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Vulnerável 22


Privado, Não Secreto


Se havia algo que Bruna nunca esqueceu, era o quanto beijar Gabriela era a coisa mais gostosa que podia existir na vida.


A puxou pela nuca, sentindo aquele corpo forte pressionando o seu contra o muro do estúdio. As mãos dela descendo por dentro da jaqueta, tocando sua pele, as pernas se enroscando nas suas e o beijo gostoso, intenso, muito pegado.


Dois anos sem aquela boca. Dois anos sem aquele beijo que fazia Bruna querer ir para a cama imediatamente.


Apertou Gabriela contra o seu corpo, apesar de todas as coisas que haviam acontecido e das que não haviam acontecido porque foram interrompidas, desconectadas. Tinham saído do amor em algum momento e caído na obsessão ruim, mordido fundo demais e deixado a ferida exposta. E doía quando se tocavam, doía quando não se tocavam. Porém, aquele beijo ainda tinha gosto de melhor coisa do mundo.


Como algo tão bom podia ter se tornado doloroso?


— Gabriela, espera — Bruna parou aquele beijo com dificuldade, colocando a mão no esterno dela.

— Esperar o quê? Mais dois anos? Vou morrer se esperar mais dois minutos, Bruna — Ela reclamou, enfiando o rosto na curva do seu pescoço, fazendo Bruna rir alto.


Sempre dramática, como podia?


— Estamos nos estúdios da maior emissora do país, há câmeras em todos os lugares, meu amor. Você escapou do set do programa. Staffs e seguranças devem aparecer atrás da gente a qualquer momento.

— Eu não me importo, Bru.


Bruna a olhou nos olhos.


— Você se importa, sim, linda. Essa não é a primeira vez que entramos numa bolha de isolamento, já fizemos isso antes, quando fomos morar na Ásia. Era tão tranquilo, a gente podia andar nas ruas despreocupadas. Podíamos sair, jantar juntas, tomar café fora, ninguém ligava. Então, quando voltamos pra cá e a bolha estourou, todos os nossos problemas estouraram juntos. Não foi assim?

— Mas eu era diferente, nós duas éramos.

— Eu sei disso. Mas fomos expostas a diversos problemas. A sua família, o meu trabalho, a exposição, as perguntas indiscretas, o stalker desproporcional, e a gente não conseguiu lidar. Destruímos o relacionamento porque não conseguimos resolver as coisas. Agora, você acabou de sair de uma bolha extrema, e acredite, isso vai ter consequências. Eu precisei de ajuda, Gab.


Ela tocou o seu rosto, preocupada.


— Por culpa do que fiz?

— Não, por conta de tudo. Eu não deveria estar bebendo, você sabe disso, e tem todo o resto. A reintrodução ao mundo real. Sei que você quer brigar, que está diferente, mas também já vi esse comportamento antes, eu conheço essa versão. Essa é a Gabriela que morou comigo na Ásia, a mesma que surtou quando voltamos para uma realidade que já não lembrávamos como era.

— Bruna...

— Tudo mudou aqui, drasticamente. É bom, porque temos um apoio que nunca tivemos antes. As pessoas que me apoiam estão com a gente, temos fãs, nós duas, que gostam de nos ver juntas. Mas também tem muita gente que não gosta, pessoas que estão esperando você sair, prontas para cobrar uma explicação. Eu não falei muito, fui para a Colômbia assim que saí, mas, quando retornei, fui muito assediada para responder coisas sobre nós duas. Porém, notei que, mesmo a gente não falando muito, falamos de qualquer maneira porque...

— Porque somos um casal. Um casal quebrado, ferido, mas ainda um casal. Um casal que... — Gabriela respirou fundo, tocando a tatuagem na mão de Bruna — continua fazendo tatuagens de casal, ainda que não estejamos juntas — Levou a mão dela até o próprio esterno — O coração faz o que quer, em hebraico?

— Nós não conseguimos ficar separadas — Bruna constatou, encostando a testa no peito dela.

— Espero que não, Bru. Você me assustou nesse último ano. Não me deixou tentar nada. Sei que não devia ter entrado em outra relação, mas fiquei maluca quando te vi com aquela cantora. E você respondeu como? Querendo que eu assinasse documentos.

— Eu só tentei organizar a situação, Gab.

