Vulnerável 9
- Riesa Editora

- 12 de jun.
- 13 min de leitura

Gata
A edição iniciou com um VT de Bruna Ribeiro dançando “Gata” em cada uma das festas de que participou.
A energia sempre no alto, a beleza incontestável, o sorrisão aberto, que a deixava com os olhos castanhos ainda mais brilhantes. Ela definitivamente era aquela gata da música, linda demais, sedutora por natureza, ferina, feroz, todas essas palavras que surgiram em seu discurso de eliminação.
Uma mulher livre, encarando uma selva pontiaguda e perigosa, batendo de frente, não fugindo da briga e sem perder a leveza. Bruna era a melhor definição de antifrágil e, em seu VT, era Gabriela quem explicava essa definição em uma manhã de chuva forte.
— Sabe o que vem sendo implementado na nossa sociedade há anos? É que, se você quiser ser alguém, tem que endurecer, ser forte para aguentar, para levar a pancada e não cair. Essa mentalidade endureceu muita gente, principalmente as mulheres de negócios que começaram a se destacar em meios estritamente masculinos. Margaret Thatcher era vista como a Dama de Ferro, entende? Como se ela só tivesse chegado aonde chegou por ter se transformado num robô. Acho que a melhor resposta para isso hoje é a mentalidade antifrágil — Ela falava com Nuna enquanto tomavam um café — Ser antifrágil é aguentar toda a pancadaria do mundo lá fora e se manter terna no final. A Bruna é assim. É dura na queda, rígida, agressiva, mas segue terna fora do ambiente executivo, o que causa essa confusão toda.
— Uma mulher de negócios que também pode e deve continuar fiel à sua essência.
— Exatamente! Ela leva as pancadas dela todo dia, mas não perde o direito de ser frágil.
E, depois dessa frase, vieram os takes de todo o choro e as discussões que Bruna teve, um furacão de sentimentos espalhando tudo por todos os lados. As cenas com Monique vieram em seguida, e as com Gabriela deram todo um contorno diferente para o contexto. Takes de discussões, abraços e um trechinho das duas dançando “Envolver”, que deixou todos boquiabertos. Então as cenas da indicação, da eliminação e Bruna saindo pela porta, muito aplaudida.
Depois desse VT, o próximo iniciou com “My Lover's Gone” e a cena de Gabriela indo para o quarto do líder após a eliminação, onde trocou de roupa e, antes de se enfiar embaixo das cobertas, encontrou um pacote sobre a cama. Nuna informou que Bruna havia deixado com ela e pedido para entregar. E dentro daquele pacote...
Tinha um vestidinho preto Gucci e um colar Schiaparelli. Não qualquer um — era o mesmo com o qual Gabriela posou no ensaio mais importante da sua vida: o colar de cadeado estava ali.
Bruna o havia comprado.
Ela se enfiou embaixo das cobertas. Ficou ali por quase três horas. A edição captou até ruídos de choro. Gabriela ainda não havia chorado nem pretendia chorar naquele lugar, mas a mistura de sentimentos foi demais para ser contida. Chorou até dormir e, quando acordou, seus olhos contavam que havia chorado mesmo. A música a seguia no VT até a cozinha, onde fez um chá e foi se sentar lá fora, tal como no segundo dia, na companhia de Bruna.
O chá nas mãos, o olhar meio perdido, os pensamentos longe demais.

A primeira coisa que Bruna pôde assistir fora da casa foi aquele VT.
Chegou ao hotel após um dia cheio de compromissos, ligou a TV e a edição estava passando. O VT havia iniciado ao som de “My Lover's Gone”.
Foi inevitável parar para assistir. Havia recebido uma série de informações soltas nas últimas 24 horas.
Quando saiu da casa, encontrou sua empresária e foi direto para um estúdio. Programa ao vivo, takes demais, informação demais. Sabia bem que não estava no melhor dos cenários, Júlia logo a informou, mas também não era dos piores.
Na verdade, estava em um lugar no qual já se sentia habituada: o banco dos réus do tribunal do júri da internet. Já tinha passado por alguns cancelamentos, momentos de crise, sabia como era. A diferença agora era o tamanho de tudo. Era estar sendo julgada por mais de 30 milhões de pessoas. Suas redes estavam insanas, seus seguidores haviam dobrado. Porém, estava quase perdendo mais seguidores do que ganhando.
