa que espero aqui é de mim mesma: eu não quero perder você no meio disso tudo, como minha mulher, não como minha amiga. A amiga sei que não perderei nunca mais, mas não quero que a gente perca de vista a nossa oportunidade, entende?

— Entendo. É claro que entendo, eu não quero perder você assim também.

— Ainda assim, eu estou com medo — Presley disse e quebrou chorando mais uma vez.

— Não, não, eu não quero que você chore mais, pensa no... contrato em euros da YSL, babe — Disse, a fazendo rir no meio do choro, e os olhos de Hanni pegaram uma coisinha no alto da escada — Presley...


Não deu tempo de verbalizar; quando Presley se virou, passinhos rápidos já estavam descendo as escadas e terminaram saltando no seu colo.


— Ei, meu amor, ei — Pegou sua menina, a apertando firme nos braços, e Hanni ligou a TV para terem uma luz, para que Aika pudesse vê-las, deixou no mute — O que aconteceu?


“Por que você está chorando? Hanni voltou, ainda chorando." Ela sinalizou, fazendo Presley rir no meio de suas lágrimas.


— Esse não é o único motivo pelo qual eu ando chorando, filha.

— Ela chorou muito enquanto eu estava fora, Aika? — Hanni perguntou, fazendo um carinho nela.


“Muito! Todo dia choro.”


— Mas não era só por isso, não — Presley olhou naqueles olhinhos lindos, que tanto amava — Filha, nós... Nós vamos ter outro bebê aqui.


Ela olhou para Presley, olhou para Hanni, um tanto confusa. Pareceu pensar seriamente sobre algo, como que juntando algumas peças na mente.


Onde ele está?”


— O bebê...?


“Aqui?” Tocou a barriga de Presley e, em seguida, a de Hanni. “Aqui?”


E aquilo fez as duas rirem.


— Como ela pode ser tão pequena e tão inteligente? — Hanni não aguentava com aquela criança.

— Eu não faço ideia. Aqui, filhinha, o bebê está aqui — Presley colocou as mãozinhas dela no seu abdômen.


Ela olhou para as mãozinhas, olhou para as duas novamente.


É ruim?


— O bebê?


“O bebê, é ruim? Você chorando muito.”


E aquela pergunta pegou Presley muito desprevenida. Olhou para Hanni, como que pedindo ajuda para responder. Não queria que Aika pensasse que o bebê era algo ruim, ele não era, era o momento que era, não o bebê. E Hanni tomou a frente para responder para Aika, falando em coreano e, surpreendentemente, sinalizando:


— A mamãe estava mesmo chorando por minha causa, muita saudade de mim — Disse, fazendo Aika e Presley rirem — Você não chorou de saudade, não?


Ela riu, aquele sorriso que era a coisa mais linda da vida.


“Só duas vezes.”


— Só duas vezes? Chorei de saudade de vocês todos os dias! — Seguia sorrindo e sinalizando — Mas agora voltei e não vamos mais chorar por causa disso. Você não acha que vai ser muito bom ter outro bebê? Para brincar com você?


E ela ficou animada de repente, como quem pensa em algo novo.


“Outra menina! Como a Pipe!”


— Pode ser outra menina, ou um menino. Como digo...? — Perguntou para Presley.

Menina — Sinalizou, já com os olhos cheios, emocionada pelo que estava vendo — Menino.

— Pode ser outra menina, ou um menino — Sinalizou para Aika — Nós vamos poder levar, ele ou ela, para o jiu-jitsu, para jogar futebol, para... babe, dançar, como é?

Dançar — Presley sinalizou, quase lagrimando.

— Para dançar. E acampar na praia, para... ficar com você quando o papai ficar chato, ou eu ficar chata.


“Você nunca chata.”


— Nunca? Nunca mesmo?


“Quase nunca.” O quase fez as duas rirem.


— Não há nada triste sobre o bebê, Aika. Lembra do que te disse mais cedo?


Ela pensou um pouquinho. “Você sempre comigo.”


Presley lagrimou.


— Sempre. Vamos ter um bebê — Disse, agora olhando nos olhos de Presley, um rio de sentimentos correndo de um olhar para o outro — E será bom.


Presley perdeu mais algumas lágrimas porque...


