Vulnerável 11
- Riesa Editora

- há 3 dias
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Para a surpresa de Bruna, não desceram para a rua, mas para o estacionamento, onde um Ford Mustang Mach 1 preto fosco sinalizou quando Gabriela acionou o alarme. O exterior era impecável, e o interior também; não havia nada fora do lugar quando entraram naquele carro que exalava poder.
— Gabriela, você tem...?
Ela abriu um sorriso.
— Habilitação, tenho. Tirei no dia seguinte ao meu aniversário de 18 anos — Respondeu, já colocando o cinto e ligando o motor.
— E faz quanto tempo que você já tem dezoito...?
Outro sorriso gratuito e relaxado dela.
— Faz seis meses, mas eu já dirigia antes. Quer ver uma coisa legal?
— Quero, me mostra — Bruna estava encantada com ela.
Gabriela pegou o celular, entrou em seu Instagram, desceu várias postagens e chegou onde queria. Entregou o celular para Bruna. Era um vídeo de uma garotinha dirigindo karts ao longo dos anos.
— Essa é você?!
— Sou eu — Gabriela respondeu, já dirigindo para fora do estacionamento.
— Olha você correndo tão pequenina! — E era uma graça, toda de macacão de piloto, a única menina dentre muitos meninos, e vencendo. Eram imagens dela correndo, pilotando, no alto do pódio várias vezes — Com que idade você começou?
— A idade mínima. Eu tinha sete anos quando comecei a competir. O meu pai era apaixonado por corridas: NASCAR, Fórmula 1, Rally. Aprendi a dirigir com seis anos.
— E isso não é ilegal, meu Deus?!
Mais risadas de Gabriela.
— Não é. Quero dizer, não sei se é, mas comecei a correr muito novinha. Cheguei a ser campeã brasileira de kart aos dezesseis.
— Você...? — Bruna deu uma olhadinha para ela dirigindo, ainda com o celular dela em suas mãos. Gabriela dirigia com muito estilo — Isso é grande, não é?
— Meio que sim — Ela seguia sorrindo.
— Mas agora você não corre mais?
— Não deu mais para correr. É um esporte caro. Depois desse campeonato, as coisas começaram a desandar pra mim. Você dirige?
— Nem a minha vida eu dirijo sozinha! — Bruna respondeu sorrindo, dando uma olhadinha como quem não quer nada nas outras postagens de Gabriela.
Foram conversando em um ritmo muito bom até o restaurante, que não ficava muito distante de onde estavam. Era um rooftop bem badalado, Bruna já havia ouvido falar dele muitas vezes. Tinha uma vista maravilhosa, uma arquitetura moderna, inovadora, e a comida era mais do que bem elogiada por ser...
— É um restaurante vegano! Sou vegana, há uns dois anos já — Bruna disse assim que se sentaram à mesa.
— Eu sei. Perguntei para a Marcela, antes de fazer a reserva, se você tinha alguma dieta especial.
Outro sorriso de Bruna enquanto olhava bem naqueles olhos claros do outro lado da mesa.
— Que delicadeza. Eu não sei nem como reagir direito. Ninguém nunca teve esse tipo de cuidado comigo.
— Imagina? Eu te convido para jantar, para demonstrar a minha gratidão, e te trago a um lugar sem nada que você pudesse comer? — Ela respondeu, com os olhos no menu, numa finesse que Bruna nem sabia explicar. Seu coração deu uma acelerada, não de nervosismo, mas de interesse.
Decidiram o que pedir. Gabriela chamou o garçom e repassou o pedido. A noite estava linda, fria, mas nem tanto. O rooftop todo iluminado, lindo demais. Bruna pediu uns minutinhos para tirar algumas fotos, fez alguns vídeos e Gabriela ficou observando. Ela falava com facilidade, se comunicava com muita clareza, não parecia algo aprendido recentemente.
Gabriela perguntou sobre isso quando ela retornou para a mesa.
