Vulnerável 14
- Riesa Editora

- há 3 dias
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Pessoa Certa, Hora Errada
Quando Bruna abriu os olhos naquela manhã, as portas de vidro descortinadas deixavam claro que todas as sensações que sentia pelo corpo tinham mesmo acontecido. E o jeito como estava sendo abraçada...
Abriu um sorriso. Gabriela estava toda agarrada ao seu corpo, o nariz enterrado em sua nuca, e a única coisa que Bruna pediu mentalmente foi que ela não acordasse arrependida, porque só conseguia reafirmar que havia tido a melhor noite da sua vida.
Porém, antes que o medo crescesse...
Gabriela se grudou ao seu corpo um pouquinho mais forte. Os lábios em sua nuca e a mão dela... direto para o seu seio. Uma pegada densa, um carinho que fez Bruna suspirar.
— Gab...
— Não vem com Gab, você está nua em mim.
Fazia todo sentido. Virou-se para ela e se beijaram antes de qualquer coisa. As mãos pelo rosto, pelo cabelo, o cheiro delas se misturando, a cidade amanhecendo lá fora. Ainda estava amanhecendo; deveriam ter dormido por, no máximo, duas horas e...
Bruna girou, se sentando, puxando Gabriela para o seu colo, beijando-a, mantendo-a toda grudada em si. Então, se esticou, pegou o celular, colocou uma música que conhecia bem:
"Thank You", Dido.
Foi assim que começaram o dia, fazendo amor, grudadinhas uma na outra. São Paulo amanhecendo em tons dourados lá fora, a acústica do quarto se misturando à playlist e a gemidos femininos. Ter Gabriela subindo e descendo pelo seu colo, agarrada em seu pescoço, sem tirar aqueles olhos verde-baja-mar dos seus...
Bruna a fez gozar assim, em seu colo, buscando aquele pontinho sensível dentro dela que a fazia gemer o seu nome e pequenas declarações. E, quando ainda achou que ela poderia estar estranha ou qualquer outra coisa, Gabriela apenas a deitou para trás, desceu beijos pelo seu corpo inteiro, deslizou um dedo para dentro de Bruna e a língua pelo seu sexo.
Nenhum pudor, apenas as duas, a intensidade, a pele de uma vestindo a outra, os batimentos acelerados. Bruna jogou o pescoço para trás, sentindo toda aquela pressão gostosa, os dedos agarrando o braço de Gabriela e aquela visão dela, entre as suas coxas, aqueles olhos claros...
Gozou quando Gabriela a olhou. E sabia que seus dedos ficariam marcados no braço dela.
Gabriela sorriu, sabendo que o seu corpo tinha um instinto. Subiu para beijar Bruna, porque beijar aquela boca gostosa era tão bom quanto gozar com ela ou fazê-la gozar.
Apertou os olhos e se afastou um pouquinho.
— Bruna, esse chupão aqui... — Era uma marca de boca no seio dela.
— Esse aqui, libriana? Uma menina me empurrou na parede no banheiro ontem.
— Ah, uma menina?
— Enfiou a cara no meu decote e fez isso aqui que você está vendo.
A descarada escondeu o rosto no pescoço de Bruna, rindo demais.
— Bru, meu coração até acelerou aqui.
— Você sabe que fiquei com outra pessoa ontem, não sabe, Gab?
— Sei, fiquei louca assistindo. Mas eu ia sentir um pouquinho se soubesse que teve mais coisa ontem, porque... a nossa noite foi linda. E eu, infelizmente, tenho esse probleminha, sabe?
— De ter ciúmes.
— Do que nem é meu — Gabriela olhou naqueles olhos castanhos e ressaltou: — Ainda.
Bruna acabou sorrindo. Como não ia sorrir para algo assim?
— Tem um mês.
— O que tem um mês, amor? — Gabriela se esticou até o telefone ao lado da cama.
