Vulnerável 27
- Riesa Editora

- 12 de jun.
- 14 min de leitura

Bae
O caminho para o apartamento não podia ser mais elas.
O som do motor daquele carro era incrível e Gabriela não tinha medo de pisar fundo, de ir rápido. E não vacilava, mesmo com Bruna grudada em seu pescoço, querendo a sua boca, correndo a mão pelo seu corpo inteiro.
— Bruna... — O carro havia parado num farol e a mão de Gabriela foi direto para os quadris dela, puxando-a da forma que conseguia enquanto ela estava com a boca inteira em seu pescoço.
— Esse seu abdômen — Bruna deslizou a língua pela garganta dela e a mão por baixo da camiseta — já era uma delícia antes, mas agora está em outro nível.
— Você é uma descarada, sabia? Ficava pegando no meu abdômen por baixo do edredom — Gabriela lembrou, sorrindo, beijando aquela boca de novo sem parar de olhar para o farol. A praia estava viva, a orla charmosa do Rio de Janeiro, toda a beleza da cidade de sua mulher.
Bruna mordeu a boca, lembrando de algo.
— Será que... alguém tem vídeo da noite depois da Festa Eclipse?
Gabriela riu porque sabia exatamente do que ela estava falando.
— Bru, achei que não fôssemos falar disso.
— Se a gente não voltasse a namorar, eu ia mesmo fingir que esqueci, mas...
Gabriela beijou a boca dela, as línguas se tocando densamente.
— Você veio pra minha cama. A gente se tocou gostoso, mesmo por cima das roupas.
— Você estava pulsando tanto, Gab — A mão de Bruna apertou a sobra de jeans da calça larga entre as coxas dela.
— Amor, eu não acreditei quando senti aquele toque.
— E, sonsa do jeito que é, enfiou a mão por baixo do meu sutiã.
Gabriela a puxou pelo decote e beijou em cima daqueles seios.
— Bruna, a gente ia acabar transando na frente de mais de sessenta câmeras se nenhuma de nós saísse, você entende que foi pela nossa carreira?
Bruna riu alto.
— Eu ia ter que explicar, né?
— Como ia explicar, hum? — Gabriela deu uma mordidinha no pescoço dela.
— Dizendo que transar com a minha mulher é inegociável — Bruna gemeu e beijou aquela boca de novo. Um buzinaço soou atrás delas. O farol tinha aberto — Mas que gente estressada!
— Vocês não têm ninguém pra beijar, não? — Gabriela arrancou com o carro e aquele som...
— Gab, adoro esse barulho de carro de luxo — Estar juntas parecia desbloquear pequenas coisas esquecidas — Ali, bae, é aquele prédio.
Gabriela deu uma olhadinha.
— Bruna, esse não é o prédio daquele apartamento que a gente queria comprar?
— Comprei o apartamento, linda — Bruna disse, tomando um pouquinho de água, ainda com a mão na coxa dela.
— O apartamento de seis milhões...?
— Comprei — Ela repetiu, como quem conta que comprou uma bolsa nova.
— Bruna, é que custava seis milhões.
— Agora vale mais, porque eu reformei. Amor, você mesma desenhou essa camiseta oversized...?
Gabriela cheirou os cabelos dela. Era uma camiseta cinza, com “Mighty” escrito na frente e o rosto da Medusa na parte de trás, em uma arte neoexpressionista urbana.
— Fiz uma de Perséfone pra você.
— Mentira! — Bruna sorriu grande demais.
— Eu fiz, está na minha mala. A primeira coleção se chama “Deusas Mighty”.
— Ah, eu preciso ver tudo! E ter tudo.
— De mim, você sempre terá tudo, meu amor — Gabriela a olhou com carinho.
E Bruna se derreteu nela. Estava praticamente em cima de Gabriela de tão grudadas.
— Entra aqui, namorada, preciso fazer o reconhecimento facial.