— Você está sinalizando mesmo?

— Eu estou... fazendo aulas particulares.


Presley a puxou pela nuca e a beijou, longamente, cheia de todos os bons sentimentos possíveis a se ter por alguém no mundo.


— Eu não esperava isso. E esperava. Porque é você — Tocou a sua testa na dela, respirando profundamente, então, se recompondo um pouquinho, se voltou para Aika — Filhinha, nós vamos ter um bebê. E será bom.


Ela ficou animada, bateu palminhas, ficou feliz. Presley também ficou. Hanni também. Não dormiram as três juntas, porque Aika disse que preferia dormir sozinha na cama dela, o que fez as duas darem risadas demais e quando elas foram para o quarto juntas...


Deitaram-se, frente a frente, olhos dentro dos olhos.


— Eu não acredito que você está fazendo aulas de NZSL. Por que não me contou?

— Eu não sei — Respondeu, sorrindo demais — Fiquei tímida por algum motivo. Vira pra lá, vamos — Pediu, os olhos brilhando demais. Presley apenas virou, sentindo os braços dela ao seu redor imediatamente, o nariz dela em seus cabelos, a boca grudando em sua nuca, e...


Não, nada era melhor do que aquilo, nenhuma coisa, nenhuma mesmo.


— Eu amo quando você me abraça assim.

— E eu amo grudar em você assim. Tonight and always.


Esta noite e sempre.


Acordaram muito cedo e correndo demais. Hanni tinha ensaio para a Billabong; seu agente estaria lá, e decidiram que Presley poderia aproveitar para conversar com ele enquanto Hanni fotografava. As duas gostavam de movimento, se sentiam bem assim. Tinham um problema? Tinham, mas estar em movimento ajudava a dissipar o medo. Estarem juntas também. Então, lá foram juntas para a Queen Street, o face card couple e a face cardizinha ainda meio dormindo e meio acordada. Hanni ficou com pena, não quis enfiá-la num banho, disse que dariam banho nela depois, em algum outro lugar.


Chegaram em cima da hora; Hanni partiu direto para a maquiagem e ficou com Aika, dormindo no sofá do camarim, enquanto Presley foi conversar com o agente, que já a conhecia. Saiu da reunião com um composite marcado e o aval para datar o ensaio com a Diesel. Não tocou no assunto gravidez, mas deixou claro que quanto mais rápido fosse, melhor seria para ela; ele pareceu entender a pressa. Então, voltou para o estúdio, onde Hanni já estava no momento das fotos de biquíni. Hanni havia feito fotos antes com roupa de praia, moletons, shorts esportivos, e agora estava nos biquínis; ainda chegaria à parte dos long johns. Resgatou sua filha ainda adormecida do sofá e teve uma segunda reunião, agora sobre outra modelo, uma tal de Aika Park. O agente ao seu lado, um representante da Billabong.


— Nós realmente gostamos desse family look e agosto está chegando. Pensamos que pode ser uma boa ideia usar esse visual para uma campanha de saída de estação. Podemos começar pareando com a Hanni e depois, sozinha, para as fotos de catálogo do site.


Uh, ok. Podemos só esperar pela Hanni para esses outros detalhes?

— Claro que sim.


Ela fez fotos com o long john e finalmente, a criança acordou. Atenta, com fome, tinha leite, pãozinho? Uh, Hanni estava fotografando! E aqueles olhinhos brilhavam só de vê-la fotografar. Hanni notou aquela ansiedade naqueles olhos; claro que notou.


— Só um minuto — Ela pediu para o fotógrafo — Pode vir aqui, Taz-mania.


Presley a soltou, e ela correu para Hanni, subindo no colo dela, sinalizando e sinalizando.


— Hum, sua mãe vai conseguir para você — E a produtora se aproximou, porque Aika era irresistível assim.

— Ela precisa de alguma coisa, Manu?

— Ela está com fome, mas acho que trouxemos algo na mochila.

— Não, tem o brunch na outra sala. Onde está a outra mãe? Levo as duas lá.


A outra mãe. Hanni achava que podia se acostumar com aquilo.


