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Acróstico 45

Atualizado: 26 de jun. de 2025


Acróstico


Slow Motion


Se havia algo que as Park gostavam de fazer, era uma boa festa!


Sim, eram duas garotas festeiras, namorando no final das contas, e elas haviam planejado uma festa pós-campeonato. Na verdade, um churrasco pós-campeonato. Os churrascos na casa de Hanni já eram famosos. Então, lá estavam, já no finalzinho da tarde, alguns alunos da academia, Bogum e Sabina, as crianças, alguns amigos de Hanni... Ela tinha tantos amigos. E chegava a ser engraçado, Kaori e Hanni caminhando por aquela festa cheias de hematomas inesperados pela cara. Hanni, literalmente, tinha uma faixa atravessando seu rosto de um lado a outro, e após ver a tal queimadura na cara, só podia torcer para que desaparecesse antes de Paris. Tinha ensaios marcados com a YSL para os próximos dias.


E teria que ficar sem elas por uma semana; doía em antecipado.


Sua Presley estava pelo jardim, recebendo as pessoas, cuidando de sua pequena campeã. Aika corria com sua medalha dourada de um lado a outro, feliz da vida. Presley estava tão grávida, tão linda, Hanni nem sabia. Mas tinha algo a incomodando, e Kaori conhecia sua amiga o suficiente para perceber à distância.


— O que está acontecendo, Manu?

— Não é nada, é... — Olhou para Presley de novo, o coração dando uma apertada enorme no peito.

— O quê? Fala pra mim.


Os olhos em Presley, no sorriso lindo aberto enquanto ela recepcionava mais um casal de amigos.


— Vem, vem pegar o pão de alho comigo.


Foram para dentro, pegar os pães que Presley já tinha deixado prontos para assar, mas Hanni seguiu em silêncio, pegando os pães, separando coisas, altamente acelerada.


— Manu, Manu: — Kaori a segurou delicadamente, a fazendo parar — O que está acontecendo?


Então, ela parou, respirando fundo por um instante. Ok, pegou seu celular e mostrou suas últimas chamadas perdidas. Eram 135 desde a sua última postagem com Aika e Presley no Instagram.


— Esse código de área...?

— É de Madrid — Soltou o ar, respirando profundamente outra vez.

— Isso... começou quando?

— Hoje de manhã recebi uma ligação de lá, desconfiei e não atendi. Mas foram todas essas agora à tarde. Eu... não sei exatamente o que fazer e quero fazer alguma coisa, estou com uma agenda de viagens apertada para os próximos meses, Tay, a Presley está grávida, eu só... — Apertou os olhos, apertou a mão na própria nuca, fez uma careta.

— Ei, calma, tranquila, está tudo bem — Kaori a abraçou com carinho, ela estava claramente ansiosa e não era para menos. Também estaria se tivesse uma maluca lhe ligando tantas vezes num espaço de tempo tão curto.

— Você pode ficar com elas? Você e a Lia? Nós vamos terminar a reforma essa semana, teremos um quarto extra.

— Claro que ficamos. A questão é a Presley deixar a gente ficar aqui assim, do nada. Mas, Manu, aqui é muito seguro, ninguém entra sem autorização e se entrar, quão louca você acha que essa América é?

— Não louca a ponto de machucar a Presley fisicamente, eu acho, não posso dizer com toda certeza também. Mas ela pode perturbar, pode... mentir. A verdade é que depois do acidente, eu não faço ideia do que ela é realmente capaz. Mas de certeza sei que ela pode estressar, eu já estou estressada, levei maior amasso no tatame porque não estava concentrada. Se isso não parar, estou pensando em atender e falar com ela.


Aquilo pegou Kaori de muita surpresa.


— Tipo... só atender e falar com ela?

— Sim. Tay, acho que meu maior medo antes era ela retornar e me machucar. Agora, o meu maior medo é que ela se aproxime da Presley. Eu não vou permitir que isso aconteça. Se ela continuar, vou atender e resolver essa situação de vez. Essa mulher não pode mais me machucar, mesmo.


Kaori a olhava.


— A Hanni de antes estaria se escondendo, querendo trocar de número, talvez até trocar de país. Mas essa de agora... — Outro sorriso — Essa de agora é uma mãe de família mesmo.


Manu abriu um sorriso.


— Tay, acha que devo falar sobre isso com a Presley?