A portaria era eletrônica e Bruna cruzou por cima do corpo de Gabriela para fazer o reconhecimento no sistema, e Gabriela... passou a mão por ela todinha, apertando aquela bunda gostosa no final.
— Gabriela Habren, tem câmeras aqui!
— E você está toda gostosa, atravessada em mim — Gabriela beijou o pescoço dela, vendo a cancela se abrir — Qual é a vaga, Bru?
Foi um apocalipse encontrar a vaga delas. Bruna era toda desorientada, mas Gabriela lembrava vagamente onde ficava. Foram juntas visitar o apartamento umas três vezes.
Era como uma retomada. Uma retomada daquela vida em que tudo começou a dar errado. Mas agora fariam dar certo.
Subiram agarradas pelo elevador.
Não, não iria funcionar. Ainda que decidissem manter a relação delas secreta novamente, não achavam que seriam capazes. O mês em que namoraram no Brasil havia sido cheio de coisas suspeitas, porque eram incapazes de manter distância quando estavam juntas.
Se estavam lado a lado, então...
Gabriela a tirou do chão assim que saíram do elevador.
— Gab!
— Fica bem aqui, no nosso apartamento que você comprou sozinha, dispensando todo o meu dinheiro de influencer mediana.
— De jeito nenhum! Você é modelo internacional, meu amor — Bruna foi colocada na frente da porta, de costas para Gabriela, com ela encaixada ao seu corpo. Foi uma luta digitar a senha na fechadura eletrônica. Conseguiu, porém, antes de entrarem...
— É cedo demais para te pedir para usar de novo? — Gabriela estava colocando duas alianças bem diante dos olhos dela.
— São as nossas...?
— Alianças de namoro, meu amor.
— Gabriela! Achei que tivesse perdido a minha aliança.
— Não, eu roubei da sua casa, na noite da nossa recaída. Aquela em que você me disse que não queria voltar — Gabriela explicou, deslizando suavemente a aliança de volta para o dedo dela.
— Eu... roubei o outro par, sabia?
— Eu sabia! Bru, fiquei tão depressiva quando não achei a minha aliança.
Bruna devolveu a aliança dela para o dedo também.
— Elas estão comigo. Você não ia ficar fazendo ménage nenhum com a nossa aliança no dedo, Gabriela.
— Mas você disse que não acreditou!
— Acreditei um pouco. Então, quando fui buscar a Chiara no seu apartamento, procurei até encontrar — Elas nunca deixaram de ter as chaves uma da outra; era assim que trocavam os cachorros — São lindas — Bruna disse, olhando as alianças de volta nos dedos das duas — E você é muito, mas muito boa garota.
Bruna tinha um fetiche pelo tipo de amor que Gabriela colocava na sua boca. A Bem Indecente tinha uma queda irreversível pelo jeito que a boa garota a tinha em suas mãos.
— Eu sou — Gabriela a levou para dentro.
Puxou a mala delas e fechou a porta. E, imediatamente, se recostou na parede, puxando Bruna contra si.
O beijo queimou na boca das duas.
Sua pele reagindo a Bruna como sempre havia sido, cada parte sua viva com ela e aquela vontade que não aliviava e que já a tinha feito refém por tempo demais. Dois anos longe dela, dois anos acreditando que nunca mais se teriam, e agora simplesmente... Bruna estava ali, ao alcance de suas mãos novamente.
Deslizou as mãos por ela inteira, despindo-a do terninho, tocando suas costas, os quadris, apertando aquela bunda deliciosa enquanto o beijo escapava das bocas e elas se comprimiam uma contra a outra. Bruna tirou a sua camiseta de uma só vez, as mãos dela desceram pelos seus braços, pelo seu abdômen, e Gabriela mordeu a boca, olhando para baixo.
Sua mulher tinha se abaixado com aqueles saltos enormes e estava atacando o botão da sua calça.
— Você sabe que adoro te ver usando essas calças largas, né? — Bruna sorriu, safada demais.