— Que eu não vou para a cama com ninguém. Sabe o que aconteceu há um mês?
Foi a vez de Gabriela sorrir.
— A gente se cruzou de novo.
— Não é para ficar convencida, Gab, mas foi isso mesmo — Bruna beijou a mão dela, que fazia um carinho em seu rosto, e alguém atendeu Gabriela do outro lado da linha.
— Por favor, você poderia mandar o café da manhã no quarto? Isso, café para duas. Quanto tempo? Ok, muito obrigada! — Desligou e se voltou para Bruna mais uma vez — Está só me seduzindo?
— Não estou, não. Acho que nem fiz essa parte com você direito, inclusive.
— Me seduzir? Tem certeza de que não fez? Ontem fui brutalmente atacada por uma gata no banheiro — Mais risadas, das duas. Gabriela fez um carinho em Bruna.
— Ataquei, mas, quando você não recuou... só fui em frente, Gab.
— Concluir o ataque da presa, eu sei como foi, me lembro muito bem — Gabriela deitou-se no peito dela outra vez, ficando toda enroscada nela. As duas quentes, ainda dentro daquela intensidade — Eu tinha um pressentimento de que a gente ia se esbarrar de novo, não era possível que não fosse acontecer.
— Eu também tinha esse feeling, acho que por isso não puxei assunto com você antes. Se fosse para ser, seria.
— Sim, iria acontecer de qualquer maneira — Silêncio, olhos nos olhos, castanho-italiano em verde-baja-mar — Eu pedi café pra gente, chega em vinte minutos. Quer ir para o banho?
Queria.
Foram para o banho, numa velocidade lenta, despretensiosa, de quem anseia para que algo dure um pouco mais. Se beijaram, ficaram de carinho, de conversa e, quando estavam botando o roupão, batidas na porta e o celular de Bruna tocando insistentemente. Gabriela foi atender à porta, e Bruna, ao celular.
Era Dara. Preocupada, querendo saber onde a amiga estava, se havia esquecido da agenda do dia.
— Dara, está tudo bem.
— É que você não costuma dormir fora de casa, Bruna — Ela respondeu, em um tom que deu para Gabriela ouvir. Deu um sorrisinho ao entender aquela informação — Você vai cumprir sua agenda da manhã?
— Da manhã, não, não tem como. Preciso de mais algumas horas pra mim.
— Mas, e a agenda da tarde...?
— Sim, é importante, não vou perder. Pode deixar as minhas coisas prontas? Passo para pegar e vou direto para o casting.
Quando Bruna desligou, o café já estava servido na mesa com vista para São Paulo, já devidamente amanhecida.
— Que horas é o seu casting, linda? — Gabriela perguntou quando Bruna veio para a mesa.
— Às quinze. Vou maquiar para um casting da...
— São Paulo Fashion Week — Gabriela estava sorrindo demais — Sabe o que é bem engraçado? Essa cidade separou a gente por três anos, para agora juntar de novo em eventos seguidos.
— Você... Sério?!
— Meu casting é para Juliana Jabour. Eu não sou muito de passarela, mas... — Gabriela estava servindo café para as duas — faz parte de um projeto que se inicia no próximo mês.
Bruna olhava para ela.
— Tem alguma coisa que você queira contar sobre esse projeto, Gab?
— Tem, mas estou com medo de estar indo rápido demais, me preocupando com uma coisa que... nem sei. A gente só teve uma noite, né?
Bruna pegou a mão dela.
— Gabriela, eu não sei você, mas eu nunca tive uma noite como a de ontem antes — Falou, em tom leve, descontraído.
— Se você não teve, imagina eu, Bru. Eu nunca... fui tão livre com alguém antes. Fiquei muito à vontade, me diverti pra caramba, achei que nem daria conta de te acompanhar, você não para nunca.
Bruna estava sorrindo grande demais.