— E eu nunca consegui me reorganizar de você. Sempre disseram que esse programa descola a gente da realidade. E gruda numa nova. Se eu me expusesse a ponto de não ter como inventar uma nova narrativa...

— Ei, linda, presta atenção: toda narrativa pode ser reinventada, desde que os envolvidos queiram acreditar nela. Sua mãe está aqui.

— Como...?

— Ela veio da Itália, está com a sua equipe. Falei com a Martina rapidamente e acabei cruzando com a Débora ainda há pouco.

— Ela te destratou? — Gabriela ficou preocupada.

— Ela nunca me destrata, Gab. Na verdade, sua mãe me ignora. Gosta de fingir que não existo — Bruna olhou de lado, viu os seguranças se aproximando e sorriu — Chega a ser engraçado...

— O quê?

— Os seguranças chegando para nos separar — Respondeu, sorrindo — Vamos, primeiro os compromissos, a gente conversa mais tarde.

— Bruna, você promete que vamos conversar?


Bruna a olhou nos olhos e abriu outro sorriso.


— Você correu quase dois quilômetros de salto só para falar comigo, vamos conversar sim. Flávia tem os meus contatos atuais, você provavelmente não vai poder ir pra casa ainda, mas, assim que tiver uma brecha, vamos conversar. Sei que, por pior que a nossa situação tenha sido, precisamos conversar, falar até resolver.

— É que você não quis conversar quando tudo aconteceu.

— Eu sei, Gab. Mas estou mais madura agora, estamos mais velhas. Acho que... — Bruna olhava para aqueles olhos lindos que adorava — a gente consegue reabrir nossas conversas.


Gabriela colocou as duas mãos no rosto dela e só a beijou, de surpresa, longamente. Bruna não estava aguentando com ela.


— Gab!

— Esses caras não podem achar que corri dois quilômetros de salto por nada — Respondeu, sorrindo, com os olhos brilhando e algo neles que só... Bruna amava. Simplesmente amava.


A beijou de novo e a abraçou, muito forte, enterrando o rosto no peito dela, e não existia melhor sensação. Gabriela soltou o ar profundamente, sentindo-a em seus braços.


— A gente vai conversar hoje, Bruna.

— A sua agenda está lotada, linda, não acho que seja possível hoje.

— Vou dar um jeito. Espera, não vou ficar te dizendo as coisas, vou te mostrar, sei que você prefere assim.

— Prefiro — Bruna sentiu o cheiro dela, puxando-a para perto mais um pouquinho, o CK Eternity invadindo seus sentidos — Agora vai.


Gabriela a puxou de novo e bem pertinho do ouvido dela:


Até a madrugada — Era como costumavam se despedir nos desfiles por onde se encontravam.


Bruna sorriu.


Até a madrugada.


Foram reconduzidas para estúdios diferentes.


E a mente de Gabriela não parecia estar funcionando. Ficou olhando pra trás, já no carrinho de golfe que veio buscá-la. Queria ver Bruna de novo, ter certeza do que havia acontecido, e só ficou tranquila quando olhou no retrovisor e viu uma marca de batom em cima do seu esterno. Colocou o dedo, tinha a textura dos batons da Natural Fierce. Respirou fundo. A pupila dilatada. A perna inquieta.


Passou direto para a maquiagem, tomou quase um litro de água. Seu corpo estava quente, sua mente também. A live com as finalistas atrasou, então, no meio da maquiagem, do cabelo e da água que não parava de tomar, Nuna e Eduarda surgiram no camarim.


— Gab, você é maluca?! — A bronca veio de Eduarda, mas ela estava sorrindo — Para onde você foi?

— Você não faz ideia de para onde ela foi? Para o outro estúdio! Foi atrás de algo que estava lá! — Era Nuna, também sorrindo — Ao menos encontrou?


Gabriela sorriu. A respiração ainda agitada, mas os olhos brilhando, um sorriso escapando. O corpo inteiro reagindo a algo raro.


— Ela falou comigo! Achei que ela nunca mais fosse falar comigo.

— Gab... — Eduarda se abaixou junto a ela, olhando-a nos olhos, muito de perto — Stai attenta a quello che stai dicendo qui — Disse, chamando a atenção dela numa língua que sabia que Gabriela conhecia.

Sono attenta.

— Estou vendo! — Eduarda sorriu — Você atrasou tudo, eles estão furiosos.

— Mas eu precisava ir, não ia conseguir ficar aqui antes de entender como estão as coisas.