— Não só acho, como deve. Você é uma mãe de família, Hanni, mas funciona muito melhor com a Presley te dizendo o que fazer. Até eu, funciono melhor com ela me dizendo as coisas, imagina você. Ela é esse tipo de pessoa que sempre sabe o que fazer, que resolve problemas. É natural para ela. Conversa, não esconde nada. É sempre melhor assim.


Não esconder nada, aquilo era realmente novo para Hanni. E não deixar América lhe afetar, também.


Voltou para o seu churrasco, curtiu a mini festa no seu jardim, brincou com suas crianças, babou em sua noiva porque realmente não conseguia controlar o quanto a achava linda cada vez que olhava para ela. E era maravilhoso ter seus pais por perto; estava realmente com muita saudade deles, e a convivência com os pais de Presley foi muito melhor do que as duas poderiam imaginar. Os pais se deram bem, as mães já estavam melhores amigas; a mãe de Presley ainda estava um tanto perdida em ver a única filha com outra mulher. Mas a outra mulher era Hanni e isso ajudava demais. Manu pôde ouvi-las falando disso durante o churrasco, sua mãe contando como as coisas haviam sido difíceis no começo.


— Ela era muito nova, se envolveu com a pessoa errada, uma mulher mais velha, que não permitia que a nossa Hanni fizesse as coisas da maneira que ela gostaria — Seori explicava, enquanto as duas jantavam lado a lado. Agora a noite já tinha caído, a música seguia tocando, a comida estava deliciosa — Tenho pensado, ela tinha 21 nesta época, Presley tinha 20; as duas na faculdade, vivendo coisas parecidas. Se fosse a Presley, tudo teria sido muito diferente.

— Fico muito feliz que você veja as coisas desta forma, porque, com o tempo passando, tenho ficado cada vez mais aliviada que tudo tenha sido com a Hanni. Ela... tirou a minha filha de um lugar muito fundo, muito sem expectativas. Mostrou a ela coisas novas e contou a forma bonita que a enxergava. Hanni viu uma Presley que nem eu estava conseguindo ver, mas sua filha viu, e Presley emergiu disso de maneira surpreendente. Eu ainda não sei como falar sobre isso para outras pessoas, é uma explicação complexa de se dar, mas vê-las juntas parece... natural.

— Não apresse a explicar as coisas. Elas vão se casar, essa é a explicação mais curta. Se apaixonaram, se casaram, são uma família. Como tudo começou? Nem lembramos, estão juntas e felizes agora, é o que importa.


E Hanni precisava manter as duas da melhor maneira possível.


Conversou com Presley depois que todos foram embora e Aika já estava limpinha e dormindo profundamente, com sua medalha agarrada nela feito um bichinho de pelúcia. Então, Hanni contou das ligações e que estava ansiosa por ter que ir viajar e deixar Presley sozinha.


Honi, é o seu trabalho, é claro que você vai viajar sim — Presley dizia, enquanto faziam um chá para as duas.

— Mas, e se algo acontecer?

— Se algo acontecer? Não sei se você notou, mas uma vizinha super gostosa e praticante de artes marciais se mudou pra casa quase na frente da nossa — Disse, sabendo que ela ia rir.

— Alexia, sim.

— Estou cercada de pessoas que podem me ajudar, babe. Sasha está do nosso lado, Alexia estará aqui a partir da próxima semana, Kaori está há minutos de chegar se precisarmos e o Leo também está. Se eu precisar de algo, tenho a quem recorrer, mas se for só a sua ex batendo na minha porta tentando chegar perto da minha esposa... dou conta dela sozinha. Pode deixar.

— Mas, babe... — Hanni não aguentava com sua pentauro-do-açúcar grávida, faixa branca de jiu-jitsu, de 1,60 de altura e sem medo de nada.

— Ela pode vir, meu amor. Agora, vem cá — A puxou pela cintura, beijando o pescoço dela, a enchendo de carinhos — Machucaram você, honi. Você prometeu que não ia apanhar, eu fiquei tão nervosa.

— Você gritou comigo!

— Claro! Você estava apanhando e prometeu que não ia apanhar — Disse, fazendo Hanni rir demais.

— Pres, que horas vamos para o hospital amanhã?

— Você está ansiosa, não é?


Ela sorriu, os olhos brilhando demais.


— Quero descobrir se é um menino! Ou se é outra menina. Leo vai conseguir ir?