— Eu já sou naturalmente assim, mas piorou com o tanto de chocolates e Coca-Cola, com toda certeza! E você ficou comigo, no mesmo ritmo.
— Fiz o meu melhor para te acompanhar. Acho que... sabe o nosso primeiro encontro?
— No ensaio da Brennheisen, claro que sim.
— Nosso primeiro encontro naquele banheiro, na verdade. Acho que tudo começou diferente ali porque... Bruna, nunca, nunca mesmo, ninguém havia reagido daquela forma a uma crise minha. As pessoas se afastam em crises assim. Elas não se aproximam e vão para o meu colo, para que eu não me machuque.
Bruna tocou o rosto dela.
— Como eu poderia me isentar, Gab? Com você vulnerável daquela forma?
— Ah, todo mundo arruma um jeito de se isentar, muito mais vezes do que você imagina. Mas você... me viu despida na minha última camada. E entrou nela. Ficou comigo, me acalmou, me ouviu. Fiquei pensando nisso por muito tempo. Via você no Instagram e me lembrava de tudo. Vi você ontem aqui comigo e me lembrei de tudo. Não faz sentido você já ter estado na minha última camada e eu te tirar de lá.
Outro olhar carinhoso de Bruna. Inclinou-se para beijá-la.
— E como estão as crises agora, linda? Pararam?
— Não pararam, mas estão bem melhores. Tenho me cuidado mais, tendo disciplina na terapia, não preciso mais de remédios. As coisas mudaram muito rápido depois daquele dia, acho que você me deu sorte.
— Você me deu sorte, tanta sorte que... — Bruna sorriu — Conta primeiro a sua informação. Essa que você está achando que está indo rápido demais.
— Então... — Gabriela respirou fundo — Mês que vem, eu embarco para Milão.
— Itália! Está na minha lista de lugares que quero conhecer — Bruna comeu um pedaço delicioso de bolo — Por quanto tempo?
Gabriela olhou nos olhos dela.
— Um ano.
E essa informação fez Bruna parar de comer.
— Um ano, Gab? Um ano inteiro?
— Vou fazer uma pós-graduação em negócios, na área da moda. Me formei este ano e a minha mãe acha que vai ser bom pra mim, que fará diferença na minha carreira. E eu vou mês que vem.
— Bem... — Bruna se recostou na cadeira, processando aquela informação — Pessoa certa, hora errada.
— Como?
— Ou pessoa certa e hora certa também. Gab, estou indo para Nova York em um mês, mais ou menos. A Marcela está indo pra lá, trabalhar com produção de moda, e me convidou para ir junto. É o tipo de oportunidade que...
— Não dá para deixar passar. Você trabalha com moda, com maquiagem; se tem um lugar onde deve estar, é em Nova York, Bru. Caramba...! — Gabriela acabou sorrindo. Aquilo era grande demais.
— Eu sei! Eu estava bem animada até ontem, mas agora pela manhã... Vou ser sincera com você. Aliás, acho que fico transparente automaticamente com você por perto. Foi assim lá na Brennheisen, nos outros encontros, foi assim ontem. Eu gostei pra caramba de ficar com você, estou amando nossa manhã de namoro, banho juntas, café com vista, a nossa conversa que nunca termina. O que é de verdade não requer esforço. Eu queria ter mais disso aqui.
— E a gente vai ter mais. Preciso disso. Quanto tempo você vai ficar em Nova York? — Gabriela a olhava intensamente.
— É por seis meses, inicialmente.
— Inicialmente mesmo, porque do jeito que você é talentosa, não duvido que fique por lá por um ano inteiro também. Espera um pouco — Gabriela pegou o celular, fez uma pesquisa rápida — De qualquer forma, estaremos mais perto do que se uma de nós ficasse em São Paulo durante este período. Tudo bem, olha, o que você acha de a gente não pular etapas?
— Acho o ideal, Gab, mas tenho umas perguntas.