— Tudo o que desenhei nessa coleção foi pensado para fazer você me olhar — Gabriela tocou o rosto dela, admitindo. E então sorriu — Eu amo essa vista.
— Da praia, eu sei.
— Não, meu amor: amo essa vista de você — Gabriela a tocou pela nuca e a ergueu de volta, beijando-a outra vez, tirando os próprios tênis dos pés enquanto tirava Bruna do chão e a carregava para o quarto.
A levou para o quarto principal e a deitou na cama, livrando-se do próprio jeans, subindo nela enquanto abria a calça de alfaiataria e elas se beijavam sem parar. Calça fora do corpo dela e Gabriela deslizou a boca por aquelas pernas, lentamente.
— Gab... — Bruna mordeu a boca.
Gabriela correu a língua pelas coxas dela, pegando as mãos de Bruna por um instante, cruzando os dedos pelos dela enquanto a parte baixa da cintura de Bruna... vibrava contra o seu toque.
— Como você pode ser tão linda sem nada no rosto?
Bruna a olhou. Aquela deusa apenas de lingerie, descendo pelo seu corpo. A pele lisa de Gabriela sempre contrastaria com o corpo tatuado de Bruna.
— Diz a deusa da primavera que eu sequestrei e prendi no meu submundo.
Sorriso de Gabriela. As pupilas intensamente escuras de tão dilatadas.
— Você me tirou do submundo, Bru. A minha melhor vida sempre vai ser com você, com a minha deusa da beleza e do caos. Eu te amo — Disse, deslizando a boca enquanto tirava a calcinha dela — Eu estava morrendo de novo sem você.
E, dizendo que a amava, Gabriela mergulhou entre as coxas dela.
Bruna se agarrou nela, gemendo, com o corpo reagindo porque sentir aquela boca novamente era surreal de tão bom. As coxas se abriram, os joelhos estremeceram porque o toque de Gabriela era único, porque o jeito que ela fazia era só delas. Gabriela segurou as coxas dela com uma mão e colocou a outra no seio, tocando-a por baixo do sutiã, fazendo contato visual com ela.
— Porra...! — Aqueles olhos verde-baja-mar, anf!
— Duvido que alguma dessas garotas com quem você saiu — ergueu a coxa de Bruna, descendo a língua por ali, e parou apenas dentro dela, fazendo-a vibrar — saiba chegar bem aqui.
— Gab...
— Sabem? Elas não sabem. Elas sabem que você vibra bem aqui...? — Gabriela girou a mão, deixando a palma para baixo, e deslizou dois dedos para dentro dela, ouvindo-a gemer mais, tremular contra o seu toque.
Bruna apertou a mão na garganta de sua garota.
— Você quer me deixar maluca? — Mordeu a boca, vibrando de excitação.
— Quero que você lembre que é minha — Gabriela disse, lambendo-a mais, suavemente movendo os dedos dentro dela, sem quebrar o contato visual.
— Não é como se eu não soubesse disso por todos os minutos que passei sem você, meu amor.
De jeito nenhum. Era.
Gabriela se espalhou pela cama, tocando-a com a língua numa cadência própria, recostando aquele rosto lindo na coxa de Bruna, que... adorava aquela sensação. E Bruna se espalhou na boca dela, sentindo o prazer correndo pela sua pele, pelo seu corpo, e aquele visual...
Ter Gabriela entre as suas pernas sempre seria visual, intenso, altamente sexual.
Gozar na boca dela foi rápido, um assalto. Bruna se agarrou ao lençol, a coxa se enroscou em Gabriela, fazendo-a sorrir porque sabia que ela adorava aquela chave de coxa. O orgasmo veio intenso, cru, cheio de sinapses que nenhuma das duas sabia controlar.
E era só o começo.
Gabriela a pegou pela cintura e a puxou para o seu colo enquanto Bruna ainda estava gozando, reiniciando tudo, colocando aqueles dedos suaves dentro dela de novo porque sabia como ela gostava, sabia exatamente o que ambas queriam.