Agora a situação era estabilizar. Parar de perder. Em segundos, Júlia a preparou para entrar no ao vivo.
— Alguma coisa muito relevante que você consiga me passar em dez segundos? — Bruna perguntou enquanto tinha sua maquiagem retocada.
— Você e Gabriela Habren têm fãs. E, sua filha da mãe, por que a Chiara conhece a Gabriela?
Bruna riu alto.
— Como assim?!
— Ela reconhece a Gabriela na TV! Mas infelizmente não consegue contar mais nada. Ok, depois você me esclarece. Por ora, seja delicada, assuma suas burradas, você sabe o que fez de errado.
— Sei, sei mesmo — Bruna tinha exatamente a noção dos seus erros durante a estadia na casa.
— É isso, vai lá. Sua família e suas linces continuam te amando como sempre.
E talvez fosse a única informação que importava.
Fez o programa ao vivo, deu outras entrevistas, voltou para o hotel e dormiu por duas horas. Tinha um café da manhã no programa mais popular das manhãs na TV brasileira, um lugar onde já havia estado antes, quando começou a despontar não mais apenas como maquiadora, mas com a sua própria linha de cosméticos.
Foi recebida com carinho e sabia que ali dava seu primeiro passo para a contenção da crise. Foi muito sincera, admitiu seus erros, sabia exatamente o que havia feito e o impacto disso na sua carreira. Ficou emocionada quando viu imagens de sua primeira visita àquele programa. Aquilo a lembrava de onde havia vindo e do quanto precisava ser grata por suas conquistas.
Então, entrou numa live, outra entrevista, nova entrada ao vivo, um telefonema para sua família. Falou com sua avó, com seus primos, era a família que lhe restava depois da perda de sua mãe. Só conseguiu parar naquele horário.
Para assistir ao VT de Gabriela Habren.
Sentou-se na cama, apenas de lingerie. Parou para ver a reação dela recebendo o seu look da final como presente, o colar Schiaparelli que Bruna já tinha usado algumas vezes, escondido sob a roupa, para não ser fotografada com ele.
Quem usa um Schiaparelli para esconder?
Não usava necessariamente para mostrar, mas sim para...
Ter um pedaço de Gabriela consigo?
Nunca soube responder bem, mas achou uma resposta ao ver Gabriela usando sua pulseira escondida naquele primeiro dia de casa.
Parou para ouvi-la chorando e depois a viu tomando chá sozinha, e tudo o que Bruna queria entender era até onde aquilo ia. O que era verídico, o que era encenado — o que era real e o que era só VT.
Gabriela sempre havia sido assim, um enigma da Esfinge, difícil de ser decifrada, o que, inevitavelmente, sempre fez Bruna sair de perto dela devorada. E um pouco mais vazia.
Por que ela fazia assim?
Ficou quietinha, assistindo-a tomar chá sozinha, olhando para o nada. Daí o VT trocou para um resumo da sua pós-saída, então decidiu só ir para o banho. Estava exausta, mal havia dormido, precisava dormir e se reorganizar: vida, coisas, sentimentos.
Mandou outra mensagem para Gio, ela era a sua prioridade naquele momento. Júlia havia dito para que não se preocupasse com Giovana, mas isso era impossível. É claro que se preocupava, é claro que precisava se explicar, se desculpar. Haviam trocado algumas mensagens durante o dia, mas era impossível saber como Giovana de fato estava.
Entrou no chuveiro. Achava que tinha sido fácil se apaixonar por aquela menina porque ela parecia conhecida desde o começo. Como alguém que se conhece na escola e reencontra anos depois. Elas tinham se encontrado em um show da banda dela. Giovana formava a banda com dois de seus primos e com o irmão. Antes, Bruna já tinha ficado algumas vezes com o irmão dela — foi ele quem as apresentou naquela noite. E fez isso assim:
— Aqui, Giovana Jordín, habitada pelo espírito de Emily Dickinson, totalmente apaixonada pela cunhada, no caso, você mesma.
Qualquer pessoa teria morrido de vergonha de tal apresentação, mas não Gio.
— Eu não escrevo poemas, mas escrevo músicas. Tem algum interesse?
