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Vulnerável 29


Colisão


Gabriela voltou para o apartamento com a briga com Débora ecoando na cabeça.


Viu, em um grupo da empresa, a informação de que Eric estava vindo de São Paulo e sabia que aquilo era apenas para aumentar a pressão. Martina havia voltado para Portugal naquela semana, e Gabriela estava se sentindo muito fora de lugar.


O sentimento era este. Impessoalidade. Como se nada lhe pertencesse. Perguntou se sua terapeuta podia ouvi-la de emergência, e ela disse que sim.


— Eu devia estar apenas feliz, não é? — Perguntou, sentada em frente às portas da varanda, de onde podia ouvir o mar.

— Estou surpresa de você querer ela de volta. Nossa terapia foi engraçada todo esse tempo. Eu sabia do relacionamento que te deixou muito machucada, mas não sabia quem era, não sabia que era uma mulher. Você entende que essa informação é bem relevante e explica bastante coisa?


Gabriela sorriu. Os olhos exaustos.


— Eu sei. Eu... O fato de eu não ter falado que era uma mulher deixa bem clara a maioria dos meus problemas atuais.

— Essa parte está tão mal resolvida dentro de você que nem na terapia você trouxe, Gabriela. Estamos tratando disso o tempo inteiro como algo nocivo. Algo que foi muito bom e, então, se tornou muito nocivo.

— Porque ela não estava comigo e eu realmente achei que fosse pra sempre. Mas agora deu certo, nós voltamos, e eu me sinto estranha.

— Deve ser porque sexualidade vem antes de qualquer relação. Se você não resolve a sua sexualidade primeiro, se não tira todos os entraves sobre ela de dentro de você, a relação vai ficar confusa mesmo, por mais perfeita que seja. O que a sua sexualidade diz pra você que você é? Sem julgamentos, apenas o que ela te diz.


Gabriela pensou um pouco.


— Não há nada de que eu goste nos homens, a não ser o fato de ser socialmente mais fácil. Essa experiência que tive deixou claro pra mim que meu corpo só reage a mulheres. Eu sou lésbica, provavelmente.

— E você acha que isso vai ser aceito pela sua família em algum momento?

— Nunca.

— Talvez, por um tempo, você tenha pensado ser apenas a Bruna, não é?


Gabriela sorriu.


— Talvez eu tenha pensado assim mesmo. Eu não quero esconder a Bruna. Mas essa discussão sobre a minha sexualidade eu não queria.

— Porém, uma coisa está dentro da outra.


Assentiu. Estava.


— Gabriela, acho que você está tentando manter tudo, mas não está funcionando.

— Eu só... não achei que perderia contratos por causa dessas coisas. É injusto.

— Mas essas marcas que foram embora só não estão se sentindo mais alinhadas com o que você anda apresentando agora. Outras mais alinhadas virão. Não entenda isso como uma rejeição a quem você é; essa parte é só desalinhamento comercial. A questão que você precisa descobrir é se essa rejeição não está vindo de dentro. Isso, sim, é perigoso.


Gabriela estava no banho quando Bruna chegou. E, ao sair, notou que ela estava arrumando uma mala sobre a cama.


— Vou precisar ir hoje, Gab. É melhor já acordar em São Paulo, mas vou dar um jeito de voltar durante a semana.

— Não, Bru, não... não precisa. Sei que essa semana é bem importante, eu... eu consigo fazer as coisas aqui.


Bruna a olhava.


— Você tem certeza, linda?


Disse que sim, mesmo sem ter certeza.


Algo parecia estranho. Mas podia estar apenas dentro da sua cabeça.


Jantaram juntas, viram alguns vídeos no YouTube, namoraram no sofá e, antes das dez, Gabriela foi deixar Bruna no aeroporto mais uma vez. A linha de produtos da Fierce seria lançada naquela semana, e a coleção de roupas de Gabriela havia sido adiada mais uma vez. Estava tudo pronto, mas o terreno parecia instável.


A segunda correu com reuniões, alguns ensaios fotográficos e outras participações em programas. Havia marcas indo embora e novas querendo chegar, mas essa aproximação travava por alguns motivos: Eric ou Débora Habren. Ou, mais grave ainda: o rebranding que não caminhava.


