top of page

Vulnerável 15


Vauthier


Chegaram juntas, mas subiram separadas.


Bruna estava sendo mais cuidadosa, porque, nos olhos de Gabriela, até a cor parecia diferente — mais clara. Ela estava eufórica de tão feliz, e Bruna não queria que tal euforia pudesse prejudicá-las tão rápido. Haviam conversado bastante sobre discrição.


E, se Bruna tivesse uma mãe como Débora Habren, também seria discreta, principalmente no que tocava à sexualidade.


Então fez Gabriela subir primeiro. Sempre tinha um brunch muito bem servido quando trabalhavam para aquele estúdio. Ficou no carro um pouco mais, respondendo alguns e-mails importantes, checando sua agenda. Iriam filmar um comercial de perfume e Bruna tinha uma reunião logo em seguida, para tratar sobre a SPFW. Seu ano havia começado extraordinário e continuava assim. Pensou na noite anterior. Sorrir foi a resposta automática.


Chegou e, para sua surpresa, não só estariam no mesmo estúdio, como trabalhariam juntas novamente. Não tinham contado uma à outra o que fariam, mas foi uma grata surpresa encontrar Gabriela esperando em sua cadeira de maquiagem.


— Gabriela Habren...?

— Bruna Ribeiro, quanto tempo — Ela disse, muito sonsa, e Bruna não aguentou, abriu um sorriso.

— Muito tempo mesmo! — Se abaixou, de modo que só ela pudesse ouvir — Você não ia fazer um casting?

— Eu já fiz. Não era bem um casting, era só assinar o contrato. O próximo compromisso é esse aqui. E o seu casting?

— Vou maquiar aqui e depois vou pra lá! Ok — Se afastou — Vou olhar o roteiro e o dashboard, já volto pra você.

— Então, li que preciso parecer poderosa — Gabriela informou, comendo um pote de frutinhas, com aquele sorriso aberto e uma perna que não parava de bater. Bruna teve que se controlar muito para não acalmar aquela euforia com um beijinho.

— Eu cuido disso, pode deixar.


Bruna foi encontrar Marcela, que já estava separando as peças do styling. Conversaram rápido, Bruna geralmente via tudo isso antes, mas era um dia atípico.


— É um comercial de perfume, bem refinado. Vamos gravar todas as cenas aqui, temos três modelos e esse storytelling. E muito importante, Bru: temos cinco horas para garantir tudo isso. Só faça a sua mágica.


Um sorriso escapou de Bruna. Era maravilhoso ter cada vez mais liberdade para criar. E isso veio com as pessoas confiando no seu trabalho, sabendo que era boa no que fazia.


Maquiou Gabriela primeiro; depois, as duas outras modelos. Sempre fazia massagem facial antes. Mas, com sua garota, fez de maneira ainda mais especial.


“Senti falta dos seus dedos”, ela disse em algum momento daquele dia. Estava falando da massagem facial, sorriu ao pensar que agora tinha mais do que um significado.


Quando estava terminando a última modelo, Gabriela reapareceu, já vestida, entrando no estúdio para um teste de luz, e Bruna teve que respirar muito fundo. Ela estava... deslumbrante! Os cabelos perfeitos, mais iluminados, penteados para trás, os olhos claros como o mar mais paradisíaco que se pode imaginar. Bruna havia feito assim: uma maquiagem leve, iluminada, refinada, tal como o ensaio pedia.


E o vestido era feito de sobreposições, majoritariamente preto, com detalhes em dourado que refletiam os tons obscuros, mais curto em uma coxa, sobreposto na outra, sem alças, valorizando o colo elegante de Gabriela. A linha supermarcada da clavícula, que era um dos motivos pelos quais as grifes de joias a disputavam tanto.


As argolas douradas, o scarpin de sola vermelha, as pulseiras grandes no punho esquerdo. Ok, sabia o quanto aquela menina era linda, mas sinceramente...


Mordeu a boca.


Terminou de maquiar a última modelo, foi até o fotógrafo e o videomaker que conhecia muito bem. Trocou algumas palavras com eles, conferiu os testes de câmera. Então pegou um cappuccino no brunch e, com os olhos grudados em Gabriela, sentou-se para assistir ao ensaio.


E nem de longe ela lembrava aquela garota que havia conhecido há três anos. A insegura, que não sabia o que fazer diante de uma câmera, que não fazia ideia do quanto era linda, sexy, atraente para os olhos. Agora, Gabriela sabia que era tudo isso, sabia se mover como ninguém, seduzia a câmera e seduzia Bruna.


E ela estava posando para Bruna, buscando-a o tempo todo. Sedução era o que o ensaio pedia — e ela sabia fazer como ninguém. Os olhos muito verdes, extremamente claros, e uma movimentação que...