— Não, ele já disse que amanhã é só você que vai comigo.

— Você pediu?

— Não, porque era a vez dele, mas ele quer que você vá, vai estar em alguma reunião importante, não sei. Só sei que adorei ser você quem vai comigo.


Hanni olhava nos olhos dela e fez um carinho em sua noiva.


— Eu ainda não acredito que chegamos até aqui tão rápido. E que vamos nos casar em breve — Disse, derretendo só de pensar nisso, cheirando os cabelos dela, sentindo aqueles lábios correndo pelo seu pescoço. Não existia sensação melhor.

— Nós vamos — Presley não parava de sorrir — Lembra que você me disse uma vez? Nós duas, somos um poema acróstico, honi — Disse, o rosto grudado no peito dela, toda agarrada em sua noiva — Nós sempre iremos fazer mais sentido de trás pra frente, ou de ponta-cabeça.


Era uma enorme verdade.


No dia seguinte, muito cedinho, já estavam a caminho do hospital. Dirigiram com Aika ainda dormindo na cadeirinha, com o sol ainda subindo, ouvindo uma música gostosa. Presley no banco do passageiro, saia longa, solta, cropped deixando ver a barriga, casaco de sua namorada por cima, largo e confortável. As pernas estavam confortáveis pelo banco, e a mão fazia carinho em sua Hanni, linda de moletom azul-clarinho, camiseta branca oversize, boné sobre os cabelos soltos. Algo interessante havia acontecido naqueles meses: Hanni estava dirigindo cada vez melhor, e Presley achava que era porque ela estava mais relaxada, que era porque pensava cada vez menos no seu acidente e porque tinha voltado para a terapia, ao menos uma vez na semana.


Um relacionamento abusivo deixa marcas claras e marcas que não se veem também. Toda ação exige uma reação e, nessas reações, Hanni sabia que também havia sido abusiva naquele relacionamento, ou nos outros que mal teve depois. Na terapia agora, estava vendo as coisas com mais clareza e de forma nenhuma queria repetir os seus erros anteriores com Presley. Estavam conversando sobre isso aquela manhã, as mãos dadas sempre que possível, e ouvir Hanni era algo que Presley valorizava demais. Haviam saído de uma Manu pragmática, uma cidade amuralhada, para agora ela ser alguém que queria falar, que queria dizer como se sentia.


— Sabe como me sinto? Parece que o nosso começo foi todo em 2x. Tudo acontecia muito rápido, sentimentos rápidos, atração imediata, uma coisa acontecendo sobre outra. O meu relacionamento, o seu casamento, então resolvemos isso e veio a gravidez, e o medo, a incerteza, tudo tão confuso e tantas saídas óbvias a serem pegas. Você podia só ter voltado para o seu casamento, eu podia só ter seguido o que fiz sempre, nada teria se modificado. E não estaríamos aqui. Se nós duas não tivéssemos tido coragem, não estaríamos aqui, felizes assim.


Presley beijou os dedos dela.


— Felizes em slow motion. A gente desacelerou o tempo agora. E eu vejo cada momento nosso, cada pedacinho de nós duas, assim, em slow. Incluindo nós duas; incluindo esse pedacinho dormindo no banco de trás e esse mínimo pedacinho bem aqui — Colocou a mão dela na sua barriga e aquele sorriso lindo apenas surgiu.

— Você acha que é um menino?

— Acho que é um menino, sim, o seu menino, não tem como o destino não te dar um menino, meu amor. E nem não me dar a menina que quero que venha de você.

— Mas você segue com esse plano! — Manu não parava de sorrir, estavam passando sobre a ponte agora.

— Claro que sim, depois que você estiver uma modelo uber famosa, porque famosa já está, mas assim, UBER FAMOSA, eu vou te fazer outro bebê, meu amor, uma menina, outra face cardizinha.


Ser feliz em slow... era assim.


Aika acordou na sala de ultrassom, sinalizando e sinalizando para Hanni, iriam ver o bebê? Ele ia chegar quando? Porque ainda não tinham um quarto pra ele.


— Mas vai ficar pronto logo, criança — Hanni sinalizou, rindo demais, a sentando no seu colo enquanto Presley se preparava para o ultrassom.


“Vai ser um menino?”


— Vamos tentar descobrir hoje.


“Porque, da outra vez, não deu para ver, deve ser um menino.”


— Por que você acha?