— Essas marcas são patrocinadoras do programa, sua mãe aprovou. Vamos gravar essas três publis ainda esta semana. Essas aqui são as marcas que chegaram agora, e você precisa me dizer o que fazer com elas — Flávia estava caminhando ao lado de Gabriela enquanto ela mudava de estúdio. As reuniões andavam sendo melhores assim, em movimento, fora da visão dos Habren.

— Preciso que ela saia daqui, Demerara.

— Como?

A minha mãe. Preciso retirar os poderes que ela tem na Mighty. A gente tem que achar uma brecha jurídica.

— Bem, mesmo ela tendo ações, e o Eric tendo ações, você, como CEO da Mighty, ainda pode demitir os dois. Mas acho que isso vai causar um tsunami. Gab, escuta: não existe ninguém mais a favor dessas demissões do que eu, mas pode ser depois das publis dos patrocinadores? A gente entrega e demite a sua família. Tudo está tranquilo agora. A história do ménage morreu, a do seu namorado de contrato também.

— Porque minha mãe resolveu.

— Nisso preciso admitir que ela é muito boa. Vamos só... respirar calmaria por um tempo.

— Mas continuo perdendo seguidores, Flávia.

— Porque o timing para você se pronunciar está correndo. Por outro lado, a Bruna saiu quase cancelada do programa, e o fato de ela não se pronunciar acabou curando a situação. Talvez a gente só tenha que aguentar um pouco. As redes vão reagir.


Gabriela parou um instante, respirando fundo.


— Então, eu devo aguentar essa semana.

— Isso. E, se você realmente não quiser a sua mãe aqui, basta demiti-la.


Parecia tão absurdo pensar em demitir sua própria mãe.


Os olhos erráticos de Gabriela mostravam que ela estava uma verdadeira panela de pressão.


Ela mesma era um campo de conflito permanente. Precisava parar a interferência familiar na sua empresa, precisava se impor, mas era difícil pensar em tudo isso. Não se importaria de eles estarem ali se a pressão não fosse tão negativa. Existiam tantos pequenos problemas que nunca havia conseguido vencer direito.


Odiou ter sido abandonada pela família quando era adolescente. Então, tê-los ali, de alguma maneira, tapava um vazio do qual nunca havia cuidado. Mas sua mente errática não conseguia processar isso. As perdas de contrato seguiam doendo. As de seguidores também. Talvez não fosse tão simples lidar com rejeição ou cancelamento.


O cancelamento começou a ficar mais claro naquela semana.


Uma influenciadora cristã que a seguia fez um vídeo com o seguinte título:


“Parei de seguir Gabriela Habren. E acho que você devia deixar de seguir também.”


O vídeo inteiro trazia os motivos de ela ter tomado aquela decisão, e ouvi-la explicando cada um deles doeu. Gabriela chorou sozinha naquele apartamento vazio, porque Bruna estava na festa de lançamento de sua linha de produtos em São Paulo. A festa estava linda, um verdadeiro sucesso, enquanto Gabriela estava ali, sozinha, ouvindo os motivos pelos quais as pessoas estavam parando de apoiá-la.


— Diante de tudo isso que listei aqui, fica claro que ela mentiu — a influenciadora dizia no vídeo —, que ela usou o nosso nicho para se promover, mas que nunca foi nada do que dizia que era. Ver a Gabriela 24 horas por dia já tinha mostrado pra gente que algo estava errado. As pessoas de quem ela ficou próxima não têm nada a ver, as discussões em que se envolveu não condizem em nada com o nosso estilo de vida. Então, se eu fosse vocês — ela pegou o celular, abriu o perfil de Gabriela e deu unfollow —, eu faria o mesmo. Não tem nada aqui que mereça a nossa atenção.


Gabriela chorou sozinha até dormir.


Tudo piorou consideravelmente na quinta-feira.


Podia ser a falta de sono, os dias corridos, o excesso de trabalho, a falta de alimentação ou simplesmente o fato de Bruna não poder voltar para o Rio de Janeiro naquele dia. Mas, naquela manhã, especificamente, Gabriela parecia completamente exausta.