— Tenho um canal no YouTube desde os meus quatorze anos, sempre postando sobre maquiagem, fazendo tutoriais, esse tipo de conteúdo. Minha mãe sempre trabalhou com salão, é algo com que tenho contato desde muito pequena. Sei que maquiagem pode parecer fútil, mas... já me salvou tantas vezes. Sempre que estive muito triste, minha mãe vinha, me fazia um carinho, conversava, me maquiava e eu já me sentia automaticamente melhor.
Gabriela sorriu, olhando-a.
— É uma memória de carinho.
— É isso. Encontrei a minha beleza me maquiando, porque nunca me achei muito bonita. Sofri bullying pra caramba na escola e entendi que ficar me escondendo não ia resolver — Bruna levou outra garfada de sua piadina italiana para a boca, estava crocante, cheia de sabor — Daí comecei a me maquiar para ir pra escola me sentindo mais bonita, mais confiante, e o assédio ao menos mudou de tom: sofrer bullying por ser bonita dói um pouco menos — Disse, fazendo Gabriela rir — Foi quando parei de ser só vítima e me tornei uma encrenqueira também.
— Você tem essa energia de: eu trago o caos, eu sou o caos... — Gabriela respondeu, arrancando uma risada gostosa dela.
— Eu tenho, né?
— Tem, tem sim.
— E você tem a energia contrária — Bruna a olhou.
— De fragilidade, provavelmente.
— Nada de fragilidade. Você tem uma energia vulcanizada. Sabe a pressão do vulcão? Aquele magma todo fervendo o tempo inteiro? Foi o que vi quando te encontrei. Um vulcão que estava pressurizado, mas explodiu naquele ensaio — Enquanto Bruna a olhava, Gabriela parecia cada vez mais bonita — Esperei pelo melhor, torci por você pra caramba, mas o que você entregou foi muito além da minha expectativa.
— Ah, Bruna, se eu te contar tudo...
— Conta, me conta o que você quiser contar, estamos aqui pra isso.
Gabriela olhou bem para ela. E decidiu se abrir, ao menos um pouquinho.
— Então, eu fui parar naquele ensaio porque... acho que preciso te contar do começo, pra você conseguir entender melhor. Você está com tempo?
— Todo o tempo que você precisar.
Ela era delicada, atenciosa, Gabriela nem sabia explicar.
— Então, desde o meu tataravô, a minha família sempre trabalhou com diamantes. Ele era marroquino, migrou para Portugal, seguiu prosperando com o negócio, meu bisavô já nasceu português e meu avô nasceu brasileiro. Nasceu rico e morreu rico, é algo que meu pai sempre gostou de destacar. Mas as coisas não foram iguais para o meu pai.
— O que aconteceu?
— Acho que ele não era tão bom quanto meu avô. Meu pai tinha vários negócios, mas começou a tirar dinheiro de um para salvar o outro, e foi um efeito cascata. A partir daí, meus pais começaram a brigar bastante. E, em vez de colocarem o pé no freio, eles só seguiram a vida como se nada estivesse acontecendo. Meu pai faliu oficialmente quando eu tinha quatorze anos e comecei a ver as coisas da nossa casa serem vendidas.
— Faliu, tipo...?
— Em todos os negócios. Ele tinha uma coleção de carros, vendeu todos, as joias de família foram junto e, quando me dei conta, até a mobília estava sendo vendida. Meu pai morreu logo após eu ser campeã brasileira de kart, teve um infarto fulminante e, desde então, minha mãe vendeu tudo o que ainda restava de bens, pegou meus irmãos e decidiu ir embora para a Itália.
— Espera: a sua mãe se mandou? Vendeu tudo o que vocês tinham e só foi embora?
— Se mandou. Fiquei com o carro, o último que não foi vendido, e estou morando em um loft em Pinheiros, onde ela deixou seis meses de aluguel pagos. Preciso me virar para pagar o próximo mês. Já que ela não está me mandando nada de dinheiro, pedi para ela me ajudar a arrumar um emprego. Achei que, sei lá, alguém pudesse me contratar num escritório, algo assim. Mas ela deu uns telefonemas e conseguiu esse ensaio de hoje, sendo que eu nunca havia feito nada sequer parecido.