“Meninos chatos! Deve ser um menino, um chato assim, igual papai, é um menino...”


Quando Presley entrou na sala, sua noiva estava rindo sem parar como uma idiota.


— Ela está muito mal-humorada, babe, você não faz ideia.

— Realmente está! Não quero nem ver quando o bebê nascer. A crise de ciúme será estratosférica.

— Ela vai ser uma ótima irmã mais velha, tenho certeza.

— Eu também tenho, mas antes, tem o ciúme. E ela vai me odiar — Disse, sentando-se na maca. E olhando para sua noiva: — E vai odiar você.

Uh! Eu também?

— O pai ela está odiando agora, acho que por ordem, ela deve odiar você por último.

Babe, eu não quero que ela me odeie.


Presley riu.


— Nós vamos ficar bem. Vai ser só uma fase, tenho lido muito a respeito disso.


Nana apareceu uns minutinhos depois; já tinham passado pela consulta e agora estavam prontas para o ultrassom. Aika desceu do colo de Hanni, foi olhar a tela mais de perto. Hanni estava do ladinho de Presley, mão agarrada na dela e olhos ansiosos no monitor. Aquele castanho tão bonito, tão cheio de brilho, aquela mulher maravilhosa que Presley ainda não acreditava que era sua. Que iria se casar com ela. Que teriam outra criança em breve. Pensou nisso e seus olhos se encheram.


— O que foi, Presley? Conseguiu ver? — Nana perguntou, sorrindo.

— Ver? Já dá para ver ou...? — Hanni sorriu, beijando a mão de sua noiva — Meu amor?

— Eu não sei, só que... — A beijou rapidinho — Seus olhos são lindos, o coração do bebê está batendo tão forte, nossa Aika está aqui e...

— Prontas para saber? — Nana perguntou, e as duas disseram que sim, olhos brilhando, sorrisos que não se fechavam — Quais são os dois nomes mesmo?


Presley lagrimou, estava muito emotiva.


— Min-ho ou Aran.

— Então, aqui temos, se a gente olhar um pouquinho mais de perto — Ela ajustou o aparelho e Aika se grudou na tela praticamente, tentando ver alguma coisa a todo custo — Aika, está vendo? — A virou para si para falar, bem baixinho, para que Presley e Hanni não ouvissem ainda: — Aqui, olha, Park Min-ho, seu irmãozinho — E então, olhando para Hanni e Presley: — É um menino.

As duas se olharam. Presley já estava chorando, e a sua Manu... Ela abriu um sorriso enorme, aqueles olhos cheios de brilho, totalmente cristalizados, cheios em ponto de transbordo. E transbordaram.

— Ei, meu amor...


Hanni resgatou sua menina. Ela estava sinalizando e sinalizando. Claro que era um menino, chato daquele jeito, como podia não ser? Hanni pegou a mão de Presley, olhando-a nos olhos, beijando o anel delas com todo o carinho do mundo.


Babe, é um menino! — Disse, sorrindo sem parar.

O nosso menino, do jeito que você queria, do jeito que... eu pedi — Disse, tocando o rosto dela, limpando aquelas lágrimas delicadamente. E então, falou com Aika: — Filha, é um irmãozinho! — Sinalizou para ela.


“Eu disse, chato, não aparece nada lá.” Apontou para a tela onde realmente só Nana conseguia ver alguma coisa. Presley desconfiava que Aika queria ver um vídeo CLARO, com qualidade em 4K do bebê, que nunca vinha.


— Mas vai ser divertido, não vai? — Hanni perguntou, movendo o nariz, acalmando o choro um pouquinho.


“Quando ele chegar, sim, vai ser melhor.”


— Vai ser muito melhor, sim, meu amor — Deixou um beijinho nela e outro em Presley, olhos nos olhos, mais uma lágrima escapando.

Babe...

São de felicidade. Acho que... nunca chorei de felicidade antes — Explicou sorrindo — E não é apenas por ele. É por tudo. Só vamos... viver cada coisa em slow. Eu não quero que nada passe rápido, quero que tudo dure ao seu lado.


Era isso. Viveriam em slow.


Foram para a praia quando saíram dali. Estava fazendo um dia de sol; era uma segunda-feira e a praia estava quase vazia. Haviam saído de biquíni por baixo todas elas. Pararam o Jimny na areia. Aika e Hanni colocaram os john. Estava sol, mas a água deveria estar gelada; quase sempre estava.