Teve, óbvio que teve. Bruna era facilmente atraída por bom humor e beleza, e Gio tinha ambas as coisas. Não se separaram mais depois daquela noite. Já fazia oito meses. Tempo em que Bruna pôde estar em uma espécie de cápsula protetora, que evitava que pensasse em Gabriela tantas horas por dia.
Quando pensou no seu maior medo do confinamento, a resposta veio sem esforço: temia sair da cápsula. Retornar a um estado em que ficou por muito tempo e de onde só Giovana conseguiu tirá-la.
Devia muito a ela, não a queria magoada, de jeito nenhum.
Respirou fundo e desligou o chuveiro. Tinha certeza de que tudo teria sido diferente sem Gabriela na casa.
Saiu do banho, vestiu um roupão, pediu algo para comer no quarto mesmo. Aproveitou para fazer uma skincare e relaxar os pés. Na TV, passava um pedacinho do programa ao vivo agora. Era a festa de Gabriela, que havia pedido para começar com “Gata”, e Bruna seguia se perguntando se era tudo proposital ou não. A festa começou com uma coreografia em sua homenagem, feita por todas as mulheres da casa, e ficou felizinha demais por isso.
Era boba? Às vezes se achava boba, mas pegou seu tripé, montou o celular e, com um turbante de toalha na cabeça mesmo, gravou a coreografia junto com o elenco, enquadrando a si mesma e a TV ao mesmo tempo. Postou o story e as reações foram imediatas. Podia estar enganada, mas não se sentia tão cancelada assim recebendo esse tanto de amor de volta.
Enquanto estava lendo as reações, bateram em sua porta. Deveria ser sua salada? Que rápido! Abriu, e:
— Eu não acredito!
Gio saltou em seu pescoço, sorrindo, entrando rápido para não ser pega, fechando a porta atrás das duas.
— Gio, você...
Ela a beijou, levando Bruna pra trás, com as mãos em todos os lugares ao mesmo tempo.
— Não posso estar aqui.
— Não pode! — Bruna a agarrou pela cintura e a deitou na cama, beijando-a com saudade — Mas você está aqui de alguma maneira.
— Feita uma bandida, já que essas pessoas seguem mantendo você em cativeiro! — Ela tocou o rosto de Bruna, olhando-a nos olhos — Como você está, linda?
— Cansada — Bruna beijou a mão dela com carinho — Estressada — Outro beijo no colo de Gio, onde deitou a cabeça — E confusa.
— Muita coisa aconteceu, não é? — Gio tocou os cabelos de Bruna. Amava aqueles cabelos — Muita informação ao mesmo tempo.
— Como você está, meu amor?
— Cansada, esgotada, com a agenda cheia. Você movimentou a minha vida lá de dentro, viu? Dobramos os shows. “Sagitariana” explodiu de tanto você cantar na casa — Gio sorriu, sincera — Tudo foi muito bem para a banda aqui fora.
— Ainda com as burradas que fiz?
Gio fez um carinho no rosto dela. Notou o programa passando na TV.
— Vai sair da TV aberta, espera — Pegou o celular, abriu um app e espelhou na TV, retornando para o programa.
— Você...?
— Tenho, claro. Como eu ia ficar sem olhar para esse teu rosto lindo 24 horas por dia...?
Bruna abriu um sorriso. Correu a mão por aquele rosto que adorava e a beijou de novo, empurrando-a de leve para trás na cama.
E aquelas mãos só abriram o seu roupão.
Fizeram amor. Mas, antes, Bruna desligou a TV, porque, muito bobamente, pensou que não queria que Gabriela visse.
Foram interrompidas por batidas na porta do quarto.
Bruna já tinha gozado. Precisava tanto daquilo, daquele alívio. Estava trancada naquele lugar há um mês. E Gio também havia acabado de gozar. Bruna tinha certeza de que a moça da salada havia ouvido tudo. A cara dela estava impagável quando apareceu só pela metade na porta para receber seu jantar.
— Olha o que você me faz passar, Giovana! — Bruna estava sorrindo, e Gio estava rolando de rir na cama.
— Ela vai entender — Ligou a TV novamente, espelhou o celular, e Bruna riu, vindo para a cama com a sua bandeja muito bem servida.
— Você está viciada, linda.
— Esse é um dos melhores elencos femininos já vistos, tá?
Bruna se sentou com a bandeja na cama, pertinho dela. E o áudio da TV pegou a atenção das duas.