— Por isso você estava tão insegura.
— Por isso! Desde que o meu pai morreu, desenvolvi essas crises de ansiedade, faz uns três dias que piorou bastante. E hoje, desde a hora que acordei, parecia que um desespero enorme estava pronto para escapar de dentro de mim. Eu me senti tão mal, tão irrelevante. Este é um trabalho sério, ser bonitinha é diferente de ser modelo, tem meninas da minha idade que já fazem isso há anos e não têm a oportunidade de fazer um ensaio como esse que fiz hoje. Você entende? Eu me senti dando uma carteirada para começar de cima.
— Gabriela — Bruna alcançou a mão dela sobre a mesa —, te falar um negócio: sua mãe pode ter falado com alguém, mas não foi ela quem te colocou neste ensaio de hoje. Ela poderia ter conseguido um ensaio menor pra você, tranquilamente. Mas chegar naquela marca... de jeito nenhum. Ela deu o telefonema dela, mas você foi parar fotografando para a Brennheisen porque o seu rosto é distinto, se destaca. E por causa dos seus seguidores no Instagram também. Esses seguidores todos… vieram como?
— Ah, postando as minhas coisas.
— Sozinha?
Gabriela abriu um sorriso, o centésimo só naquele dia, entendendo o ponto dela.
— Sozinha.
— Então, não teve carteirada da sua mãe. Teve a ideia de ela ligar para alguém, mas a sua aprovação, quem conseguiu, foi você mesma. E acho que, depois de hoje, você entendeu que, se quiser trabalhar com isso, tem muito a oferecer — Bruna soltou a mão dela suavemente — A sua conta já é vista por meio milhão de pessoas, é muita gente, as marcas se interessam por isso. Hoje, modelar é mais do que apenas tirar fotos, é sobre ser interessante, aquela conversa que a gente teve mais cedo. O ensaio de hoje você precisa postar, falar sobre ele, mostrar a marca que representou. Isso vai atrair mais trabalhos. É uma roda viva, entende?
— Você acha que...?
— Hoje foi só o começo, tenho certeza de que você vai ser chamada para outros trabalhos e o seu nível de nervosismo vai diminuir, até virar rotina.
Gabriela a olhava.
— Me fala de você. Como veio parar aqui, sabendo tanta coisa e fazendo tanta coisa tão bem aos vinte anos? Tenho me sentido um bebê que não sabe de nada conversando com você desde cedo.
Bruna gargalhou mais uma vez.
— É que comecei a fazer tudo muito cedo mesmo. Como te falei, a minha mãe sempre trabalhou com beleza e eu sempre trabalhei com ela, desde muito pequena. Minha mãe fazia de tudo. Eu não conheço o meu pai; ela brincava dizendo que também não o conhecia, então estava tudo certo — O sorriso não saía daqueles lábios — Quando fiz quinze anos, mamãe conseguiu montar um salãozinho para ela, aí as coisas deram uma melhorada.
— Ah, vocês tinham um salão?
— Bem pequeno! Eu estudava em um horário e trabalhava nos outros dois. Melhorou a ponto de eu conseguir estudar inglês, comprar um celular melhor. Comecei a fazer vídeos que davam certo, as coisas só iam bem. Pela primeira vez na vida. Até que... eu a perdi. Há um ano e meio — Bruna fez uma pausa na fala e no sorriso; dava para ver aquela dor ainda muito viva dentro dela.
— Eu sinto muito, Bruna — Gabriela fez um carinho na mão dela sobre a mesa — Sinto muito mesmo. Você quer falar do que aconteceu? Pode não tocar no assunto se preferir.
Bruna ergueu o olhar para ela, fazendo uma careta.
— Gab, você já notou que somos bem diferentes, né?
Gabriela riu. Amou o apelido.
— E o que isso tem a ver, meu Deus?!
— É que... sou carioca.
— Eu quase não tinha notado — Falou sorrindo, porque o sotaque espancava na voz dela o tempo todo — Espera, você está com preconceito por eu estar falida, alguma coisa assim...?
