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Vulnerável 24


Romã, Hibisco e Arroz


O principal entrave na decisão de não transarem até Gabriela terminar o namoro, fosse de contrato ou não, era que ela tinha mesmo o melhor beijo e destravava o tesão de Bruna sem sequer se esforçar.


As pupilas dela seguiam dilatadas. As de Bruna também. Os olhos de enxaqueca haviam ido embora e, quando notaram que o carro tinha divisória com o motorista, Bruna achou que tinha sido ela própria a ir para o colo de Gabriela.


— Bru...

Senti sua falta — Confessou, mordiscando o lóbulo da orelha dela — Senti muito a sua falta.


Gabriela a beijou e a apertou contra o seu colo, sentindo aquelas curvas no seu toque, aquela pele macia contra o seu corpo. A mão subindo por dentro da jaqueta dela, aquela boca na sua boca, no seu esterno, os dedos pegando a sua mandíbula. E como entrariam em um quarto e não transariam, não fazia ideia. Mas, se era o que Bruna estava pedindo, faria.


Faria tudo o que ela pedisse, tudo. Só precisava que voltassem a namorar.


Entraram aos beijos no quarto. Gabriela trazia a própria bolsa e a de Bruna. Estava forte assim. Deixou tudo de lado, fechou a porta e deitou Bruna na cama, se colocando entre as pernas dela, fazendo uma pressão gostosa, sentindo aquelas coxas firmes ao redor dos seus quadris. Deslizava a boca pelo pescoço dela, erguia aqueles braços, fazia Bruna morder os lábios.


— Bruna — Gabriela lembrou de algo do nada.

— O quê? — Bruna respondeu, tocando o rosto dela, ainda sentindo aquela pressão gostosa em cima do seu corpo. Como sentia falta de ficar daquele jeito com ela. Como era desesperadora a vontade de se tocarem dentro daquela casa.

— Você terminou antes ou depois de transar com a Gio?

— Gabriela...

— Transaram.

— Gab, você lembra que estávamos juntas em um programa e você me indicou para o paredão que me eliminou?

— Lembro — Ela disse, enfiando o rosto no peito de Bruna.

— Não saí odiando você. Tentei te entender. Mas eu tinha um compromisso com a Gio aqui fora e nos resolvemos com muita tranquilidade.

— Transaram e terminaram?


Bruna olhou naqueles olhos.


— Foi mais ou menos assim. Você andou dançando em mim, dormia grudada no meu corpo, eu era praticamente uma bomba de tesão quando saí daquela casa.

— E isso faz tempo...?


Bruna beijou aquela boca, deslizando a mão pelos quadris dela.


— Foi na noite em que saí.

— E desde lá...?


O castanho dos olhos de Bruna estava se misturando aos olhos claros de Gabriela.


— Penso em você. Tenho... pensado bastante na gente. Gab, lembra da última vez que transamos na minha casa?

— Bruna, você vai me torturar mesmo?

— Eu só quero saber se você lembra.

— A gente transou no sofá, se esfregando uma na outra. Foi diferente. Achamos um encaixe novo.

— Gozamos tão juntas. Foi tão bom. Comecei a sonhar com isso nas últimas noites na casa. Tantas vezes que começou a entrar na minha mente mesmo de dia. Eu fechava os olhos e lembrava da sala, da meia-luz, da chuva. Do seu corpo em cima de mim. Desde essa noite, sempre que quero gozar rápido, eu lembro dessa vez. Quando começo a fazer, outras vezes nossas se misturam na minha cabeça. Lutei pra caralho para esquecer você. Mas não deu certo.


Gabriela a olhava nos olhos.


— E o que fazemos com isso, Bru?

— A gente briga. Mas, dessa vez, para resolver todos os nossos problemas, sem ficar só achando que eles vão se resolver porque a gente se ama. Tem muita coisa, você sabe disso tanto quanto eu. E, ainda por cima, a gente se enfiou em um reality onde adquirimos problemas novos. Agora vai para o seu banho. Vou pedir algo pra gente comer antes de dormir.

— Mesmo?


Bruna beijou a boca dela.


— Vai para o banho, Gab.


Era melhor ir para o banho mesmo.


Deixou outro beijo em Bruna e caminhou para o banheiro. Gabriela começou a tirar a roupa, ligou o chuveiro e parou antes de tirar a lingerie.