— Pois faça todas. O que você quer saber?
— Para você não ter me levado para sua casa, tem algumas alternativas, certo?
— Sim, tem algumas. Bem, eu não moro mais sozinha. Faz um ano que uma das minhas primas se mudou para me ajudar. Você deve imaginar que, se eu chegasse com você, poderia causar um estranhamento. E a gente não teria liberdade para fazer uma rave de madrugada, nem nada parecido.
— Não teria mesmo. Meu Deus! Você me sequestrou de BMW para um hotel de luxo. Nem nos melhores romances eróticos eu imaginaria algo assim.
Gabriela riu demais, colocando geleia em uma torrada.
— Você gosta de ler romance erótico?
— Todos eles! Os piores, aqueles que ninguém lê, eu vou lá e leio.
— Amo ler também, sou leitora compulsiva, mas te confesso que esse gênero...
— Você nem deve passar perto, Gab, não indico pra ninguém! Outra pergunta, talvez precipitada, mas vamos continuar sendo sinceras aqui. Qual é o seu nível de preocupação em manter o que está acontecendo entre a gente em privado?
— Ah, Bru, então... é que eu ainda estou assimilando tudo, é muito novo pra mim.
— Ei, ei — Bruna segurou a mão dela — Não estou te cobrando nada. As coisas acabaram de acontecer, você precisa de um tempo para entender tudo. Eu só quero saber como devo me portar quando te encontrar por aí. O que você me disser para fazer, eu vou fazer.
Gabriela beijou a mão dela, que segurava a sua.
— Gostosa e compreensiva, olha o combo que estou beijando — Disse, fazendo Bruna rir demais. Gabriela era toda séria, mas o senso de humor dela... Bruna sabia que tinha se atraído por isso também — Bem, minha vez de te deixar convencida. Quando a gente se conheceu, eu estava namorando, não sei se falamos disso.
— O carinha da Hillsong, eu me lembro sim. Namorava o menino desde os quinze.
— Isso. E terminei com ele depois... — olhou nos olhos dela. Bruna ia ficar insuportável de convencida, mas, transparência, já tinham um pacto — que a gente se cruzou.
E os olhos de Bruna praticamente flamejaram.
— Gabriela, você terminou um namoro de três anos porque a gente se conheceu...?
— E terminei outro de um ano depois que nos cruzamos mês passado.
— Terminou porque a gente se encontrou numa festa? — Bruna sorriu, encantada.
— E, ainda por cima, você beijou outras nessa mesma festa, mas... eu já sabia.
— Sabia o quê, sua convencida?
— Que logo você ia estar me beijando e eu queria estar solteira para não sentir culpa. Eu só acordei no outro dia, o chamei para conversar, tomamos café e terminamos.
— Assim, sem nenhuma explicação?
— Tentei ser o mais direta possível, Bru. Porém, apesar de ele ter respeitado a minha decisão, após, sei lá, uma semana de muita conversa, ele ainda não entendeu e segue me procurando. E, se eu começar a aparecer com você... Como digo isso sem soar grosseira? Porque não é essa a intenção.
— Você quer comentar que todo mundo que aparece ao meu lado, a imprensa arco-íris divulga que estou pegando.
— Imprensa arco-íris? — Gabriela perguntou, sorrindo.
— Não tem a imprensa marrom? Então, chamo os fofoqueiros de imprensa arco-íris — Bruna completou, sorrindo demais — Há um ano que eu não posso aparecer com ninguém sem que burburinhos surjam.
— Por que será, né? Estou me perguntando aqui — Respondeu, arrancando mais uma risada gostosa de Bruna.
— Bissexualidade está na moda, a culpa não é minha, viu?
— Você interessa mais a eles do que eu, Bru. Eu não dou tanta matéria interessante assim. Sabe? Te vejo cada vez mais em matérias, publicidades, vejo o tanto de curtidas que você recebe. Não era assim há três anos.