— E você conseguiu entender alguma coisa? Estou assustada, Gab. E só faz uma hora que a gente saiu — Era Nuna, se abaixando perto dela também.


Era assustador mesmo. As câmeras, a agitação e aquele ambiente tão barulhento.


— Era... barulhento assim antes? — Gabriela perguntou.


Elas também não tinham certeza. Tudo parecia distorcido.


Maquiagem terminada, foram conduzidas para o estúdio, que estava insano. Cheio de pessoas, câmeras para todos os lados, produtores, celulares, telas. O estúdio pareceu apertado demais. Queria seu celular, um rosto conhecido.


— Gabriela, aqui! — Flávia surgiu no meio daquelas pessoas todas, e Gabriela só se abraçou a ela, bem rápido e muito forte. Só precisava de um ponto de ancoragem.

— Flávia! — A tirou do meio, buscando algum espaço privado, o que era quase impossível — Devo me preocupar com o que vou ver, com o que vão me perguntar?

— Quer saber? Com nada, não se preocupe com nada. Temos coisas para resolver, mas adianto que o saldo é mais positivo do que negativo — Flávia buscou os olhos dela. Gabriela estava nervosa, dava para sentir só de olhar — Sua mãe está aqui, Martina também, e o Eric não quer aparecer. Seu irmão não está nada feliz.

— Eu não me importo se ele está feliz ou não.

— Imaginei que essa seria a sua resposta. Fiz as mudanças que você pediu, mas isso tem custado caro. Sua mãe não sai do meu pescoço, seu irmão não me deixa em paz, mas tudo está de pé, ok? Você tem uma nova base de fãs. E, Gab, sinceramente... — Ela deu um longo suspiro, que Gabriela sabia o que significava.

— Eu deveria ter deixado uma carta de emergência, explicando algumas coisas — Respondeu, sorrindo.

— Ahhh, isso com toda certeza! Mas consegui resolver o enigma. Eu nunca achei que fosse dizer isso, mas... — Flávia falou em tom ainda mais baixo — ela é maravilhosa! É madura, inteligente, totalmente diferente da imagem que eu tinha dela.


Os olhos de Gabriela brilharam involuntariamente.


— Eu sei. Parece um filme que ela tenha aparecido lá dentro. E aqui fora. Ela me deu outra 3×4.


Sorriso de Flávia.


— Era ela mesma na sua foto?

— Sim, olha — Abriu a mão — Você pode guardar?


Aquela foto minúscula seguia protegida dentro da mão dela.


— Posso, claro. Vou colocar bem aqui — Flávia pegou a foto e guardou na capinha do celular — É o seu, ok?

— Ah, ótimo!


Flávia tocou o rosto dela.


— Sua pupila está dilatada pra caramba, Gab. Tudo bem, você vai ouvir perguntas sobre a Bruna, responda como quiser, sua base está segura. Se é isso que você realmente quer, vamos cuidar do Eric e da sua mãe. Eu estou do seu lado.


Era só disso que precisava.


Flávia tinha uma capacidade fora de série de conseguir ver através de Gabriela. Via até as coisas que ela não dizia.


Foi com essa capacidade que ela percebeu Gabriela mudando no último ano. Quanto mais mudava, mais incomodada ficava com a interferência da família em seus negócios. Flávia foi percebendo aquele desconforto nas decisões sutis que ela começou a tomar, coisas pequenas, mas que visavam reduzir a interferência deles na empresa, na vida pessoal.


Quando o convite para o programa veio, foi vetado por todos os Habren, exceto pela própria Gabriela. Ela queria ir, Flávia conseguia ver nos olhos dela. Mas Gabriela não conseguia verbalizar.


Então, Flávia cuidou de blindá-la. Hoje, aquela era a sua principal função dentro da Mighty, a empresa de Gabriela Habren: ser escudo da CEO em decisões difíceis contra a própria família.


Agora, depois de todas as peças que Flávia havia colocado juntas, entendeu que o último ano foi mais do que apenas Gabriela mudando: era ela decidida a ter a namorada de volta.


E se a namorada era uma das CEOs mais sagazes em movimento, ela se impor era mesmo o mínimo.


— Vamos entrar ao vivo! Habren, pronta? — A produtora perguntou.