Era Monique, chegando perto de Gabriela enquanto um sertanejo tocava.
— Você, sua falsa, eliminou a nossa gata — Ela disse, já se chegando, carinhosa. Gabriela a pegou pela cintura, abraçando-a, balançando suavemente com ela.
— Quem leva é Deus, eu só puxei o gatilho — Gabriela fez a piadinha sabendo que era muito infame, o que fez Monique rir.
— Sonsa! Eliminou a gostosa e agora está toda triste na própria festa.
— Estou mesmo. Espero que ela entenda, Monique.
— Você já entende o que fez e por quê?
Gabriela não respondeu. Apenas a tirou para dançar juntinho, muito agarrada, cantando um trecho da música no ouvido dela:
— ♪ A cada palavra doía demais, falando e me olhando com cara de quem já não ama mais! E terminou com calma... ♪ — Dançava com ela, muito grudadinha — ♪ Sem mágoa, sem ranço e sem raiva... ♪ — Alcançava as notas com facilidade, colando o corpo ao de Monique — ♪ Não teve traição, nem conversa fiada... Só olhou na minha cara e falou: me ajuda com a mala... ♪
— Meu Deus, Gabriela...! — Monique reclamou no ouvido dela.
— O que foi?
— Eu gosto de mulher, você esquece! — Ela disse, fazendo Gabriela rir demais.
Não só Gabriela, como Gio e Bruna também riram muito vendo a cena.
— A Gabriela está conhecida aqui fora como torturadora das gays. Está aí o motivo, bem autoexplicativo. Ela é magnética.
— Ela é, sempre atraiu a atenção feminina.
Giovana olhou para Bruna, estavam comendo juntas.
— Sabia que tem ship para vocês duas, né?
— A Júlia me falou rapidamente. Me perguntaram sobre isso em algumas entrevistas, mas ainda não parei para ver nada.
— Gabruna é a hashtag, o emoji é uma xícara de chá, por conta da cena da fotografia. A música que eles usaram no edit deu um salto no Spotify.
— E qual foi a música?
— “Thank You”. Aliás, usaram umas quatro músicas diferentes da Dido para vocês.
— Teve tudo isso de VT, Gio?
— Teve! A energia de vocês duas agradou demais.
— Mas nem tanto, né? Estou aqui fora.
— Mas por muito pouco. Acho que... — Gio comeu outra garfada de salada — A Gabriela não foi a passeio. Ela entrou com uma estratégia formada, mas deu de cara com você lá dentro e a estratégia foi para o ralo por um período. Quando ela votou em você, acho que foi para retomar a estratégia. Ela quer ganhar, e quem quer ganhar tem que arriscar, tem que... mirar na rainha.
— Eu ainda vou ver com calma tudo que aconteceu, mas não acho que esse seja o jogo dela. Você leu Game of Thrones, não leu? Gabriela não é Daenerys Targaryen em busca do seu trono, ela é... Arianne Martell.
— The Queen Maker — Gio pegou a referência imediatamente, com um sorriso no rosto.
— A fazedora de rainhas. Ela sabe que dificilmente irá ganhar. Por tradição, camarotes não ganham, mas ela pode fazer uma vencedora. Qual pipoca está disparada na frente dos outros?
— Nuna Martins. Com uma larga vantagem.
— Essa é a vencedora que ela vai tentar fazer. Acho que ela sabia de tudo, Gio. Já esperava a votação em cima da Nuna. Essa votação foi tripla, mas o confronto, duplo. Era eu contra a Nuna, e ela me venceu. Gabriela é formada em Game of Thrones, ela sabe muito bem o que está fazendo.
— E por que indicar você? Eu ainda não entendi isso até agora, olha ela ali — Mostrou a TV — Ela está sofrendo mesmo, é real, não é cena.
— Eu não sei bem se não é cena, mas sobre a indicação... — Bruna pegou outra bocada de salada — Ela se colocou no paredão semana passada.
— Corajosamente, inclusive.
— Sim, mas acho que talvez ela quisesse sair. Quisesse se eliminar, porque eu estava lá.
— Mas ela não passou nem perto de sair, Bru, você sabe, né?