A reunião matinal que sua mãe agora inventava de fazer todos os dias seguiu seu ritmo habitual: ataques, notas maldosas na imprensa, declarações maliciosas de ex-participantes, pressão constante em cima de Flávia e Gabriela. Estavam sendo pressionadas a tomar decisões com as quais não concordavam e, apesar de Flávia dizer que era só naquela semana, que Gabriela só precisava suportar um pouco mais...


Ela fugiu da sala de reuniões.


Simplesmente fugiu. Escapou, correu pra fora da sala do hotel onde estavam, foi respirar, porque seu coração estava tão disparado que nem sabia o que fazer. Então, correu pelo corredor longo, escadas abaixo, sem saber para onde estava indo, mas parou quando passou pela porta de acesso ao terceiro andar. Ficou em um canto, perto de uma máquina de café e, quando estava fazendo seus exercícios de respiração, se recompondo, foi encontrada por Flávia.


— Gab...

— Eu sei, eu sei! Tenho que fazer alguma coisa.

— Eles não falam a nossa língua. Sua carreira mudou agora, outras portas se abriram. Eles estão sumariamente rejeitando qualquer pauta com a Bruna, e quando ela souber disso...

— Ela não vai saber, Flávia, porque eu não vou recusar. Quero participar de todos esses programas e lives com ela, se ela também quiser, porque...

— Por que o quê?


Gabriela respirou fundo mais uma vez, cruzando os braços, se apertando naquele gesto.


— Ela vem percebendo essas situações todas e fica me olhando com cara de “eu já vi isso acontecer antes”.

— Mas vocês estão bem, não estão? — Flávia tocou o ombro dela, em sinal de compreensão, presença.

— Estamos correndo muito nesses últimos dias. Eu nem sei quanto tempo se passou do meu paraíso até aqui. Agora ela está em São Paulo novamente, e eu ainda não tenho a minha aliança de volta.

— Como assim, Gab? Isso aqui não é uma aliança?


Gabriela girou a aliança no dedo.


— É uma delas. Mas temos outra, uma mais importante, que ela disse que ia trazer de volta de São Paulo, mas nunca traz. Já faz muito tempo — Não devia fazer, mas, na mente dela, fazia — A Bruna prometeu trazer de volta logo. E já foi várias vezes — Não tinham sido tantas, já que o tempo também não era tanto — E agora ela está lá mais uma vez, e eu sinceramente não sei. Parece que ela está esperando.

— Esperando o quê?

— Para ter certeza de mim, eu não sei.

— Gab — Flávia a segurou pelos ombros, buscando os olhos dela —, acho que você está pensando demais. A Bruna está correndo feito louca também, vivendo de ponte aérea, tudo para estar com você diariamente. Você não deve deixar essas vozes te colocarem para baixo. É um momento difícil, mas tudo pode ser resolvido. Agora se acalma, você tem que estar ao vivo em uma hora.

— Flávia, eu-eu... eu não quero estar ao vivo.

— Gab, você precisa estar. Não podemos dizer que você não estará ao vivo faltando uma hora para começar.

— Liga pra Jeni e fala com ela. Talvez ela consiga cancelar o programa, eu não sei.


Flávia ligou. Jeni encontrou Gabriela logo na entrada. Eram amigas há muito tempo, e aquela chinesinha a conhecia muito bem. Só de olhar para Gabriela, ela entendeu o que podia estar por vir.


— A Bruna não está no Rio? — Jeni perguntou para Flávia quando Gabriela foi se trocar.

— Está em São Paulo. A festa de lançamento da nova linha de produtos foi ontem, ela deve estar dormindo agora.

— E a Gabriela vai entrar ao vivo assim...? — Jeni respirou fundo — Acho que a Nuna está nos estúdios. Vou ver se a encontro e a encaixo com a Gabriela.


Foi buscar Nuna, mas ela não estava mais nos estúdios. Gabriela teria que fazer a entrevista sozinha. E estava tão nervosa que mordeu a boca a ponto de sangrar.