Era o movimento de quem já tinha vencido.


No meio do ensaio, Bruna teve a sua reunião de casting. O produtor a encontrou ali mesmo, e apenas foram até uma janela para conversarem melhor. Bruna iria maquiar para seis marcas diferentes. Tinha trabalhos a semana inteira, foi convidada para mais um, sim, conseguia fazer e, por último, ele deixou um convite diferente:


— Ela insistiu, Bruna. Viu seu ensaio fotográfico para a marca, aquele que você fez por você mesma, se interessou em descobrir quem você é. Então fez o convite, quer que você assista ao desfile.


Bruna abriu um sorriso.


— Claro! Claro que sim, é a minha marca preferida!

— Sabe o que pensei? É uma porta abrindo em Nova York e você nem sequer embarcou ainda. Tem coisa grande vindo aí, tenho certeza disso. Agora, um último detalhe, temos essa marca aqui... — Ele mostrou a marca, Bruna até arqueou a sobrancelha.

— Essa marca...?

— Quer que você desfile.


E isso, sim, pegou Bruna de surpresa.


— Desfilar?


Ele explicou melhor. A marca estava interessada em levar algumas não-modelos para a passarela. Interessante, Bruna até podia, desde que discutissem seu cachê.


E, desde o começo da conversa, ela notou que não teria cachê. Era um convite mesmo, algo a ser feito de boa vontade, e o pagamento seria com gratidão, mas as contas no final do mês não aceitavam gratidão como pagamento. Então, percebendo isso, gentilmente recusou.


Houve uma insistência, claro, sobre a chance única de desfilar no maior evento de moda do país, para uma grande grife, sendo que Bruna oficialmente não era modelo. Ela sorriu, sorriu e recusou mais uma vez, e quando estava prestes a ir embora, por fim, a conversa mudou.


Rapidamente, surgiu um cachê. Era bom o suficiente para quem já estaria entrando na sua décima quarta hora de trabalho naquele mesmo dia. Negócio feito, tudo certinho. Gabriela ouviu a conversa, toda a negociação, mordeu a boca sem sequer perceber.


Meia hora depois, tinham mais do que o suficiente. E, enquanto as modelos estavam vendo alguns takes no computador, Bruna se aproximou de Marcela.


— Eu quero aquele vestido.

— Qual?

— O Vauthier — Bruna sorriu.

— O que a Gabriela está vestindo?

— Esse mesmo. Você consegue ver pra mim?

— Só um minutinho que vejo aqui com a loja — Marcela pegou o celular, digitou, resposta rápida — Está disponível, é esse valor aqui — Mostrou para Bruna.

— Ok, quero também os sapatos e os brincos.


Marcela sorriu.


— Os sapatos são Christian Louboutin e os brincos são Eduarda Brunelli, Bruna.

— Eu quero também.


Outro olhar de Marcela.


— Você está ganhando muito bem, não é?

— Digamos que eu esteja.

— Comprando em cinco dígitos — Marcela a olhava de maneira engraçada.

À vista. Me manda o valor total que eu já te transfiro.

— Ok, vendido para Bruna Ribeiro. Vou ajudar a Gabriela a tirar para ser mais rápido — Foi parada pela mão de Bruna em seu braço.

— Você não ouse!


Outro olhar de Marcela. Ela correu a língua pelos lábios, sorrindo, de repente entendendo tudo.


— É você quem vai tirar!

— Eu não disse isso.

— Bruna, você...?!

— Não estou dizendo nada, só que eu pego tudo com ela — Respondeu, sorrindo, fazendo a transferência no celular.

— Bru, ela saiu da Hillsong, tá? Se você não planejou este ataque, eu te digo que essa é a hora: fé abalada, território menos protegido.

— Você é muito besta, viu?

— Eu sou, você que não é! Se você me compra um Vauthier desses, nem pensava duas vezes.


Bruna riu e mandou uma mensagem para Gabriela em seguida.


“Quando terminar, só desce, não precisa se trocar.”

“Como assim, Bru?”

“Só desce. Já cuidei dessa parte. Tira só as pulseiras, elas vão me atrapalhar...”


Gabriela deixou um sorriso escapar. Despediu-se das modelos, agradeceu à equipe, devolveu as pulseiras, pegou suas coisas e foi esperar Bruna no carro. Respondeu uns e-mails, falou com Rebeca, explicou que passaria a noite fora de novo. Sua prima não estava entendendo nada, mas não tinha tempo para explicar.


Logo, Bruna apareceu, colocou suas coisas no banco de trás e a beijou rapidinho.


— Você emprestou o vestido?

— Não, Gab. Eu quero poder tirar de você mais de uma vez — Bruna respondeu, tocando o rosto dela — Dirige para o nosso hotel.