— Isso... é tão estranho.

— Tirar a roupa para o banho, não é?

— Muito! Faz três meses que não faço isso. Bru, tem produtos da Fierce aqui.


Bruna sorriu. Já estava resolvendo uma coisa no celular.


— Fechei uma parceria com a produção do programa — Respondeu, já tirando a própria roupa — Todos os participantes receberam um kit hoje.

— É o meu shampoo!


Bruna riu.


— Você ainda usa o de romã, hibisco e arroz?

— Claro que sim! Minha namorada criou pra mim, nenhum outro funciona melhor. Ah, esse cheiro!

— Gab, vai lavar o cabelo agora?

— Vou!

— Quanto tempo você acha que leva?

— Talvez uns cinco minutos?


Bruna esperou cinco minutos. E então apareceu de lingerie na porta do box.


Uma lingerie preta, toda justa, naquele corpaço que ela estava e que fez Gabriela morder a boca de imediato.


— Ainda toma banho no escuro?

— Bruna...


Ela entrou no box.


— Vim só desarmar uma bomba — Bruna disse, colocando a boca no pescoço dela, que inclinou a cabeça para trás — Você quer?

— Vamos fazer amor?

— Não, mas faremos outra coisa. Você vai gozar com assistência. Você quer assim?

— Porque transar vai ficar só para depois...

— De você encerrar aquele contrato — Bruna a encostou na parede e, só de seu corpo sentir o dela nu... — Porra!

— Bru, posso te tocar?

— Só por cima da roupa. Você quer assim?


Gabriela mordeu o lábio.


— Você colocou “Special” para tocar? — Tinha uma música entrando no banheiro. Em coreano, na voz de Lee Hi e Jennie Kim.

— A nossa música coreana, eu coloquei. A música mais linda do mundo — Bruna disse, beijando o pescoço dela e a fazendo sorrir.

— Sabia que ela está aqui no meu peito?


Bruna a olhou, sem entender.


— Como...?

— Tem uma tatuagem bem aqui — Gabriela apontou abaixo da clavícula — Mas só dá para ver com luz especial, como a nossa música coreana que ninguém conhece, mas é a mais linda do mundo.

— Como faço para ver?

— Te mostro ainda hoje. Então, você veio aqui desarmar uma bomba?

— Se você quiser, eu vim — Bruna desceu os dedos, passando por cima do sexo dela, fazendo-a tremer só com a proximidade.

— Ai, linda...

— Você quer?

— Eu quero — Gabriela a olhou intensamente.


Bruna afundou a boca no pescoço dela e deslizou dois dedos para dentro de sua garota, fazendo as duas estremecerem, gemerem juntas.


— Ah, Gab...

— Você é tão especial pra mim. Eu te amo tanto, sabia?

— Romã, hibisco e arroz. É o cheiro da minha mulher — Bruna sorriu, tocando o rosto dela.


Era assim que elas não fariam amor, apenas desarmariam uma bomba. Com a música mais linda tocando.


Bruna deslizou os dedos por dentro dela, sem precisar de esforço, pegando atalhos que conhecia bem quando precisava fazer Gabriela gozar mais rápido. E nunca era por vontade sua, era sempre pela situação, porque sexo com ela era sempre melhor quando durava e podia durar muito. Podia ser por horas.


Gabriela suspirou, fechando os olhos.


E Bruna sentiu as pernas dela ligeiramente se abrindo, as mãos ancorando mais firme na sua cintura, a respiração começando a ofegar. Sua boca não saía do pescoço dela, os dentes mordiscavam a pele ali, subiam para o lóbulo da orelha, enquanto o coração de Gabriela batia fundo contra o seu peito, o cheiro dela inebriava os seus sentidos e aqueles gemidos...


— Caralho...! — Bruna perdeu o fôlego, se afundou ainda mais contra ela, porque era muito gostoso estar com Gabriela de novo. Tanto que parecia estar dissociando outra vez.

— Eu sou sua mulher. Lembra disso? Eu sou sua mulher — Gabriela repetiu, enquanto a voz falhava, porque o prazer estava pulsando por dentro, ao redor daqueles dedos, e gozar seria rápido e inevitável.