— Pronta — Gabriela sorriu, se aproximando de onde as outras garotas já estavam — Sartori, desculpa o atraso! — Disse à apresentadora e a abraçou. Vitória Sartori, uma influenciadora que conhecia muito bem.

— O atraso aumentou a nossa audiência! — Ela respondeu, sorrindo — E as especulações também. Tem gente dizendo aqui que você foi atrás da Bruna.


Gabriela abriu um sorriso amplo.


— Eu fui, precisava falar com ela rapidinho.

— Espera, espera! Vem aqui um segundo — Sartori a puxou de lado, buscando alguma privacidade — Tem uma gabruna infiltrada na equipe desde o começo.

— Eu sabia! Tinha que ter alguém que conhecesse a gente.

— Não, alguém que conhece vocês duas desde Milão, Gab. Ela trabalhou para sua família na Itália, com produção de conteúdo, e calhou de estar nesta equipe, na sua edição.


Aquilo sim surpreendeu Gabriela.


— A Jeni está aqui?

— Jeni-Jeni! Você lembra dela?

— Jeni é minha amiga, claro que lembro! Como é que... Foi uma coincidência?

— Eu não acredito muito em coincidências e acho que você também não. A Jeni tinha que estar nesta equipe, tinha que conhecer vocês duas, tinha que... propor os edits que propôs. Você é minha amiga, Gab, então, se me disser que não quer responder determinadas perguntas, eu não vou forçar. Você pode me dizer que não quer, ok?


Gabriela respirou fundo, conseguia fazer aquilo sim.


A live começou pela vencedora, é claro. Nuna era o momento, havia milhares de pessoas querendo falar com ela. Porém, ela estava visualmente nervosa, sem saber muito bem para qual câmera olhar. Não tinha problema, Gabriela estava com ela, delicadamente a guiando pelas perguntas, pelas câmeras. Sua amiga era linda, seria uma ótima médica com toda certeza, mas, com aquele rosto, podia fazer o que bem entendesse.


E se havia algo que tinha de fato funcionado naquela trajetória das três, era a unidade que tinham se tornado. Então começaram por Nuna, mas as perguntas envolviam as três, e sim, a sensação de batalha só continuou a cada vídeo que viam. Gabriela queria ter encerrado o capítulo reality show assim que saiu da casa, mas agora estava entendendo que não seria possível. Algumas coisas doeram, falas de outras pessoas. Ainda bem, nenhuma dessas falas era de Bruna. Não era surpreendente, Gabriela a conhecia muito bem, mas...


Algumas falas suas sobre Bruna a incomodaram. Coisas que havia dito e nem lembrava mais. Falas duras que, tal como seu discurso de indicação, não percebeu que tinham saído tão… pesadas.


— Você mostrou esse vídeo para a Bruna também? — Gabriela perguntou.

— Mostrei! O público é quem mostra, na verdade — Sartori respondeu, sorrindo, tentando tirar o peso que o último vídeo havia trazido.

— Eu não lembrava de ter dito isso — Era um take em que Gabriela dizia: “é por isso que eu prefiro manter distância de você”. Na sua mente, aquela memória não existia.

— Foi uma frase forte.

— E falsa. Eu não sinto isso. Ela ficou muito irritada? — Gabriela se preocupou.


Sartori sorriu. Gabriela era a única entrevistada que devolvia perguntas, o que estava gerando uma dinâmica única.


— Ela não lembrava, porque tinha bebido bastante. Mas já notei que tem muita coisa que vocês esquecem.

— Tudo é muito intenso o tempo todo. Mas acho que aqui fora é parecido. A gente diz coisas e esquece todos os dias. A diferença é que, no programa, isso é dito para milhões de pessoas. E ainda fica gravado em vídeo.


A conversa evoluiu para Eduarda e o que o assunto do vídeo causou, tanto dentro da casa como fora. Por que aquilo naquele momento? Haviam acabado de sair da final, de um momento de catarse maravilhoso, para agora ficarem as três desconfortáveis. E, claramente, puderam ver como aquela situação puxou um gatilho na mente de Bruna.


— O vídeo dela...?

— Voltou a circular. Bruna já falou sobre isso muito mais do que gostaria. Olhando pelo ângulo dela, depois que ela veio aqui, entendi melhor essas reações e acho que o público também. Você não quer tocar em algo que ainda dói.

— Essas coisas não ocorreriam se as pessoas se recusassem a ver o que terceiros não querem expor. Mas sei como funciona — Gabriela falou.