— Você não quer mesmo entrar, meu amor? — Hanni perguntou.

— Não, vou olhar vocês duas daqui — Presley deixou um beijinho nela, sorrindo — Vai lá, leva nossa menina, eu vou filmar vocês duas surfando!


Ela sorriu. Aquele sorriso lindo, tão perfeito que nem parecia real. Carregando Aika e a prancha ao mesmo tempo, correu para o mar, fazendo sua menina rir alto demais.


Presley ficou descalça, com uma saia longa e um top mais curtinho, deixando sua barriga à mostra. Não dava para acreditar em tudo aquilo. Teriam um bebê, um menino, do jeito que ela tanto pediu. Olhou para baixo, tocando sua barriga com carinho.


— Obrigada por ser um menino. Você terá duas mães, já percebeu isso? E um pai que está melhorando em ser pai. Você tem uma irmãzinha também; ela não terá muita paciência para você no começo, mas isso vai passar no futuro. Ela escolheu o seu nome; disse que o bebê novo tinha que ter um nome coreano. Ela tem um nome japonês, mas gosta muito de ser coreana, do jeito que você também será. Você vai nascer numa família que eu jamais achei que poderia ter, filho, mas que existe agora. E eu amo você. Da mesma forma que amei instantaneamente a sua irmã, também amei você. Estava com medo de perder o que temos agora. Mas sabe? Não seria a Hanni se algo tivesse sido diferente do que foi. Eu amo você. Você vai chegar e será bom. Tudo será extremamente bom.


Filmou as duas depois da conversa com o seu bebê, o seu menino, que Aika havia escolhido o nome. Min-ho, por causa de um anime que ela gostava de assistir, ou Aran, para ser parecido com o nome dela, e o jeito que ela era feliz com Hanni e Hanni era feliz com ela, era algo que ninguém jamais poderia explicar. Pegaram muitas ondas juntas, sempre sorrindo, se divertindo tanto que dava para ouvir mesmo da praia. As ondas estavam suaves, boas de pegar e aquela sinergia seguia perfeita. Um toque de calcanhar e Aika sabia exatamente quando se levantar, como levantar, conseguia manter o equilíbrio, era quase... uma extensão de Hanni e isso se via o tempo inteiro.


E enquanto elas estavam no mar, Presley montou a barraca para elas. Sim, já montava uma barraca muito rapidamente e sem grandes problemas, Hanni desconfiava que não existia nada que Presley Park não pudesse aprender no mundo. Haviam saído com uma garrafa cheia de chocolate quente, levado a sanduicheira para waffles, doce de leite, creme de avelã, tudo o que elas adoravam para um café da manhã na praia. Hanni precisava surfar, Aika tinha a mesma necessidade, e cafés da manhã na praia se tornaram uma das coisas preferidas das três no mundo.


Foi buscá-las quando saíram do mar, sua garotinha correndo direto para a barraca, já tirando o john sozinha e sua surfista de cabelo molhado e toda salgada sempre teria a atenção de Presley. A beijou sorrindo, pareando sua saia longa e cropped com o long john de sua modelo.


E em slow motion, elas ficavam ainda melhores.


Mas a semana foi muito corrida de qualquer forma. Por isso, quiseram o momento na praia, um tempinho extra com Aika, Hanni teria que embarcar no domingo para Paris e tinha muito a ser feito. Ela não abria mão das aulas de jiu-jitsu, nem da sua academia, nem do colégio de Aika, a agenda de modelo seguia muito apertada e ela precisava treinar para manter a forma. Estava tendo que comer em uma dieta específica e o ritmo de postagens em suas redes andava frenético. E nisso, tinha a rotina corrida de Presley, o trabalho na embaixada, as duas faculdades, as coisas de casa. Estava tendo que se dedicar um pouquinho mais à obra, ou sua modelo não teria tempo nem para dormir. E no meio disso tudo, tinham os cuidados com Aika, que andava bem mal-humorada, muito ciumenta com o bebê novo, mas não era nada que não se esperasse, na verdade.


Ela estava resistente a Leo também, dando um pouquinho mais de trabalho, mas ele não desistia. Estava muito melhor em NZSL e isso fez com que ele ganhasse mais uns pontinhos com a própria filha. De resto, ele seguia batalhando para acompanhar a gravidez mais de perto. Era engraçado, porque agora que estavam até morando separados, ele estava mais presente, mais atento a cada coisa. Ficou emocionado quando descobriu que teriam um menino.