Bruna acabou rindo, o sorriso havia voltado para o rosto dela.
— Claro que não, Gab! Acho super chique, inclusive, você estar falida. Eu ainda não cheguei a um ponto em que pudesse declarar falência, afinal, gente quebrada não tem do que falir.
— Bruna! — Gabriela já estava rindo demais.
— Prosseguindo — O sorriso havia voltado para o rosto dela mesmo — Sou carioca, nasci em uma comunidade não pacificada, que é o morro do Cantagalo, você já ouviu falar, provavelmente. Hoje é pacificado, mas não é paraíso, não dá para você sair andando tranquila, achando que nada vai acontecer.
— Está assim no país todo. Mas claro, sei que nas comunidades é mais pesado.
— É mesmo. A minha mãe foi vítima de uma bala perdida, enquanto voltava pra casa após um dia inteiro de trabalho. É foda, sabe? Você perder alguém assim do nada, por algo que a polícia chamou de “incidente”. Minha mãe morreu num confronto que não tinha nada a ver com ela. Eu parei com tudo. Não conseguia fazer mais nada.
— Você ficou catatônica.
— Mais ou menos isso. Eu estava sendo soterrada dentro da minha própria casa, no meu quarto. Mal comia. Era só dor. E foi a maquiagem que me puxou de volta. Acordei um dia determinada a fazer alguma coisa por mim. Mesmo que fosse pequena. Entrei na internet, busquei algo para aprender, vi um delineado maravilhoso e que parecia bem complicado de ser feito.
Sorriso de Gabriela.
— Sério mesmo?
— Fiquei duas horas estudando, tentando, errando. Tentei entender a técnica e, como não deu certo, acabei criando uma técnica nova. Essa que usei em você hoje, inclusive. Passei a fazer isso todos os dias. E sabe? Aquilo virou um carinho comigo mesma. Você se toca, se sente, se acalma. Isso me tirou do buraco onde caí quando perdi a minha mãe.
— Foi isso que te fez continuar.
— Foi isso. Duas semanas depois, voltei a trabalhar, mas não dava mais para ficar naquele lugar. Eu trabalhava em Copacabana, chegava tarde, sempre achando que podia acontecer comigo o mesmo que aconteceu com a minha mãe. Daí, a Dara, minha melhor amiga, conseguiu um trabalho pra gente aqui em São Paulo e eu decidi só vir. Vendi o que tinha e vim, estou aqui há seis meses e tem dado muito certo, tanto que às vezes eu nem acredito ainda.
Seguiram conversando o jantar inteiro. As piadinas estavam deliciosas, a sobremesa também. Bruna pediu um drink, nada demais, Gabriela ficou em uma gasosa de tangerina. Observaram a vista, a Paulista toda acesa, feita de prédios infinitos, e a conversa que... só fluía.
Às onze e pouquinho, era hora de ir, o metrô fecharia em breve e Bruna estava bem longe de casa.
— Eu vou te levar em casa — Gabriela anunciou quando já estavam descendo no elevador.
— Claro que não, Gab, é longe pra caramba!
— Longe de onde? Você não mora mais no Cantagalo — Ela respondeu, sorrindo, fazendo Bruna rir.
— Não, mas moro bem longe daqui.
— E esse lugar longe é onde? — A porta do elevador abriu e, imediatamente, Gabriela colocou a mão nas costas de Bruna, com delicadeza, já a conduzindo para o estacionamento.
— Itaquera.
— Nesse horário, não vai levar nem uma hora — Gabriela chegou até o carro e abriu a porta para Bruna.
Que garota era aquela?
— Gabriela... — Bruna ainda estava relutante.
— Este carro está vendido. Vou entregar para o novo dono amanhã, vai pagar um ano de aluguel e dois de faculdade. Eu só quero... dirigi-lo o máximo possível.
Bruna entendeu. E assim, aceitou a carona.
Acabaram levando uma hora até Itaquera. Gabriela decidiu dirigir mais devagar. Não era assim que seus dias de crise costumavam terminar.