— Não era mesmo. E nem você era assim há três anos. Era a pobre herdeira falida e agora, aqui estamos, no Tivoli Mofarrej, e você trouxe a gente pra cá numa BMW.
— Trouxe, mas é super-recente. Comecei a ganhar um dinheiro considerável no começo do ano, peguei campanhas grandes, algumas capas.
— Campanha para a Swarovski, capa da Vogue Brasil.
Gabriela abriu um sorriso brilhante.
— Você viu?
— Vejo tudo de você, Gab.
— É o meu contrato com a Swarovski que vai me levar para a Itália. E, voltando ao assunto sobre aparecer em público ou não... a minha família é bem conservadora. A minha mãe é literalmente uma opressora profissional, ficou pior depois que o meu pai morreu. Ela está trabalhando comigo, cuida de alguns detalhes da minha carreira. Mas ela me sufoca. Então, se a gente puder só... manter mais protegido?
— Podemos sim, linda. Até entender tudo, assimilar, não vou contar nem para a Dara. Fica mais tranquila assim?
Gabriela sorriu, porque ficava mesmo.
O tempo desapareceu. Quando se deram conta, já estavam atrasadas, haviam feito amor umas quatro vezes, e Gabriela parecia...
— Acho que preciso alimentar a minha modelo — Bruna se arrumava, assistindo Gabriela fazer tudo numa velocidade quase engraçada.
— Você me drenou, feito uma vampira.
— Amo vampiros! Gab, você lê em inglês, né?
— Leio, minha gostosa. Em espanhol e francês também.
Bruna sorriu.
— Tão inteligente — Sentou-se no colo dela.
— E você é uma delícia, meu Deus...! — Gabriela a agarrou, beijando-a, cheirando-a, mordendo pedacinhos dela — Bru, se você não se vestir, sou incapaz de sair daqui.
Era uma verdade.
Bruna terminou de se vestir, estilo quase oversized. Gabriela era mais alta e usava tamanhos maiores no seu dia a dia, mas deram um jeito. Jeans, cropped, o terninho da noite anterior por cima, tudo em ordem. E Gabriela ficou linda com o simples, sem maquiagem, boné, jeans, botas, camiseta, jaqueta. Se beijaram na saída do quarto, muito apegadas, ninguém queria ir embora dali.
— Te vejo em uma hora?
— Não, Bru, eu vou te levar.
— Até em casa?
— Sim, e depois, até o casting. É no mesmo lugar.
— Gabriela, quantos carros como a sua BMW existem nesta cidade?
— Um monte, meu amor, mas ela não é minha, é alugada. Ainda não passei a ganhar tão bem assim.
Foram de BMW, primeiro até Pinheiros, não estavam longe. Bruna desceu para pegar suas coisas e Dara estava enlouquecida.
— Eu não acredito que você arrumou um CEO gostoso!
Bruna gargalhou enquanto conferia a maleta, vendo se todos os produtos estavam nela.
— Uma modelo gostosa, está bem?
— Mentira que é uma mulher, Bru!
— E ela é maravilhosa, amiga, você não faz ideia!
— E por que ela não subiu aqui para eu fazer essa ideia toda, hein?
Bruna a olhou, sorrindo, fechando a maleta.
— Gata sigilosa.
— E desde quando você fica em sigilo?
— Desde quando é necessário. E quando vale a pena — Beijou Dara — Agora tenho que correr, estou quase atrasada.
— Me conta tudo no retorno?
— Tudo, conto sim, pode deixar.
Desceu correndo e entrou no carro.
— Lembra que você me disse que era piloto de kart? Então, é um belo momento para você me apavorar correndo, porque, se a gente se atrasar, as duas perdem o casting.
Gabriela abriu um sorriso. Gostosa e ainda a mandava correr, estava mais ferrada do que imaginava.
Seu coração acelerou no peito de uma maneira nova.





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