E de Presley, Hanni cuidava.


Nem sabia como ela fazia exatamente, mas Hanni levava seu almoço na embaixada nos dias que tinha que ficar integral, cuidava de seus pés cansados, do seu sono, administrava suas consultas, os exames que precisava fazer, cuidava da sua alimentação e dos seus surtos de tesão. Sim, ela seguia sem poder ver Hanni passando na sua frente que já queria devorá-la. Dizia que era Presley que estava mais bonita do que nunca, mas devia ser porque Hanni não prestava atenção NA GOSTOSA que ela mesma estava. Com toda certeza, estava no seu melhor corpo da vida, na melhor pele, melhor cabelo. A mulher estava explodindo de gostosa em todos os sentidos.


Estavam fazendo a mala e haviam acabado de fazer amor no chuveiro. Presley ainda estava só de toalha e Hanni se perguntava sobre o tamanho de sua provação. Ela estava com o cabelo molhado, a pele cheirosa, passando creme pelas pernas. Hanni nem sabia, aquele sorriso que ela tinha, o olhar denso que ficava por ela depois que faziam amor, tão sexy, anf!


 Honi... — Presley a chamou.

— O que foi, babe?

— Vai fazer amor comigo por vídeo se eu ficar com muito tesão?

— Em qualquer horário. Você está tão sexy, tão gostosa que eu nem sei, babe.

— Você está uma gostosa, por isso as marcas estão enlouquecendo atrás de você. Qual será o seu segredo, hein?

— Pura serotonina, direto na veia, todos os dias — Veio beijá-la sorrindo, ajoelhando à frente dela — Pres, acha que a gente consegue se casar quando eu voltar?

— Estou cuidando disso, ok? Sei que é importante para nós duas, para minha família e para a sua.

— Mas não precisa correr tanto também, semana que vem vai ser insana pra você, Pres.

— Visita do presidente e apresentação do meu trabalho final de curso.

— Eu queria tanto estar aqui.


Presley a beijou com carinho.


— Não se preocupe com isso, vai ter link, você vai poder me assistir de qualquer forma. Fora que, sem você cuidando da Aika para eu estudar, nem teria conseguido nada disso, honi.

— Estou tão orgulhosa de você — Beijou a barriga dela, ficando agarradinha nela um pouco mais.

— E eu estou muito orgulhosa de nós duas.


Estava mesmo.


Hanni voou para Paris de madrugada e foi extremamente difícil deixar suas meninas. Ao menos, a reforma tinha mesmo terminado no sábado, e elas ficariam mais confortáveis na casa em Takapuna e, mais seguras. Presley disse que não precisava de ninguém com elas, estava entre amigos, qualquer coisa, Alexia estava na casa da frente e Sasha na casa ao lado. Gostava dessa confiança dela e era interessante pensar no comecinho de tudo, naquela mulher que mal a olhava nos olhos. Mas que a empurrou contra um carro na primeira noite delas e devorou Hanni sem perguntar se podia. Ela sempre havia sido duas, e agora, a Presley da faculdade parecia decidida a nunca mais deixar o corpo dela.


Ainda bem!


Paris foi tão corrido como Hanni achava que seria. Ensaios, gravações, jantares, festas para ir, gente para conhecer, e Presley estava tão ocupada também. Evento na embaixada, presidente da Coreia do Sul chegando, entrega do TCC do curso de Designer, preparação para sua apresentação, tesão — No meio de tudo isso, tinham os ataques de tesão das duas, e a saudade gritava de tão grande. Deus, como podia? Como Hanni conseguiria fazer essas viagens agora? Três dias e já estava morrendo de saudades de sua noiva, querendo saber de seu menino toda hora, doente de falta de Aika. Era uma situação.


E então, chegou o dia do ensaio noturno de Hanni. Ela fugiria pelas ruas de Paris como a princesa moderna da YSL. Curiosamente, foi o mesmo dia da visita do presidente à embaixada sul-coreana e também o dia em que Aika se envolveu em um problema na escola. Presley estava estressada, nervosa, correndo de um lado para o outro, enquanto Hanni estava em Paris, de madrugada, sendo maquiada e vestida. Não fazia ideia de como, mas acabou conseguindo resolver tudo. Era isso, se era para estar distante em alguns momentos, que ainda assim conseguisse cuidar da sua futura esposa e das suas crianças.