— Tem um espelho — Gabriela enfiou a boca nos seios dela, arrancando o sutiã, finalmente notando algo do quarto. Era amplo, tinha espelho, a varanda era enorme e toda feita de portas transparentes.
— Você ama um espelho — Bruna se apoiou para trás, começando a rebolar pelos dedos dela. Aqueles dedos longos, firmes, que sabiam exatamente onde tocá-la, como enlouquecê-la.
— Olha você naquele espelho. O que amo é ver a minha mulher gozando pra mim por ângulos diferentes. Você quer assim, meu amor?
— Seus dedos longos. Só entra em mim, sem gracinha, Gabriela, só entra em mim, entra.
Ela não precisava pedir duas vezes.
Gabriela a segurou firme pela cintura e passou a mover os dedos pelo ponto mais sensível dentro dela.
O tesão acumulado fazendo Bruna vibrar descontroladamente, os músculos do seu corpo retesando porque era Gabriela, era a sua Gabriela, a especialista no seu corpo, que sabia cada segredo, cada desarme.
Ela era o amor da sua vida e o amor da sua cama. Era resistente fisicamente e estava mais forte do que nunca. E era de Bruna, ponto. Nenhuma outra mulher colocaria mais a mão. Gabriela sabia como enlouquecê-la, conhecia todos os seus pontos cardeais e sabia, como ninguém, onde estavam todos os seus pontos sentimentais.
Fazer amor olhando no olho enquanto era comida sem piedade nenhuma? Isso era apenas com Gabriela.
Bruna gozou e seu corpo inteiro vibrou em reações vertiginosas que ela não tinha controle. Gozou e foi um segundo. Gabriela arrancou a própria calcinha, sentiu as mãos de Bruna se livrando do seu sutiã. Beijou aquela boca de novo e, colocando-a por baixo do seu corpo, só...
Sentou na boca dela.
E o oral de Bruna Ribeiro...
Gabriela apertou os dedos nos cabelos dela, olhando-a entre as suas pernas. As unhas de Bruna deixando marcas pelo seu abdômen, apertando firme enquanto a tocava com a língua. Aqueles olhos sempre dentro dos seus, a pressão gostosa que ela fazia, o jeito que provocava, que sabia mexer com a mente de Gabriela como ninguém.
Gabriela se curvou sobre ela e começou a gozar. Não deve ter durado nem minutos, não na sua posição preferida, com a sua mulher, por quem era tão, mas tão louca.
E Bruna não parou. Ela nunca parava.
Foi apenas descendo os dedos, sentindo-a outra vez, colocando-a perfeitamente dentro da sua conchinha e penetrando-a assim, naquela posição que era criminosa de tão delas.
Não sabiam quanto tempo havia passado quando Gabriela caiu de bruços naquela cama, nua, suada, com seu corpo tremendo inteiro, e Bruna não estava muito diferente daquilo. Deitou-se em cima dela, completamente ofegante, ainda sentindo seu corpo queimando.
Por que era tão diferente com Gabriela? Ela era um combo de atração física, conexão mental e alma gêmea que sempre seria superior. Bruna não pôde se mover, estava exausta demais, drenada de qualquer energia. E manhosa, ela sempre ficava manhosa depois que faziam amor. Ficava apegada, pedindo colo, carinho, e Gabriela era incapaz de negar qualquer coisa que ela pedisse.
Sendo assim, coube a Gabriela descobrir se tinha alguma coisa na cozinha que elas pudessem comer.
— Bru, fizeram compra!
— Sério?
— Sim, e essa cozinha... Você quis estilo italiano mesmo, amor?
Bruna sorriu, agarrando-se aos lençóis. As enormes portas da varanda descortinadas, o apartamento em silêncio, tanto que dava para ouvir a movimentação da orla, o som do mar.
— Como a minha mulher queria.
Pois a ouviu voltar correndo para o quarto e se atirar na cama, ainda completamente nua.