— Isso é pessoal para você também.

— Muito pessoal, por isso a reação imediata.

— Podemos falar mais sobre...? — Sartori sorriu.


Gabriela negou.


— Sem comentários.

— Ok, sem comentários. Vamos ver outro edit rapidinho.


O outro edit foi de Bruna e Gabriela, ao som de Dido, aquele do segundo dia de confinamento. E assistir àquele VT foi deixando Gabriela... suave. Havia ficado muito irritada com a história do vídeo, mas ver aquele edit a fez relaxar.


Deu para vê-la suavizando enquanto assistia, os olhos prestando atenção em tudo, o corpo relaxando, os músculos soltando. Gabriela era transparente assim e se perguntava agora quão boa ideia tinha sido se enfiar em um lugar cheio de câmeras por três meses.


— Gab, o que é isso?

— O quê?

— O que acabamos de ver! Preciso saber o que vocês duas têm. Inclusive, preciso saber por que eu quero ter igual — A apresentadora falou, sorrindo — Sabe uma coisa que me chama atenção vendo vocês duas juntas? Nenhuma forma de intimidade é inesperada.


Gabriela estava rindo demais.


— O que você quer dizer?

— Tem uma cena, produção! Aquele momento delas na festa preto e branco — Eles acharam a cena muito rapidamente — Este vídeo é um dos preferidos do fandom de vocês porque Bruna está secando o próprio rosto com uma toalhinha, está vendo? Daí você chega perto dela, vocês falam qualquer coisa e ela, simplesmente, ergue o seu cabelo e seca as suas costas com a mesma toalha. Quero dizer, o que é isso? Suor é muito pessoal e você nem vacila, nem estranha.


Gabriela seguia sorrindo. Agora Nuna tinha ido para outro compromisso, estavam apenas com Eduarda e a apresentadora.


— Nós duas dançamos juntas, acho que essa parte ficou clara. Bruna é minha parceira de dança há muito tempo, esse comportamento vem daí.

— Está me dizendo que vocês estão acostumadas a suar juntas...?

— Sartori! — Eduarda caiu no riso.

— Foi o que ela disse! A Bruna que disse aqui.

— Você atacou a Bruna desse jeito? — Gabriela perguntou, ainda se divertindo.

— Bruna Ribeiro? Não! Ela parece perigosa, não se ataca um animal selvagem, Gabriela.

— Pois eu quero a Bruna aqui, estou me sentindo pessoalmente atacada, preciso de proteção.

— Ela protege você mesmo.

— De verdade? — Gabriela estava sorrindo grande demais.

— Ficou aqui duas horas sendo atacada por coisas que você fez ou disse, e não falou nada de ofensivo ou contra você. Gab, por que nós não víamos vocês duas juntas antes? Inclusive, entraram na casa como desafetos.


Longa respiração de Gabriela.


— Não tinha o que ser visto nesses dois últimos anos. Bruna e eu nos afastamos, nos reencontramos na casa, acho que dá para ver na confusão inicial. Este era um reencontro que nenhuma das duas esperava. Nós sempre prezamos por... uma relação privada. Tínhamos nossos motivos. Mas temos consciência também de que essa relação foi exposta agora e que várias pessoas têm muitas perguntas. Mas não temos como responder nada a terceiros sem antes responder essas perguntas entre nós duas.

— Então vocês vão conversar?

— Vamos sim.

— E daí, vão contar pra gente finalmente o que é isso que vocês duas têm que todo mundo anda querendo ter...?


Sorriso de Gabriela.


— Relacionamento privado, não secreto.

— E qual é a natureza do relacionamento...?


Gabriela ficou um pouco mais séria, pensando.


— Preciso que ela me conheça de novo — Disse, com algo mais sentimental pela voz — Bruna me desconheceu por um período, mas agora preciso que ela queira me conhecer novamente. Então, privacidade, mas não segredo.

— O que você quer dizer com isso? O relacionamento é mesmo real?


Gabriela a olhou.


— Você perguntou isso para ela?

— Perguntei.

— E o que ela disse?

— Que depende do horário em que perguntar. Era esse mesmo horário e ela disse que era melhor não responder, porque, às três da manhã, todo mundo é mais honesto, mais real. Mais vulnerável.

— Geralmente, tudo o que se vê às três da manhã é real — Gabriela acabou sorrindo.


A live terminou assim.




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