— Alguma coisa tem acontecido, Flávia? Ela e a Bruna estão bem? — Jeni perguntou enquanto as duas assistiam a Gabriela.

— Acho que estão sim. Bruna tem se esforçado bastante para estar com ela, mas hoje a Gab está estranha. Tivemos outra reunião desastrosa com a família dela. E ontem, aquela influenciadora cristã famosinha fez um vídeo incentivando as pessoas a deixarem de segui-la. Hoje já surgiram quase vinte vídeos bem parecidos. Estamos mesmo perdendo seguidores. Os patrocinadores do programa não recuaram, mas sei que alguns patrocinadores que estavam com ela desde o começo irão embora hoje. Isso está doendo bastante.

— Ela... cresceu em um terreno que não é dela — Jeni respirou fundo — Ok, qual é a agenda dela depois daqui?

— Temos outro programa para gravar.

— Outro? Ela vai quebrar, Flávia.

— O que você quer dizer com “ela vai quebrar”?


Flávia descobriu no final daquela tarde.


Gabriela estava indo gravar seu último programa da agenda e, não, não conseguiu comer o dia inteiro, mal conseguiu beber água. Flávia claramente viu que ela estava tentando comer, se hidratar, mas o corpo rejeitava. Ela estava trêmula, a perna não parava de bater. Estava agitada, os olhos desconectados.


Foi então que Eric decidiu intervir.


Débora o mandou para que ele ficasse de olho na irmã e, quando a viu vacilando na gravação, decidiu interferir, falando duro com ela, dando sermão, dizendo que ela não podia se comportar daquela maneira. Era a pauta que Jeni havia sugerido, a gravação seria externa, Gabriela gravaria numa pista de corrida. E estava linda, de macacão preto, cabelos soltos. Havia adorado vestir um macacão de piloto outra vez, foi o único momento em que sorriu naquele dia todo. Então, o estresse pareceu voltar para o corpo dela de uma vez. E ela precisaria dirigir.


Flávia não conseguia compreender como Eric gritar com ela daquela forma podia ajudar em alguma coisa. Gabriela estava tão offline que ele a agarrou pelo braço e ela sequer reagiu.


E bastava. Flávia interferiu.


— Fora daqui!

— O quê?! Quem você pensa que é para me expulsar daqui?!

— A empresária dela. Fora daqui!

— Eu sou o irmão dela, você não tem autoridade para me expulsar de lugar nenhum!

— Ah, eu não posso? — Flávia pegou o celular — Preciso de dois seguranças no camarim, agora!


Foi outro escândalo. Ele quis partir pra cima de Flávia, que tinha um medinho, mas Jeni não tinha medo de nada. Aquela garota era invocada. Entrou na frente de Flávia, o encarou, os seguranças chegaram, tiraram Eric de lá. E, nisso tudo, de alguma maneira, nenhuma das duas viu que alguém veio buscar Gabriela no meio da confusão. Quando se deram conta, ela já estava na pista.


Desceram rapidamente, porque não tinham certeza se ela estava em condições de dirigir, mas, quando chegaram à pista, ela já não estava ali. A gravação havia começado, e Gabriela Habren estava correndo de kart.


Seriam apenas três voltas. Era apenas para fazer algumas imagens.


Mas, na segunda volta...


O kart saiu da pista em uma curva fechada, voou e bateu na barreira de pneus antes de tombar de lado e escapar pela área de brita.

Gabriela bateu de kart na pista.


Foi a única coisa que Bruna ouviu de tudo o que Júlia tentou explicar.


Daí pra frente, parou de ouvir. Havia acabado de pousar no Santos Dumont, em um voo que conseguiu de emergência, porque queria dormir com Gabriela naquela noite, quando Júlia recebeu uma ligação de Flávia informando o que havia acontecido. Tentou explicar as coisas, acalmar Bruna, mas não, ela não conseguia ouvir mais nada.


— Tem vídeo, Júlia?

— Bruna...

— Eu quero ver o vídeo!


Júlia deixou que ela assistisse ao vídeo, e o coração de Bruna se esmagou inteiro no peito. Faltou ar, sentiu a garganta estrangulando, suas mãos começaram a tremer e a respiração mudou, ficou acelerada; mas não era de nervosismo, era de raiva.