Gabriela se agarrou a Bruna, enfiando o rosto no ombro dela, sentindo seu corpo pulsando, reagindo, navegando de novo naquela sensação que a assombrava de tanto que sentia falta. Será que ela sabia? Que Gabriela podia ter dez mulheres na própria cama de uma vez, e a soma delas não daria nem vinte e cinco por cento de Bruna Ribeiro? Será que ela sabia e ainda se importava, ainda queria?


O prazer deslizou sem esforço.


Gabriela a apertou muito forte enquanto o seu corpo era tomado pelo prazer e não parava de tremer. Tremeu, a pélvis se movendo contra o toque dela em chicotadas involuntárias e, quando Bruna percebeu que ela havia terminado de gozar, beijou aquela boca que tanto amava.


Bruna as enfiou sob o chuveiro, colocando a língua inteira na boca dela, dizendo para Gabriela tirar a sua lingerie, queria senti-la, queriam sentir uma à outra assim, sem roupa nenhuma. Lingerie fora do corpo, os braços de Gabriela apertando Bruna densamente contra o seu corpo, elas sendo quase uma só sob aquele chuveiro.


Sabiam que o tempo estava passando, mas quiseram tomar banho juntas. Gabriela precisava vê-la nua, olhar para os detalhes dela, consumi-la, nem que fosse com os olhos. Lavou os cabelos de Bruna, porque era uma coisa que simplesmente amava fazer. Adorava sentir os cachos deslizando pelos seus dedos, adorava o cheiro, a textura.


— Jura que tem uma tatuagem aqui? — Bruna estava toda agarrada a ela agora.

— Tem, meu amor. Vem, vou te mostrar.


Saíram do banho de roupão e uma mensagem no celular de Bruna contou que o pedido dela já estava na porta. Abriu e lá estava, uma caixa de pizza e Coca-Cola em duas garrafas térmicas.


— Você pediu pizza! — Gabriela estava sorrindo grande demais.


E podia ser temporário, mas, depois da bomba desarmada, Gabriela parecia bem mais calma. Era uma safada mesmo, pensou Bruna.


— Pedi, senta aqui. Como posso ver a tatuagem?


Gabriela sorriu. Pegou o celular, abriu um aplicativo, achou a luz que precisava. Se sentou na frente de Bruna na cama e, quando virou a lanterna para o próprio peito, lá estava, em duas linhas retas, uma sobre a outra, escritas em hangul:


처음엔 네가 내 심장을 뛰게 했어

그다음엔 네가 내 심장을 두근거리게 했지


Primeiro você fez o meu coração bater, então bateu no meu coração.


— É... a minha letra — Bruna se deu conta.

— É um dos nossos bilhetes de término. Sei que a gente ama essa música, mas ela não pode ser nós duas, Bru — Gabriela disse, já pegando um pedaço de pizza.

— Eu sei que não pode — Bruna tocou a tatuagem — Não quero ficar presa nisso de novo. Eu... tenho uma proposta.

— Me conta a sua proposta?


Bruna mordeu um pedaço de pizza. Era de mussarela, cebola, pimentão e azeitona. Descobriram aquele sabor diferente juntas, numa pizzaria onde gostavam de pedir.


— Acho que é melhor a gente começar a resolver as coisas de trás pra frente.

— Tipo...?

— Primeiro, os nossos problemas no reality, Gab. Depois, o meu namoro, o seu ménage, o seu contrato.


Gabriela riu.


— Bru, não foi nada demais.

— A minha mulher na cama com duas vai ser uma coisa, sim, Gabriela Nori de Habren. Mas não posso julgar muito porque...


Gabriela beijou a boca dela, calando-a.


— Nenhuma palavra, já temos problemas demais aqui, você tem razão. Amor, você conseguiu entender por que te coloquei no paredão?


Bruna soltou o ar. Bebeu um pouco do seu refri.


— Você estava com ciúmes. E preocupada. Com a minha recaída em relação à bebida e com a minha carreira, com o julgamento público. Entendi tudo isso, mas doeu muito.

— Eu sei. Doeu em mim também. Eu não sabia que tinha dito “incompatíveis” daquela forma.

— Você disse porque foi um eco na sua cabeça. Sei que fui eu quem disse isso em uma das nossas últimas brigas.