— Bruna... — Saiu em um gemido.


Bruna deslizou a mão por entre as coxas dela, firmemente, beijando-a no pescoço.


— Para o hotel, meu amor.


Gabriela se especializaria em dirigir aquela BMW sob pressão.


Não havia encerrado a conta no hotel. Queria voltar com Bruna, precisava de outra noite com ela, ficarem juntas o máximo que pudessem. Seus sentimentos estavam uma bagunça, e o tesão não passava.


Havia fotografado para ela e sentido os olhos de Bruna em si o tempo todo, um ardor pulsando, uma vontade quase incontrolável de fazer tudo de novo.


Se fosse contar todas as vezes que pensou em arrastá-la para um banheiro…


Estacionou. Bruna deixou um beijo forte em seu decote e a chamou para subir.


Elevadores diferentes, ela exigiu.


— Gab, eu não sei se você está entendendo o que está acontecendo comigo. Se você não quiser dar show numa câmera de segurança, vai no outro, meu amor.


Elevadores separados. O quarto que não chegava nunca.


Pronto, o andar. Gabriela tocou a chave magnética. Abriu a porta.


E assim que pisou no quarto...


Bruna a grudou ali, de imediato. A beijou na boca. A mão desceu entre suas coxas e Gabriela gemeu, ancorando as mãos nos quadris dela. Desceu o terninho pelos braços de Bruna, deixando a peça cair no chão. A sua boca cravou na curva do pescoço dela, excitada, louca por ela.


— Ainda com fome, linda? — Bruna perguntou, correndo as mãos pelas suas coxas, os dedos subindo a barra do seu vestido.

— Você me deixa... — Gabriela murmurou, prendendo o lábio entre os dentes. Bruna ergueu sua perna, grudando-a contra a própria cintura. E o toque dela deslizou para entre as suas coxas — Hmmm, Bru...

— Isso é por mim? — Ela perguntou, sentindo a excitação de Gabriela, a voz mais baixa, sexy demais.

— Amor...


Bruna se virou de costas e encaixou o próprio quadril contra a parte baixa da cintura dela, que gemeu, já a puxando para si.


Sentiu Gabriela contra o próprio corpo. Uma mão dela em sua garganta e a outra buscando seus seios, por dentro do cropped preto.

 

Apertou os lábios.


— Me marca, linda.


A boca de Gabriela sugou a pele do seu ombro, enquanto a mão massageava seu seio, sentindo o mamilo endurecido. Bruna sentiu a marquinha ardendo e se virou de frente, colocando-a contra a parede firmemente, comendo a boca dela num beijo forte, ávido. As pernas se entrelaçando, as duas se roçando uma pela outra, então colocou dois dedos nos lábios dela, parando o beijo.


Chupa.


Imediatamente.


Gabriela chupou os seus dedos. Os olhos de Bruna fixos na boca dela, em cada movimento.


Linda — Disse, hipnotizada — Você parece uma pintura — A pegou pela nuca e a beijou, tirando Gabriela da parede, levando-a para o canto, para cima de um aparador.


Pernas de lado. Mãos por baixo do vestido. Delicadamente, Bruna tirou aquela calcinha minúscula pelas longas pernas de Gabriela.


Bem devagar, deixando beijos por onde o tecido passava. Suavemente, abriu as pernas dela, a puxou contra o seu corpo, a mão a agarrando pela nuca e...


— Por favor — Gabriela sussurrou.

— O quê? Me pede, gostosa.

Dentro de mim.


Bruna a olhou nos olhos e a penetrou. Dois dedos dentro dela, segurando-a pela cintura, as mãos dela se agarrando ao seu corpo. A parede de espelhos refletindo o movimento, os sapatos sendo expulsos dos pés de Gabriela enquanto o beijo não parava, fosse naquela boca, fosse por aquela pele delicada.


Bruna foi fundo e cuidadosa dentro dela, sentindo as unhas de Gabriela cravando em seus braços, por suas costas. As coxas apertando a sua mão, os gemidos ficando altos e os olhos conectados o tempo todo, intensos, transbordando tesão.


E Gabriela não queria parecer tão amadora assim na cama de uma mulher tão experiente, mas, quando percebeu, já estava gozando.


Sentindo o próprio corpo pulsando forte demais, com os dedos cravados em Bruna. A boca grudada no pescoço dela, a pele arrepiada, o coração disparado. Começou a tentar sair daquele vestido e, não, nada disso, Bruna segurou as suas mãos.


— Eu ainda não terminei, meu amor. Quem vai tirar esse vestido de você sou eu — Ela disse, descendo a boca pelo seu pescoço mais uma vez.

— Posso pedir uma coisa, amor?