Sorria toda vez que pensava nisso.


Eram seis da manhã em Paris e seis da tarde em Auckland. Hanni havia terminado seu ensaio e ainda estava vestida de princesa, conversando com Presley na Ponte do Amor. Achou simbólico. Teria que levá-la a Paris, estava decidido.


— Balmain, então?

— Se quero me casar de Balmain? Mas é claro que sim, honi! Você já achou o seu vestido? — Presley perguntou.

— Acho que... estou vestida nele, sabia? Vou ficar com esse aqui. Babe, eu vou para o hotel agora, dormir um pouco e depois, vou comprar roupas para as crianças. Eu estive numa loja incrível ontem.


Presley estava sorrindo.


— Roupas para as crianças...?

— Para as nossas crianças, sim — Sorria sem conseguir evitar — Você tinha que estar aqui, tinha que ver esse nascer do sol na Ponte do Amor.

— Está anotado nas coisas que faremos juntas.

— Ser esposa de modelo te trará para Paris algumas vezes, meu amor. Babe, você conversou com a Aika?

— Sim, entendi o que aconteceu. O garoto estava perturbando, ela não estava entendendo muito bem, ele estava falando atrás dela. Mas daí, ele a tocou e então, nossa menina lembrou do que você explicou para ela: se alguém a tocar e for desconfortável, se machucar de alguma maneira, não deixe continuar. Assim ela o prendeu no chão até uma professora chegar. E ficou nervosa em seguida, não queria assistir à aula, queria você ou eu, mas serviu o Sasha.


Conversaram um pouco mais e finalmente, Hanni foi descansar. Tomou café no seu hotel antes de subir e foi dormir um pouco. Acordou perto do meio-dia, trocou-se: jeans básico, tênis nos pés, regata branca mostrando um pouquinho do sutiã preto e uma jaqueta de couro por cima. Óculos escuros e saiu depois do café, a pé, porque tudo o que tinha que fazer era pertinho. Havia visto o vestido que queria para Presley no dia anterior. Entrou na loja da Balmain, comprou um número acima do dela, dava para ajustar se fosse necessário. E então, na loja da YSL, buscou o vestido que queria. Pegou um sorvete no caminho. Paris estava muito agradável, um dia muito bonito, mas longe delas, queria de volta sua vida em 2x apenas para poder voltar logo para casa.


E assim, com seu sorvete e as sacolas de grife em mãos, entrou na loja infantil que tinha visto no dia anterior. Queria ver algumas roupas para Aika e as primeiras peças para seu menino. Chegou sorrindo, sendo recebida com suas sacolas de grife sobre o sofá. Dirigiu-se primeiro à seção de 4-5 anos. Viu uns casacos na seção de meninos que só sabia que Aika iria amar; ela adorava as roupas de Hanni. Encontrou algumas peças lindas: calças e jaquetas. Havia perguntado a ela o que queria usar no casamento. A resposta? Uma calça–cargo e uma jaqueta jeans bonita. Não havia problema; providenciou para ela. Separou as peças e então dirigiu-se à próxima seção.


— Qual a idade do seu menino? — A vendedora perguntou.

— É... não nasceu ainda — Respondeu sorrindo.

— Ah, estão na fase da espera!

— Nós estamos. Você viu como a irmã gosta de se vestir, quero encontrar algumas peças no mesmo estilo para ele e, ops! — Hanni esbarrou em alguém sem querer. Se virou imediatamente para se desculpar — Me desculpe, eu não te vi...


Parou. Ela e o seu coração.


— Hanni...?


Foi tudo o que ela disse. Então, a moça simplesmente apagou.


— Ei!


Hanni a segurou o mais rápido que podia, em 2x, porque a moça havia acabado de desmaiar em seus braços. E em slow motion


A segurou firme, mantendo-a da melhor forma que conseguia, tentando compreender o que estava acontecendo ou se aquilo estava realmente acontecendo porque...


A moça em seus braços era América Garcia.


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2 comentários


luhreino21🌻🍷🌶
luhreino21🌻🍷🌶
25 de abr. de 2024

O retorno da América!!!

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Adriana Evangelista
Adriana Evangelista
23 de abr. de 2024

Caramba!!!!! Afff, sempre assim! teste cardíaco! kkkkkkkk😀

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