— Gab!
— Cada vez que você diz “minha mulher” eu quero voltar e fazer amor de novo — Gabriela comeu o pescoço dela muito gostoso. Bruna só sabia que estaria cheia de marcas pela manhã — Você quer macarrão com tomate e azeitona, meu amor? Faço pra gente.
Os olhos de Bruna se encheram. Tocou o rosto dela, cheirou uma mecha do cabelo também.
— Ainda não sei se isso é real.
Gabriela a beijou na boca, bem devagar.
— Acho que fiquei vinte e quatro horas naquela casa me perguntando se você estava mesmo lá dentro. Achei que... tinha sonhado com você pedindo para tirar a minha jaqueta.
Sorriso de Bruna.
— Você parecia toda desconfortável nela. Daí vi a nossa pulseira e achei que não fosse dar conta de ficar lá dentro com você.
— Então decidiu desistir — Gabriela a olhou com carinho.
— Mas você não deixou.
— Eu só sabia que queria ficar perto de você. Não tinha ideia do que iria acontecer, mas, ao menos, estaríamos perto de novo. Sabia que você estava muito irritada comigo, e com razão, mas, se estávamos lá, perto outra vez, talvez algo mudasse. Espera aqui, Bru, vou fazer o jantar, já volto.
Bruna chorou quando ficou sozinha outra vez. Chorou ao perceber a aliança no dedo, lembrando que era mesmo real. Estavam juntas de novo e ainda eram elas duas. Tinham sobrevivido. Não tinha ideia do que iria acontecer dali pra frente, mas tinham sim sobrevivido.
— Gab? Vem para o banho, eu quero tomar banho com você.
Pois Gabriela veio correndo, sorrindo, agarrando sua garota, carregando-a para o banho.
— Está fazendo manha para tomar banho, linda?
— E a minha namorada veio bem rapidinho — Bruna disse, sorrindo, os olhos brilhando.
— Sempre, meu amor, sempre. Vamos para o banho, nosso jantar está pronto.
Foram para o banho juntas e, quando saíram, colocaram roupões e foram comer na sala, no chão, pertinho das portas da varanda, porque Bruna quis abri-las para sentir o cheiro de mar.
O apartamento era lindo, todo em estilo italiano, com madeira, tons em azul e branco.
— Está vendo aquela entradinha ali? — Bruna mostrou, era uma entrada no canto da sala, parecendo um pequeno corredor.
— Eu ia perguntar o que era!
— É... — Bruna comeu mais daquele macarrão delicioso, com o tempero de sua Gabriela — uma biblioteca.
— Mentira!
— Olha lá.
Gabriela saiu correndo. E era mesmo uma biblioteca em formato de U, com uma poltrona confortável para leitura bem no meio e três estantes de quatro andares, que não estavam abarrotadas de livros, só guardavam os livros delas.
— Bru, tem os nossos livros!
Tinha todos os livros de Scarlett St. Clair, a autora preferida de Bruna, a coleção completa de George R. R. Martin, todos os livros de Vampire Diaries e, então, os livros que Gabriela amava: uma coleção de Rupi Kaur, outra de Sally Rooney, “Tudo o que eu sei sobre o amor”, de Dolly Alderton, e, por fim, Crepúsculo, o primeiro livro que elas leram juntas. Tinha muitos outros títulos e nenhum era aleatório.
— Tem os livros que compramos em Seul.
Sorriso de Bruna.
— São todos os nossos livros de Seul, Gab. Estavam comigo, não sabia o que fazer com eles, trouxe pra cá. Eu... não esqueci a gente, meu amor. Volta aqui, vem comer.
Gabriela voltou.
— Eu... não sabia onde estavam os nossos livros. Achei até que tivesse se desfeito deles.
— Isso porque você me via saindo, não é? — Bruna tocou o rosto dela.
Os olhos de Gabriela se encheram um pouco.