— Bru, eu não pensei sobre... sobre o vídeo voltar. Quando ouvi que estavam usando aquilo contra a Eduarda, eu reagi instintivamente, porque esse assunto me faz muito mal. E, mais uma vez, não fui eu. Sei que parece que foi, que essa é a única coisa que faz sentido, afinal, o vídeo estava no meu celular. Mas não fui eu.

— Eu sei disso, Gab. Não sei como é possível não ter sido você, mas sei que não faria algo assim. Você nunca me machucaria. Nunca... machucaria nós duas. Se você tivesse feito, sei lá, num momento de loucura, ainda assim, sei que já teria confessado.


Gabriela a olhou, com os olhos baixos.


— Por mim, ninguém mais te veria nua pelo resto da nossa vida. Além de machucar você como mulher, me machuca como sua mulher. Você deveria estar protegida comigo e eu estou falhando nisso há dois anos sem parar. Eu... odiei ver você com a Monique — os olhos se encheram —, parecia que eu ia morrer.

— Gab, isso aconteceu, provavelmente, pelo mesmo motivo que aconteceu o seu ménage.

— Foi uma válvula de escape, eu sei. Mas foi horrível. Me senti horrível por dias. Tanto em ver como em ter feito algo assim. A Flávia disse que essa história está circulando.

— Está. É ótimo ter pessoas do nosso lado, mas, por outro lado, as gabrunas estão bem determinadas em provar a história que elas estão contando. Alguém encontrou um comentário em uma postagem no Instagram sobre uma noite na Retrô — era uma boate que elas frequentavam —, onde a influencer com olhos de mar levou duas garotas com ela para o hotel.

— Bru, não queria que você tivesse lido algo assim.

— Sei que já te fiz ler coisa pior.

— Isso é verdade — Gabriela disse, sorrindo, mordendo a pizza de novo.

— Você deixa de ser descarada, Gabriela Habren, que isso é esperado da Bem Indecente, não da minha namorada perfeita!


Gabriela a puxou para mais perto, deixando as pernas das duas em contato.


— Quero ser perfeita de novo, amor. Mas uma perfeita de verdade, que reage, sabe colocar limites.


Bruna ficou ainda mais perto. Queria mais contato.


— Notei como você estava à vontade com as mulheres na casa. Nem ligou de ter sido eleita o galã da edição — Pegou outra fatia de pizza, abrindo um sorriso.

— Eu gostei disso. Gostei... de ser vista como eu mesma. Aquela versão da casa, eu só podia ser em segredo — Gabriela sorriu.

— Eu sei. Conversei com a Monique e com a Camila, elas concordaram comigo sobre a pressão das câmeras. É como se a gente sempre estivesse performando, mas eu não via isso em você. Com você, o efeito parecia contrário. Saí bem confusa. Não sabia o que era real e o que era performance. Então percebi que você, na verdade, só performou uma vez: na minha indicação. Aquilo foi performance, Gab. Todo o resto era só... a minha namorada que morava em Milão, que morou comigo em Seul — Bruna pegou uma mecha do cabelo dela e cheirou, o que fez Gabriela sorrir — Eu quis tanto fazer isso lá dentro, sabia? Ficava com medo de, em algum momento, acabar fazendo sem perceber.

— Quando a gente se encontrou lá na casa, foi muito ruim?

— Achei que fosse morrer! Meu coração bateu tão forte. E você só... ah, naquele momento também teve performance, porque sei bem que você devia estar nervosa.

— Claro que eu estava, Bru. Demorei para entender qual era a situação. Não sabia o que ia acontecer. A última vez que a gente tinha se cruzado foi na festa da Marcela.

— Onde você deu UM ESCÂNDALO, né, Gabriela Habren?!

— Bruna, você estava namorando uma pirralha! Claro que dei escândalo. Ela estava... agindo como sua namorada.


Bruna riu.


— Ela era minha namorada, Gabriela.

— Sim, mas enfim. Eu sabia que você estava irritada comigo. Você... não levou nada meu — Disse, ficando um pouco triste.

— Claro que levei. Aquele colar Schiaparelli ali é o quê? É você, linda. Mas não podia levar muito também. Quando terminamos, entendi que seu maior medo era ser vista ou associada a mim.


Gabriela apertou os lábios.