Bruna morava em um prédio de três andares, apertadinho, mas tudo muito arrumadinho, estiloso. O bairro era simples também, mas Gabriela não parecia estar incomodada. Ficaram conversando mais meia hora dentro do carro, um olhar dentro do outro.
Era como se estivessem presas na gravidade uma da outra. E nenhuma das duas sabia o que fazer com aquilo. No final, apenas trocaram um longo abraço, porque era perigoso ficar dentro do carro naquele horário. E, após um beijo no rosto, Bruna desceu. Gabriela só partiu depois que ela entrou.
Bruna subiu devagar, três lances de escada até o seu apartamento. Ela e Dara haviam iniciado a vida nele com quase nada, mas agora já tinham cama, sofá, frigobar, um fogãozinho de acampamento que servia demais, TV e até mesa de jantar, o último luxo que haviam adquirido. Entrou, Dara estava esperando no sofá.
— Caramba! Eu já estava preocupada. Esse date que não era date durou, hein?!
Bruna abriu um sorriso, deixou a mochila e a maleta no chão, se jogou no sofá pertinho dela.
— Ela me deixou aqui na porta.
— Sério?! — Dara se sentou, interessada.
— Muito sério! Eu disse que não precisava, mas ela insistiu em vir. Dara, esse dia todo foi... incrível.
— Sei, mas sei também que você falou bem empolgada sobre essa menina. Me conta aí, do começo, vamos!
Bruna contou tudo: do momento no banheiro até o jantar.
— Acho que nunca tive um lance assim, sabia? De parar e só conversar. Ela parou para me ouvir de verdade.
— E você parou para ouvir a história dela também. Você foi muito delicada, Bruna.
— Era o que o momento pedia. Sabe o que é mais interessante sobre ela? Dá para sentir o quanto a Gabriela é fina, alto padrão. Você olha pra ela e está escrito “pedigree” na testa dela, old money, essas coisas todas — Disse, fazendo Dara rir demais — Você olha pra minha cara e está escrito favela, Cantagalo, baixa renda. Está na nossa cara, entendeu?
— Bruna, eu me chamo Dara por causa de uma novela de cigano, você tem noção disso?
— Eu me chamo Bruna por causa da Bruna Lombardi.
— A menina se chama Gabriela por causa da avó, uma socialite de São Paulo, que também foi atriz de cinema na Itália. Está escrito aqui na Wikipédia da família dela — Dara estava mexendo no celular.
— O rosto dela, os traços, as linhas, tudo tão... harmonioso.
— É o que acontece entre os ricos, eles todos se parecem, já percebeu? E se casam entre eles, têm filhos parecidos, enfim. Mas você é uma mistura, Bruna. Você é bonita, pô!
— Sou, mas não o suficiente. Mas, para isso, tem harmonização facial, né? Me deixa só ter dinheiro suficiente — Bruna respondeu, rindo demais.
— Falando em dinheiro, aqui está dizendo que a família da menina faliu.
— Faliu, bem quando ela ia ser herdeira.
— Bru, e no final das contas, era só um jantar de agradecimento mesmo, tá vendo?
— Vi, mas te confesso que... fiquei um pouquinho decepcionada, sabia?
— Sério? Você ficou interessada nela mesmo?
— Fiquei. Não é de hoje que tenho te falado sobre isso, Dara, que acho que me interesso por mulher também. É que não houve ainda a oportunidade de colocar isso em prática.
— Teve hoje! E o que você fez?
Bruna gargalhou alto.
— Nada! Não sabia nem como agir, como elogiar, chegar nela direito. Com os caras, é tudo muito mais fácil.
— Zero necessidade de esforço com os caras, né? Eles se jogam aos seus pés.
— E deve ser disso que estou enjoada. Mas acho que ela não pega mulher, não. O Insta tem fotos com namorado… e tem a igreja.
— Eu já disse pra você parar de ter preconceito com esse negócio de igreja. Mas olha só, se você quer mesmo pegar mulher para descobrir, a gente só tem que ir à festa certa.
E, como o habitual, Dara tinha razão.




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