— Eu via. Mas sei que você também saía a trabalho. Mas, ao mesmo tempo, era horrível.
— Por que você comprou o apartamento em frente ao meu, Gab?
— Para ficar perto de você. Não foi para te espionar, eu só queria... te ver. A gente tinha separado dinheiro para comprar esse apartamento aqui. Como não compramos, eu decidi comprar outro no nosso condomínio mesmo. E, quando mudei de lá, achei que... você tinha me esquecido.
— Sei que pensou isso. E, por isso, quis que a gente viesse pra cá, pra você ver que... Gab, lembra de quando estávamos na casa e você pediu para eu te ensinar a coreografia de “On The Ground”?
— Você entendeu o que tentei dizer?
Bruna a olhava nos olhos.
— ♪ And I'm trying to send a message, and let you know that every single minute I'm without you, I regret it... ♪ — ♪ E eu estou tentando mandar uma mensagem, deixar você saber que cada minuto que passo sem você, eu me arrependo ♪ — Eu entendi. Sei que o nosso término foi explosivo. Que a gente teve recaídas e brigas muito difíceis. Mas cada minuto que fiquei longe de você, eu me arrependi. Cada experiência que tive sem você não parecia suficiente. Parecia físico. Como a necessidade de comer ou dormir — Bruna perdeu o olhar pela orla por um instante. E então voltou a olhar para ela — Quem são as duas do seu ménage?
Gabriela sorriu, comendo mais uma garfada de macarrão.
— Você estava toda linda falando de como foi difícil ficar longe e volta para o ménage, Bru.
— É o assunto que está na pauta de hoje. Me fala, como aconteceu?
Gabriela pensou um pouco, olhando a vista da orla. A sala seguia toda apagada, apenas a luz da cozinha brilhava em um canto.
— Eu não conseguia sentir nada. Era estranho, nada me afetava de maneira nenhuma, nem as brigas com a minha mãe. Eu nem tinha mais crises de ansiedade. Parecia que não tinha mais nada dentro de mim. E teve essa festa. Você sabe que...
— Você sempre teve atenção feminina, sei muito bem — Bruna se recostou no sofá, processando aquela informação.
— Sempre agradeci e rejeitei as investidas, você sabe, mas nessa noite eu só queria sentir alguma coisa. Não achei que viriam as duas. Achei que fosse levar um tapa, algo assim.
— Com esses olhos, Gabriela Habren? Tem que ser muito hétero para te rejeitar. Óbvio que elas não iriam rejeitar a ideia. Quem são elas?
— Acho que uma é atriz, a outra é influencer.
— Uma delas se parece comigo. Olhei hoje de novo — Bruna sorriu.
— Ela não parece nada com você. De longe pode até lembrar, mas, quando você olha de verdade, não tem nada seu. Entendi que transar pode mesmo ser mecânico. Meu corpo sabia o que fazer, mas minha mente viajou tanto. Ao menos, elas pareceram felizes no final.
— Você deixa de ser descarada, Gabriela! — Respondeu, sorrindo ainda mais — A minha mulher foi pra cama com duas. Nesse nível de gostosa que você é agora. E devia estar faminta, porque sei muito bem que nenhum desses caras com quem eu te vi tocou em você. Você é para mulheres, Gabriela Habren, para mulheres.
— Para uma só, bae. Bru, lembra do que significa?
Sorriso de Bruna.
— Muita gente acha que é diminutivo de babe, mas, na verdade, é: before anyone else. Antes de qualquer pessoa. Ainda é isso, meu amor?
— Sempre vai ser isso. E eu vou te provar.
Bruna sorriu outra vez.
— Eu te amo.
— Ah, linda...!
— Eu amo você demais — Bruna beijou a boca dela, sentindo-a tão perto — Agora, termina de comer? Quero você naquele sofá, no nosso encaixe novo.
— Ai, Bruna...
— Estou faminta de você.
Eram uma da outra. Antes de qualquer pessoa. Eram uma da outra.






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