— Sei. Ela conquista fácil. E, como ela não saiu, arriscou: assumiu o papel de vilã. Se aproximou mais no sábado e votou em mim no domingo. Acho que a ideia era trocar de lugar comigo nesse arquétipo de vilã que eu já estava carregando, mas não deu muito certo. Aí fiz aquele fuzuê todo na segunda.
— Bruna, esse foi seu ponto de virada!
— Como assim?
— O barraco na piscina gerou muito engajamento positivo, uma verdadeira onda se levantou para te salvar, mas acabou não dando tempo. Sabe como interpreto isso? Aquela que pulou na piscina com microfone é você em estado bruto. É você por inteira, a sua essência principal, forte, sem medo, justa, exagerada, intensa. Os contidos que se retirem, aquela é você cem por cento e o público adorou ver isso. Olha... mais alguns minutos e a gente tinha virado o jogo.
Bruna a olhou nos olhos. Beijou a mão dela com carinho.
— Você não saiu do meu time.
— Claro que não, Bru! Você acha?
— Pelo que acabei fazendo com a Monique... achei que — Bruna respirou fundo — você nunca mais fosse querer olhar na minha cara.
— Não por isso. Você é uma mulher livre, sempre foi, me avisou isso lá no nosso começo, quando ficou de preconceito comigo.
— Você é uma bebezinha! Seis anos mais nova que eu, Gio.
— E fez diferença em algum momento?
— Muito pelo contrário, olha a sua reação aqui. Mais madura que muita gente mais velha que já conheci.
Giovana a beijou mais uma vez, puxando-a pela nuca, muito carinhosa. Então, colocou uma pequena distância entre elas.
— Mas, Bruna, pensei muito nesses dias e, pela Monique, estaria tudo certo entre a gente aqui fora. Mas a questão não é ela. Juntei umas peças do quebra-cabeça e acho que já entendi mais ou menos algumas coisas.
Bruna tentou ajustar o que ela estava dizendo.
— Você está dizendo que vamos... terminar?
— Apenas o namoro, que, no final das contas, não era o seu objetivo original comigo, eu sei — Ela falou, sorrindo, de maneira calma, sincera.
— Claro que não, Gio, eu quis namorar também! Por que está dizendo isso?
— Porque sei que você acabou entrando nessa de namoro pela pressão da minha família, por eu ser mais nova. Você me disse várias vezes que não estava pronta para namorar porque seguia... meio presa em alguém. A gente funciona das duas maneiras, no namoro e na amizade colorida.
— Gio...
— Só... me fala dela. Do que aconteceu lá dentro, do que você sentiu.
— Eu só estava em carência física, a Monique sabe disso, era o mesmo para ela também e...
— Não, Bruna: quero saber sobre a Gabriela. Foi ela quem levou a minha namorada — Gio disse, ainda sorrindo — Me fala dela, de vocês, de onde tudo aconteceu.
— Gio, é que...
— Só me conta. Eu realmente quero saber. Eu e as milhares de gabruna shippers que vocês arrumaram na internet. Se aquela sonsa achou que ia se expor para milhões de pessoas com você e a química ia passar despercebida, ela errou demais! — Outro sorriso muito sincero.
Bruna respirou fundo.
— Gio, eu não sei bem o que deu a transparecer pela TV, mas as coisas não são exatamente desta forma que você está pensando.
— Bruna, sabe o que é mais interessante do que você e a Gabriela terem apartamentos um de frente para o outro em São Paulo? É vocês terem estado no mesmo período em Nova York, por exemplo. Ou em Roma, ou, mais especificamente ainda, em Veneza.
— A gente trabalha com beleza, essas coincidências acontecem.
Gio abriu um sorriso.
— Vocês MORARAM no mesmo período em Seul. Seul, Bruna, durante a sua pós em cosmetologia — Agora, Bruna já estava rindo demais.
— Giovana, como você buscou todos esses dados, gente?!
— Eu mesma não busquei, mas uma querida da internet fez uma thread cruzando postagens das redes sociais de vocês duas e o resultado é uma lista imensa de “coincidências geográficas”. Vai, me deixa saber primeiro. Qual é a história? Sua e da Gabriela?
Bruna sustentou o olhar.
— Você tem quanto tempo?
— Eu? Pretendo sair deste quarto com você só amanhã de manhã! — Ela riu, pegando outro pedacinho de fruta da bandeja e se acomodando mais confortavelmente — Vamos lá, me conta tudo. Do começo.






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