Aika comeu na sala das modelos, Hanni terminou seu ensaio, conversaram um pouco mais sobre os próximos passos. Sua menina precisava de um composite, e podiam correr para selar o contrato nos próximos dias. Tudo em ordem. Saíram perto das dez, estavam no centro e decidiram usar o banheiro da academia. O coração de Presley apertou um pouquinho ao entrar ali.


— Acha que não posso mais fazer aulas?

— Pode, claro que pode, mas só comigo — Hanni respondeu sorrindo, as duas levando Aika pela mão — Eu vou tomar todo cuidado do mundo. Honi, veja a faculdade hoje.

— Vou ver, sim, inclusive, a bolsa na embaixada. Acha que dá tempo de a gente almoçar em casa?

— Não, não, nós vamos almoçar fora, preciso chegar um pouco antes na escola da Aika. Lembra dessa reunião?

— Você acha que vão propor...?

— Algumas aulas, acho que vai ser isso.

— E você vai aceitar?

— Claro que sim, precisamos de contratos, babe — Respondeu, fazendo Presley rir demais — Posso marcar com a Nana para você?

— Você vai comigo?

— Pres...

— Leo pode ir na próxima, nessa quero ir com você.


Hanni era incapaz de não dar o que ela queria.


Tomaram banho no vestiário. Presley se arrumou para a embaixada, toda de preto: calça de alfaiataria, blusa manga longa, gola alta, casaco por cima, saltos. Hanni toda esportiva: jeans, blusa manga longa, mas deixando ver uma nesguinha do abdômen; Presley não resistia. Colocou a mão, deixou um beijinho na boca dela.


— Estou bonita? — Hanni perguntou.

Todo dia — beijou o pescoço dela — Vai assim naquela escola cheia de mães? Você nem tem vergonha, Park Manu!


Ela riu alto.


— Escolhe a jaqueta.

— A Tom Ford, fechada de preferência.


Manu não aguentava com ela. Arrumaram Aika, a coisa mais linda, e foram almoçar na Sky Tower, porque a criança adorava, porque a comida era maravilhosa e Hanni queria mimar sua garota um pouquinho. Aika e Presley haviam tido dias difíceis na sua ausência; Hanni queria compensar. Estavam rindo, conversando enquanto decidiam pelo pedido, quando uma voz familiar soou atrás de Hanni:


— Então, tudo resolvido ou terei que assumir a criança?


Presley começou a rir nervosamente, e Hanni abriu um sorrisinho... diferenciado.


— Lia, pelo amor de Deus...! — Foi o que saiu da boca de Presley.

— Aliana, você não tem o mínimo de responsabilidade afetiva, não é? — Hanni perguntou para ela, sorrindo.

— Responsabilidade afetiva...?

Com você mesma. Se você soubesse o tanto de variações de jiu-jitsu que tenho em mente que podem fazer você perder a consciência.

— Hanni! — Agora ela estava rindo, com medinho, mas rindo.

— Pode cuidar de fazer você mesma o seu face cardizinho naquela sua neozelandesa, esses daqui estão todos assumidos.

— A mãe também? — Aliana sentou-se à mesa com elas.

— Aliana...

— Estou brincando, é só brincadeira! Mas me falem, estão bem?


Hanni e Presley trocaram um olhar.


Nada muda — Hanni respondeu.


Mas tudo havia mudado, ao mesmo tempo que nada estava diferente.


Que sentimento estranho de se ter no coração.


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3 comentários


Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
04 de fev. de 2024

" Mas tudo havia mudado, ao mesmo tempo que nada estava diferente"... o amor é assim! que capitulo lindo! amei 😍

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Rodrigo Mesquita
Rodrigo Mesquita
03 de fev. de 2024

A gente tava precisando de um capítulo refrescante... ainda mais depois da tensão que havia sido os anteriores, meu Deeeeeeeus! Ver Hanni, Pres e Aika animadas com o novo bebê Park, e as duas primeiras encontrando soluções para os problemas que poderiam surgir deu aquele quentinho no coração... e agora vai ter a Manu segurando a mão da esposa na ultrassonografia, aposto que será uma daquelas cenas bem emocionantes! ❤️ Pela primeira vez em muito tempo... não ficarei ansioso pelo próximo capítulo, não com essa paz que tô sentindo!

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sylber1011
sylber1011
03 de fev. de 2024

❤️

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