— Bruna, é mais feio do que grave. Gabriela já está no hospital, realmente não parece grave.

— Olha como esse carro voou, Júlia! Como não foi grave?!

— Você tem que manter a calma, está bem? A Flávia ligou para informar, mas a mãe da Gabriela está no hospital e...


Bruna soltou uma pequena risada.


— Que ela esteja! Eu nunca quis tanto que aquela megera estivesse em algum lugar!


Chegaram ao hospital. Bruna passou direto para a recepção. Estava de empresária aquele dia: toda de preto, calça de alfaiataria, blusa de gola alta, terninho por cima. Mas antes que pudesse ser atendida...


Lá estava Débora Habren.


— O que você acha que está fazendo aqui?


Bruna a olhou. E andou firmemente até ela.


— Eu não sei se você sabe, mas violência psicológica se encaixa na lei de proteção à mulher. Você tem essa informação, Débora?

— Do que você está falando, menina?

— Que vou enquadrar aquele seu filho imbecil nessa lei e, por lei, ele terá que manter distância da Gabriela.

— Olha a bobagem que você está dizendo. Eles são irmãos!

— Sim! E a lei está aí, inclusive, para proteger contra abusos familiares. Como você permite que ele faça isso com ela? Que tipo de mãe é você?!

— Ele se preocupa com a irmã!

— Vejo bem o quanto ele se preocupa! Escuta, não estou aqui para bater boca com você. Estou aqui apenas para ver a Gabriela, não para perder tempo com uma mulher como você, que não faz ideia do que é cuidar de alguém!

— Ah, mas você não vai entrar! Não vai entrar enquanto não entender o que família significa!

Eu sou família, caso você tenha esquecido.


Débora a olhou, dando um pequeno passo para trás.


— Você não ouse, Bruna Ribeiro!

— Lembrar que sou família? Sabe o que é isso aqui? — Bruna mostrou o dedo da mão esquerda. A aliança de namoro agora tinha a companhia de um lindo anel de diamantes — É um anel de casamento. Aliás, um casamento maravilhoso em Veneza, reconhecido pela lei, o que, inclusive, me torna uma Habren, não porque eu quis, mas porque sua filha fez questão. Gabriela achou que, em algum momento, eu teria que dar essa carteirada em você. Então, Débora Habren... — Bruna sacou o passaporte italiano da bolsa, abriu bem diante dos olhos dela — Bruna Ribeiro de Habren, esposa legal de Gabriela Nori de Habren. A certidão de casamento anda comigo, está aqui no meu celular. A minha única dúvida é: basta carteirar você ou terei que fazer o mesmo ali na recepção? Porque, assim, uma fofoca dessas vai correr rapidinho, não é?


Débora a olhava no fundo dos olhos, em pura fúria.


— Você é tão baixa! Olha o jeito que você fala!

— Ah, sim! Você detesta o meu sotaque, o jeito que falo, eu já sei de tudo isso.

— Bruna, eu acabei de limpar o nome da Gabriela de dois escândalos. Você vai mesmo querer gerar mais um agora?

— Eu não quero escândalo nenhum, é você quem decide isso. Você tem trinta segundos para decidir.


Débora engoliu em seco. Deu outro passo para trás.


— Ótimo! Imaginei que essa seria a sua preferência.

— Achei que... vocês tinham se divorciado.

— Eu tentei, por duas vezes, mas sua filha destruiu os documentos. Diga para o Eric esperar pelo processo. Isso não vai ficar assim, nada disso vai ficar assim — Bruna disse, a voz firme, mas sem se alterar — Voltei para o meu casamento, Débora, e ninguém tem permissão para machucar a minha esposa. Fui clara o suficiente?

— Pare de dizer essa palavra!

— Esposa? Nunca mais. As coisas começaram a dar errado quando parei de dizer esposa e deixei você voltar para destruir o meu casamento.

— Não ouse afastar a minha filha de mim, Bruna!

— Eu? Claro que não. Você faz isso muito bem sozinha. Agora, se me der licença, preciso ver a minha esposa.



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