— Eu sei. E nunca deveria ter deixado você ir embora pensando isso, porque nunca foi verdade. Eu estava muito pressionada naquele momento. Ainda era fácil para minha mãe mexer com a minha cabeça. Era tanta coisa. Estávamos vivendo um inferno desde o vazamento do vídeo. A gente só discordava. Eu me sentia presa entre as coisas que eu conhecia e esse mundo novo que era você.

— Agora estamos nós duas num negócio novo, que a gente não sabe como funciona. Gab, é difícil a readaptação. Você vai ver coisas que não lembra, vai perceber dinâmicas normais de uma maneira completamente diferente, tudo isso com uma câmera apontada pra você de novo, porque agora todo mundo conhece a gente. Fale com a sua terapeuta. Eu quase fiquei maluca.

— E o problema com o álcool, Bru?

— Ele é... sazonal. Não bebo porque adoro a bebida ou não consigo ficar sem ela. Bebo para anestesiar alguma coisa. Para evitar anestesiar, preciso da terapia e estou fazendo, todo dia, até ter certeza de que estou bem, sem nada que precise de anestesia.

— Eu vou continuar a terapia. Você me perdoa por ter fingido algumas coisas lá dentro?

— Perdoo, claro que sim. Porque você fingiu tão mal que deu em nada aqui fora — Bruna respondeu, sorrindo.


Ficaram em silêncio um tempo. Comeram da pizza, beberam do refri.


— Está acontecendo de novo — Gabriela quebrou o silêncio.

— O quê?

— Você parece triste comigo. Mas feliz sem mim. Na casa, quando ficávamos separadas, você... parecia mais feliz.

— Gab, não tem nada que me faça mais feliz do que estar com você. Por isso, eu nunca teria votado em você em circunstância nenhuma. Eu preferia aquela proximidade estranha a ficar longe de novo. Mas tenho medo. Foi traumático demais ficar sem você. Querendo ou não, eu estava finalmente bem antes do programa.

— Feliz?

— Não, só bem. Na situação na qual a gente ficou, ficar bem já é bastante coisa. Sei que você estava bem também, eu conseguia ver isso mesmo à distância. Você encontrou a forma da sua empresa, vi que conseguiu organizar um escritório, o negócio em si. Notei que você se tornou mais influencer do que modelo. Nunca passou pela minha mente que você aceitaria um reality, e você aceitou, porque sabia que seria bom para sua carreira. Você também estava bem.

— Estava. Mas não feliz. Quero ser feliz, ok? Quero ser feliz com você. E vou te provar tudo isso. Se você deixar, Bru, posso te mostrar que as coisas estão, sim, diferentes.


Bruna foi para o colo dela. Se sentou de lado, agarrou o pescoço de Gabriela e chorou.


Choraram juntas, em silêncio, apenas abraçadas. Choraram até uma calma estranha se apossar delas e os batimentos se alinharem. Não falaram mais. Só recolheram o resto da pizza, arrumaram a cama, escovaram os dentes e foram para a cama juntas, muito juntas. Se deitaram em conchinha, Gabriela muito agarrada a Bruna, que estava igualmente agarrada a ela.


— Não acredito que podemos dormir assim de novo — Gabriela disse, sentindo o cheiro dela profundamente.


Bruna sorriu.


— Era tão bom acordar assim naquela casa.

— Você levou o ear cuff também — Gabriela lembrou de repente.

— Levei.

— E a minha 3×4, Bru?


Mais um sorriso de Bruna.


— Está na carteira. Dorme, linda. Você só tem duas horas para dormir.

— Você pode ir comigo? — Gabriela perguntou, numa voz baixa, quase como se estivesse temendo.

— Como?

Até a gravação. Você... pode ir, Bru?


Bruna se apertou nela ainda mais.


— Até posso, a minha manhã está livre, mas...

— Fico mais segura com você por perto. Eu nunca estive num programa tão grande. Você pode ir?

— Seremos flagradas saindo deste hotel juntas e chegando aos estúdios juntas.

— Eu não me importo.

— Você está muito apocalíptica, Gabriela Habren — Bruna disse, sabendo que ela iria rir.

— Pode ser apocalíptica do meu lado?


Bruna respirou fundo. O cheiro de romã, hibisco e arroz invadindo os seus sentidos.


— Vou com você.

— Porque estou te pressionando ou...?


Outro sorriso de Bruna, os olhos fechados.


Por pura pressão do meu coração. É assim que a gente funciona, amor.


Era uma grande verdade.






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