Bruna parou, olhando naqueles olhos lindos. As pupilas dilatadas. Já tinha visto olhos assim, mas sob o efeito de ecstasy. Sob o efeito de tesão e paixão... era a primeira vez. E era lindo. A beijou, encostou sua testa na dela.


— Você vai conseguir o que quiser de mim com esses olhos, sabia?

— Eu vou? — Gabriela sorriu.

— Vai, sempre, qualquer coisa. O que você quer, meu amor?


Gabriela a beijou, puxando-a pela cintura, mantendo-a entre suas coxas. O corpo ainda todo disparado pelo orgasmo que havia acabado de ter.


— Pedi para lavar as suas roupas de ontem, devem estar no armário. Você pode vestir pra mim?


Bruna sorriu, a pupila tão dilatada quanto a de Gabriela, só não fazia ideia de que também estava assim.


— Eu não deixei você tirar, né?

— E eu precisava tanto.


Aquele sorriso dela. Bruna a beijou mais uma vez.


— Me dá um segundo, vou vestir pra você, não tira nada, amor.

— Você deve ter pagado uns dez mil reais só para tirar este vestido. Isso é poder, Bruna Ribeiro.


Bruna voltou para ela, a segurou pelo queixo, a beijou novamente. Então, a olhou reto nos olhos:


— Isso é vaidade. Ter você é poder.

Mais tarde, Gabriela estava na cama, assistindo Bruna pedir o jantar nua em pelo na sua frente. Haviam feito amor por tanto tempo que já tinha anoitecido e elas nem sabiam que horas eram. O tempo parecia desaparecer sempre que estavam juntas.


— Bru, volta pra cama — Pediu, quando viu que Bruna havia desligado e estava checando as coisas no celular.


Bruna a olhou sorrindo.


— Volto! — Respondeu, deixando o celular de lado e mergulhando na cama, no corpo de Gabriela, buscando o peito dela para se deitar.


Gabriela a apertou, a cheirou e a beijou em seguida. Daí, fez um carinho mais longo nos cabelos dela, se lembrando de algo.


— Ouvi a sua reunião. Você vai desfilar ou ouvi errado?


Bruna sorriu novamente.


— É uma marca grande, né? Já pensou? Nem sou modelo, Gab, e vou desfilar para uma marca grande assim — Contou, muito empolgada.

— Mas você recusou primeiro, não foi?

— Recusei. Primeiro, veio só o convite, nada de cachê. Eu estava louca para aceitar, mas não pode ser assim — O sorriso sempre aberto — Quando cheguei na cidade, trabalhei bastante sem receber nada, só para criar contatos, foi assim que cheguei até a Marcela. Mas agora, as pessoas já conhecem o meu trabalho. Dizer “não” é uma qualificação necessária, linda — Explicou, fazendo um carinho no rosto de Gabriela — Dizer sim para tudo coloca a gente numa situação de “não excepcionalidade”. Você acha que essa marca me quer na passarela por esse rostinho que você adora? Eles me querem naquela passarela porque, junto comigo, eu levo mais seis milhões de pessoas. Você precisa entender isso também.


Gabriela pensou um pouco, guardando-a nos braços.


— Você é a CEO poderosa dessa relação — Disse, fazendo Bruna rir demais.

— É o que quero, sabia? Ter a minha empresa, os meus produtos. Estou indo estudar porque quero mesmo chegar lá, Gab.

— Acredito que não exista nada que você não consiga fazer, meu amor. Não assim, com essa tenacidade, essa coragem toda. Bruna, posso ser transparente?

— Sempre, linda. Me fala o que você quer.

— Como vou me separar de você?

— Em um mês?

Em um dia. Como vou fazer isso, Bru?


Tiveram que se separar no dia seguinte. Foi difícil.


As agendas estavam cheias até a viagem, e sabiam que precisavam voltar à rotina. Ainda tomaram café da manhã juntinhas, antes de iniciar o dia, e não sabiam bem quando poderiam ter outra noite inteira assim. E isso chegava a ser perturbador. Gabriela chegou inquieta em casa naquela noite.


Tanto que Rebeca notou.


— Gab, vai me contar quem é? Essa pessoa que revirou você desse jeito?

— Eu não posso contar ainda, mas, Beca, acho que... na verdade, eu sei.

— Você está apaixonada, prima?

— Estou! E acho que essa é a primeira vez.


Bruna chegou quase de madrugada após um dia muito longo, e Dara acordou, veio ver como a amiga estava. Bruna estava desesperada desde que havia se separado de Gabriela pela manhã.


— Ok, eu já estou começando a pensar que você está saindo com alguma feiticeira, porque olha...


Bruna estava sentada no sofá da sala.


— Estou... viciada nela, Dara.

— Só viciada?

Apaixonada também.



Posts Relacionados

Ver tudo

Comentários


bottom of page